Smooth Criminal : Capitulo 67 - born to die
POV HARRY
Ela estava sentada de costas para mim, com as mãos apoiadas na cama ao lado do corpo enquanto dizia coisas baixas em espanhol. Como se estivesse treinando um pequeno discurso.
Eu temia pela criança, eu temia pelo fim de Justin Bieber e o que isso iria nos proporcionar.
Me sinto falho como homem, eu não estava sendo justo comigo. Por mais que amasse Kristen, deveria deixá-la mas nesse momento se eu fizesse isso, iria jogá-la mais uma vez no fundo do poço. Ela não mudou comigo, continuava sendo a mesma mulher arrogante e egocêntrica que já conheci, continuava falando em espanhol quando estava irritada ou excitada... a única coisa que mudou foi o seu sentimento, ela não me amava da mesma forma que eu a amava.
Estávamos sendo como irmãos incestuosos, que se revezam para cuidar de um bebê, enquanto um ao outro agradece com sexo ou apenas carÃcias antes de dormir. Kristen buscava algo a mais em mim, algo que eu não sabia dar em troca. Todas as noites que suas mãos me procuram na cama, onde ela sobe em cima de mim e pede para que eu adentre cada vez mais fundo, essa não era ela, essa não era a sua vontade, mas o sexo a tirava daqui e por mais que eu tentasse recusar... não conseguiria.
Afinal, Kristen sempre seria o motivo da minha insanidade como homem.
As palavras de Justin Bieber estavam ecoando em meus pensamentos. Ele partilhava dos mesmos sentimentos que eu, ele tinha total controle sob aquela mulher que era minha em carne mas todos os seus pensamentos estava ligado a ele. Justin Bieber se demonstrava em um estado pior que o meu, eu nunca vi um homem daquela maneira.
Talvez ele não fosse tão assustador como pensava, o cruel e impiedoso que tanto falavam. Por mais que eu o odiasse, sentia pena. Não pela sua sentença e sim pelo o que estava acontecendo, era nÃtido enxergar o arrependimento nele enquanto falava sobre famÃlia, sobre o quanto amava minha mulher.
Nossa famÃlia dependia da sua vida, se a máfia quisesse nos eliminar só pelo fato da Kristen saber o nome de cada um deles. Se outras pessoas tentassem nos machucar? Bieber estando vivo, nos daria segurança aqui fora, ele tinha como controlar o que a polÃcia não controlava: a máfia.
Kristen vira de lado e me abre um sorriso devastado, cansado.
-Você tem certeza de que não quer ir comigo? -pergunta baixo. Dou de ombros e respiro fundo.
-Quer que eu deixe Benjamim com sua mãe?
-Não quero ir sozinha.
-Fullen estará com você.
-Fullen não é a pessoa certa. -era nÃtido que ela tinha tomado os remédios. Todas as noites eram assim, Kristen se dopava, mantinha um sorriso robótico no rosto e  me procurava para suprir sua carência.
Ela sobe na cama ficando de joelhos na minha frente. Kristen vestia apenas uma calcinha é uma camiseta, os cabelos soltos é aquele maldito sorriso. Confesso que era a coisa mais sexy que já tinha visto em toda minha vida.
Suas mãos tocam em minhas panturrilhas devagar, sobe passando a ponta dos dedos até chegar em minhas coxas.
-Está confiante? -pergunto baixo, ela praticamente joga seu corpo por cima do meu, se acomodando ao meu lado, coloca uma perna em cima da minha cintura e deita a cabeça em meu ombro. Dessa vez não era sexo que ela estava procurando.
-Eu estou com medo. -murmura -Isso pode acabar com minha carreira.
-Tudo vai dar certo.
-Tem como não dar? Bieber será sentenciado com mais uma perpétua ou iria morrer na cadeira elétrica. -ela tentava mostrar indiferença ao falar dele, mas eu sei que esse é o seu maior medo é perde-lo.
Começo a mexer em seu cabelo, tirando ele da frente do seu rosto. Gostaria de que aquilo fosse verdade, de que realmente suas palavras fossem essas.
Mas ele tinha razão, eu fui um privilegiado de ter passado minha vida inteira ao lado dela e que poderia reconquista-la. Enquanto ele nunca sairia daquele lugar.
-Isso não é ruim?
-Porque?
-Eu não quero que o pai de Benjamim morra.
-Você é o pai dele.
-Sabemos que não.
-Eu amo essa criança como se fosse minha. -ela levanta o rosto e me encara por alguns segundos, escuro seu suspiro e novamente deita a cabeça em meu ombro.
-Me desculpe por isso.
-Pelo o que?
-Por tudo. -murmura -Por não ter dado tudo de mim a você.
-Eu já tenho o suficiente.
-Mesmo sabendo sobre tudo o que aconteceu? -novamente ela levanta o rosto para me olhar, dessa vez levanto o tronco para me encostar na cabeceira da cama. Kristen fica sentava na minha frente procurando ler minha mente com seus olhos, como se isso fosse possÃvel.
-Vamos ser sinceros, a vida toda sempre foi eu e você. Não posso culpa-lá por ter tido algo diferente, por ter tido uma paixão por outra pessoa. Isso me dói, porque fui tão seguro inúmeras vezes que outras mulheres me interessavam, mas somos totalmente diferentes. O acaso aconteceu contigo, você é mais fraca quando se trata de amor. Pode parecer o contrário, mas quando uma pessoa te cativa consegue tirar tudo o que tem de você e foi isso que ele fez.
-Mas você disse que estou doente.
-Você está doente? -ela balança a cabeça negativamente.
-Talvez eu goste dele.
-Você se apaixonou pelo seu carcereiro. As pessoas tendem a se aproximar das outras quando estão vulneráveis e é nisso que me prendo. Você estava vulnerável e ele estava lá.
-Estou com medo. -ela repete mais uma vez essa frase, em voz baixa tentando convencer a si mesma que aquilo estava a incomodando.
-Do que tem medo?
-De tudo! -ela levanta da cama e fica parada com as mãos na cintura -Quando eu o vê amanhã, ele vai está lá no banco de réus e eu vou colocá-lo na cadeia. Não vou conseguir ver a humilhação sem tentar fazer alguma coisa. -me levanto da cama, caminho lentamente em sua direção até puxar ela pelo braço devagar, deixou Kristen se acomodar em meus braços procurando conforto. Acaricio seus cabelos, escuto seu choro baixo e isso acaba comigo aos poucos. Desmorono em mil pedaços.
-Você vai fazer isso pela segurança do nosso filho. Pela segurança do Bieber, não fale o que eles já não saibam. Você foi a vÃtima e permaneça sendo a vÃtima.
-E se tiverem provas.
-Fodam-se as provas! Eu juro por Deus que vou até o fim do mundo para provar sua inocência. Mesmo que isso me torne um delinquente, eu não vou ver minha mulher... a mãe do meu filho, sendo presa.
POV JUSTIN BIEBER
As luzes não se apagavam na cela, não sabia se era noite ou dia é isso me deixava cada vez mais atordoado. Tinham mais de 5 homens dividindo o mesmo cubÃculo em uma penitenciária desconhecida por mim, estava apenas de passagem e seria daqui para a cadeira elétrica ou a máxima onde deixaria de ver a luz do sol até o fim dos meus dias.
Olho mais uma vez para a foto em minhas mãos, meus pensamentos vão cada vez mais longe, todas as vezes que vejo a imagem da minha mulher com meu filho nos braços. Essa poderia ser nossa casa, eu poderia pintar a sacada de Branco, poderia fazer nossos móveis de madeira na garagem, aliás eu sou bom com marcenaria! Benjamim iria a escola no próximo ano e eu veria seus primeiros passos na sala enquanto kristen estaria do outro lado assustada com medo de que ele falhasse até chegar em meus braços. PoderÃamos ser a famÃlia perfeita, uma casa de veraneio perto de um lago... ou em uma Praia. Aliás, Kristen amava o mar, pude ver isso em seus olhos quando estávamos na Espanha. O mar acalmava aquela mulher que era um furacão em fúria quando queria me tirar do sério.
Uma casa com o quintal sendo a areia da praia e o mar como vizinho. Durante o dia seriamos apenas um casal normal e durante a noite seriamos o que somos na cama, a minha mulher el diablo com calcinhas de renda.
Eu não sou egoÃsta, talvez levasse meus filhos para ficar conosco. Talvez desse uma educação melhor do que armas a Davis e colégios internos para minhas meninas. Talvez Kristen me fizesse um homem pelo o qual nunca fui e agora me faz imaginar uma casa, a brisa do mar bagunçando seus cabelos e o seu sorriso fazendo com que meu peito pudesse explodir com tanta felicidade só em observar aquela mulher.
A sirene ensurdecedora toca, abro meus olhos e coloco a foto no bolso do macacão laranja. Não sei que horas são, se era hora de acordar ou de ir comer.
Os carcereiros passam com o cassetete batendo nas portas de metal. Isso faz com que os outros da cela acordem.
O mais baixo olha em minha direção e ri.
-Você não dormiu? Sabe que esse toque é o da manhã? -me pergunta cordial, como se fossemos próximos.
-Já é manhã?
-Sim.
-Eu não consigo dormir com tantas luzes acessas.
-Eles fazem isso para atordoar todos nós. Aqui não sabemos quando é dia ou noite, isso nos deixa insanos antes do nosso próprio julgamento. Acho que é uma estratégia de foder com a gente na frente a um juiz.
Três carcereiros aparecem na frente da cela.
-0917 aproxime-se com as mãos para trás, colocando elas nessa entrada. -escuto meu número de identificação. Respiro fundo e caminho em passos lentos até a porta, ficando de costas e colocando meus pulsos dentro da pequena entrada. Sinto as algemas sendo colocadas em mim, pedem para que me afaste da grade e os outros mantenham a distância.
Assim que a cela e aberta um deles me puxa para fora, chuta o meio das minhas pernas me fazendo ficar com elas abertas para a revista.
-O que é isso aqui? -um deles puxa a foto que estava em meu bolso.
-Minha mulher e meu filho.
-Você não pode ter isso aqui. -respiro fundo, eu realmente não queria ir escoltado por mais de cinco caras pelo motivo de ter quebrado a cara de alguém.
-Meu advogado falou que era permitido, afinal, não tenho como matar alguém com uma foto. Ou tenho? -pergunto irônico.
-Isso vai ser confiscado.
-Cara, e a minha famÃlia! Eu já tenho uma perpétua e provavelmente nunca mais na minha vida verei a minha mulher nua de novo. Essa vai ser a única imagem que eu vou ter dela pelo resto da vida.
-Coloca de volta no bolso do miserável e faz ele calar a boca. -o que estava na frente da a ordem e o outro obedece. Ele não estava dando a mÃnima enquanto lia a prancheta na minha frente, provavelmente eu estava uma merda a ponto dele checar duas vezes a foto.
-Temos um criminoso federal, Justin Bieber. -ele ironiza -Por isso tem um circo armado aqui fora. -foi a última coisa que ele disse até chegarmos no portão principal que dividia o pátio das celas.
Minhas algemas foram trocadas, agora estava algemado com as mãos para frente e as algemas prendiam em meus tornozelos. Já começava a dificuldade para andar, os empurrões eram contÃnuos até ver meu advogado acompanhado de mais 8 homens armados como se estivessem indo para uma guerra.
Ele não disse absolutamente nada, estava apenas observando as ações de cada um contra mim. Talvez isso fosse questionado depois. O carro era blindado, conhecia um desses de longe. Não era uma viatura, eles iriam me levar em uma van especial, com certeza com a ilustre companhia de mais amigos armados.
Era um caminho bem humilde, eles estavam me tratando como um terrorista. Mas eu nem estava com o nome na interpol ainda. Talvez meus laços com Bill foram proveitosos.
Sou jogado dentro da van, fico sentado no chão enquanto meus guarda-costas estão com fuzis apontados para minha direção. Um de cada lado. A porta é fechada e eu posso ver pela pequena janela uma pequena brecha mostrando o sol, onde poderia admirar por alguns segundos o céu.
As ordens eram simples, qualquer movimento brusco meus miolos estariam no chão, decorando o ambiente familiar... não querÃamos sangue nesse carro tão bonito, não é mesmo?
Sinto-me como sempre fui, um privilegiado de está tento toda atenção apenas para passar quatro ruas até o tribunal.
Não demora mais que quatro minutos até o carro parar, a porta ser aberta e quase me cegar com a luz do sol em meu rosto. Meu advogado já estava de pé na frente do carro enquanto aqueles flashs vinham em minha direção, todos eles queriam uma foto para guardar de recordação. O traficante estava sendo preso... era uma ofensa a mÃdia tentar me retratar assim, um traficante, um mero assassino de rua. Era uma ofensa sem tamanho para mim.
Em minha cabeça estava minha música favorita ecoando em meus pensamentos, a marcha turca estava tão alta que poderia ter certeza de que todos estavam ouvindo isso fora dos meus pensamentos. Particularmente, amava julgamentos.
O pouco calor do sol que recebi me fez ficar contente, quem sabe dessa vez eu poderia falar algo mais do que "eu não sei" "você tem provas de que essa pessoa sou eu" .
Fico em uma sala com mais homens armados, me sinto o próprio presidente da América. Aliás, Deus abençoe essa terra de exageros, a polÃcia se importava mais com um maldito presidiário do que com a população.
Lion poderia falar comigo antes do julgamento, ele senta na cadeira de frente para mim.
-Você sabe o que eles querem. -fala enquanto um policial troca as minhas algemas de grande periculosidade para as algemas comum. Segundo um policial, poderÃamos falar durante cinco minutos.
-Eu vou assim? Não posso ao menos colocar uma roupa decente?
-Dessa vez será assim.
-Ninguém me avisou quando iria ser transferido, apenas subi em um ônibus e passei mais de 7 horas com a porra da minha bunda em uma cadeira. Você não está sabendo mais como cuidar dos meus negócios?
-Eles querem te pegar -fala baixo -Qualquer sinal de privilégio, vão te derrubar.
-Então -me encosto na cadeira -Juri popular?
-Sim! Você escolhe, Texas ou cadeira. Já está no papo. -leio isso em seus lábios, não poderÃamos deixar que alguém ouvisse que 90% do júri era comprado.
O que irÃamos fazer era a tática mais usada quando não se tinha opções. Usar uma doença mental para que pudesse culpar todos os meus atos, culpando uma infância violência e conturbada perante ao júri. Eles eram comprados, mas a juÃza não! Ela que daria a sentença final.
Os primeiros depoimentos foram dado ontem, a audiência tinha começado sem mim. Apenas com Lion, testemunhas ao meu favor e a promotoria colhendo todas as provas possÃveis que existiam. Tinha que admitir, Lion fez um grande trabalho escondendo do mapa todas as provas contra mim.
Pego do bolso a foto de Kristen, olho por mais alguns segundos. Amasso aquela fotografia e coloco os pedaços na minha boca, mastigando rápido e engolindo antes que alguém pudesse ver. Aquilo era uma prova viva de que tÃnhamos alguma coisa.
Os polÃcias voltam e me algemam mais uma vez, essa era a hora de encarar todas as pessoas que queriam me foder. Mães desesperadas pedindo por justiça, mal elas sabiam que os filhos poderiam vendê-las por um pacote de cocaÃna e algumas pedras. Acessória de impressa com seus bloquinhos de papéis, algumas pessoas que eu nunca faria ideia de quem fosse.
Sento na cadeira ao lado de Lion, iriam começar a sessão enquanto sentia o gosto amargo em minha boca.
Em nenhum momento tinha o medo como prioridade, agora tudo o que tinha que fazer era bancar o renegado a sociedade, o pobre coitado que estaria disposto a mudar caso fosse sentenciado para um hospital psiquiátrico ou até mesmo a federal no Texas.
A promotoria começa a aprenderam suas provas, por minha vez, assistia a cada foto de assassinato na apresentação de PowerPoint. Era isso que eles sabiam fazer?
Estaria mentindo se não sentisse cada parte do meu corpo arrepiar ao ver as fotos, aquilo me fazia feliz, gosto do sangue, da dor, a sensação de ser deus, ter pessoas implorando por suas vidas enquanto uma arma estava em sua cabeça. Não posso negar que é disso que gosto.
Talvez se pudesse parar e pensar por um momento, ser um monstro é o que eu sou e vai ser o que continuarei sendo. Â














