Be My Mistake - CapĂtulo Sete
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CapĂtulo Seis /Â CapĂtulo Oito
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Futuro
A sala de reuniĂ”es cheirava a cafĂ© e homens. Aquele cheiro de testosterona ao qual vocĂȘ estava se acostumando, jĂĄ que era uma das duas mulheres da equipe. VocĂȘ e Javi entraram na sala juntos, alguns olhares recaĂram sobre vocĂȘs, incluindo o de Fede. VocĂȘ ainda nĂŁo conseguia perdoĂĄ-lo pelo que ele disse, mesmo que fosse verdade, vocĂȘ tinha dormido com Javi no Ano Novo.
âTalvez hoje Steve nĂŁo brigue com a genteâ Javi provocou Steve âOu talvez sĂł com vocĂȘâ
âComigo?â vocĂȘ arregalou os olhos âPor que comigo, idiota? Foi vocĂȘ quem fez merdaâ
VocĂȘ empurrou o ombro de Javi e ele quase caiu, mas vocĂȘ o segurou. VocĂȘs dois estavam a centĂmetros um do outro. E quando percebeu, vocĂȘ deu um passo para trĂĄs e riu. A risada mais falsa que alguĂ©m poderia dar. Javier olhou para vocĂȘ e riu tambĂ©m, mas a dele era genuĂna.
âBabacaâ ele murmurou
âFracoteâ vocĂȘ murmurou de volta
âCalem a boca, os doisâ Steve disse, como se vocĂȘs fossem crianças.
âViu? NĂŁo conseguĂamos passar um dia sem levar bronca do velhoâ Javi disse mais alto agora enquanto se sentava do outro lado da mesa. Fede jĂĄ estava lĂĄ, observando toda a cena.
VocĂȘ apenas riu enquanto Steve lançou um olhar atravessado para vocĂȘs dois. Ele sabia quando vocĂȘs estavam bem e quando nĂŁo estavam. A montanha-russa era absolutamente exaustiva, nĂŁo para ele, mas para vocĂȘs dois. Ele apenas acabava preso na troca de tiros.
âVigilĂąnciaâ Steve começou âĂ isso que faremos o dia inteiro. Precisamos saber quem entra e quem sai daquela mansĂŁo, entĂŁo nos separaremos em duplasâ
Javier ficou animado e para vocĂȘ aquilo era agridoce. Ao mesmo tempo que queria ser a dupla dele, era perigoso demais. VocĂȘs dois nĂŁo podiam ficar sozinhos em uma sala. NĂŁo trocaram olhares. NĂŁo podia ficar tĂŁo Ăłbvio assim. Mas Steve sabia. Ele sabia o quĂŁo perigoso aquilo podia ser.
âAgente Peña, vocĂȘ vai com Dominguezâ
âVocĂȘâ ele apontou para vocĂȘ âVai com o agente Ernandesâ
Steve continuou separando as equipes. Houve um momento em que vocĂȘ congelou, sabendo que ficar com Fede talvez abalasse as coisas entre vocĂȘ e Javi. Estava bom demais para ser verdade. VocĂȘs dois nĂŁo conseguiam viver em paz. Mas vocĂȘ repetiu seu mantra para si mesma: Ă sĂł sexo. O maxilar de Javier se apertou ao pensar que vocĂȘ estaria com Federico dentro de um carro por horas.
âTeremos a primeira ronda esta tarde e a outra Ă noiteâ Steve olhou para vocĂȘs dois, ele sabia exatamente o que estava fazendo âAgente Peña e Agente Dominguez, vocĂȘs começam Ă s oito da noite, entĂŁo vocĂȘs dois, Agente Ernandes eâ ele disse seu nome âTambĂ©mâ
Eram oito da noite quando os primeiros agentes saĂram e vocĂȘs ocuparam seus lugares. Era um carro pequeno. O carro de Javi estava do outro lado da rua, um pouco distante. Ele conseguia ver vocĂȘ e Federico. Mas nĂŁo havia nada que pudesse fazer. VocĂȘ nĂŁo conseguia ver Javi.
âTrouxe um sanduĂche e um brownie para vocĂȘâ Fede sussurrou âEu sei que vocĂȘ provavelmente nĂŁo jantouâ
âObrigadaâ vocĂȘ olhou para ele, ele estava sorrindo, mas nĂŁo havia felicidade ali
âEu sinto muito pelo que disseâ ele murmurou, continuando, a mĂŁo encontrando sua coxa âEu nunca te chamaria de puta, vocĂȘ Ă© a mulher mais fantĂĄstica que eu jĂĄ conheci, e eu nem posso exigir qualquer tipo de fidelidade de vocĂȘâ
âFede, Javi e eu somos apenas amigos e parceiros de trabalhoâ vocĂȘ tentou esconder a verdade o melhor que pĂŽde
âVocĂȘs parecem mais do que issoâ ele passou a lĂngua pelos lĂĄbios âMas eu nĂŁo vou questionar nada, sĂł quero que as coisas fiquem bem entre nĂłsâ
âEu aceito suas desculpasâ vocĂȘ sorriu suavemente âSĂł por favor, deixa essa coisa do Javi para lĂĄâ
âTudo bemâ ele suspirou âNĂŁo vou tocar nesse assunto de novoâ
âObrigadaâ vocĂȘ olhou para a rua enquanto dava uma mordida no sanduĂche
âEu senti sua faltaâ Fede continuou, a mĂŁo deslizando pela sua coxa âQueria que estivĂ©ssemos em casa, nĂŁo aqui trabalhandoâ
âBem, nĂŁo posso dizer que eu nĂŁo queria isso tambĂ©mâ vocĂȘ nĂŁo olhou para ele, vigilĂąncia, aquele era o trabalho âFoca, Fedeâ
âEu estou focadoâ a mĂŁo dele parou sobre sua buceta, por cima do jeans, acariciando
âPorra!â vocĂȘ gemeu
âQuer que eu pare?â
Fede queria beijar vocĂȘ, ele sabia que os ocupantes do outro carro podiam ver vocĂȘs. Ele queria que Javier visse o que fazia com vocĂȘ. E Javi estava vendo, o jeito que vocĂȘ parou como se algo estivesse acontecendo.
âNĂŁoâ vocĂȘ sussurrou, a culpa consumindo vocĂȘ, nĂŁo importava qual dos dois estivesse com vocĂȘ, era um sentimento que estava sempre ali
âMantenha os olhos na estrada, lindaâ ele murmurou
A rua estava escura, iluminada apenas pelos postes. Seu carro estava estacionado sob um que nĂŁo tinha luz, claro. Os dedos de Fede abriram seu jeans, a mĂŁo deslizando para dentro da sua calcinha, chegando lentamente Ă sua buceta molhada.
âAinda fica molhada para mimâ a voz dele estava baixa, cheia de desejo âEu queria poder provar sua boca e sua buceta agora mesmoâ
As palavras dele fizeram vocĂȘ derreter, dois dedos entrando em vocĂȘ, movendo-se devagar. Apenas fazendo vocĂȘ se acostumar, enquanto a palma da mĂŁo dele esfregava seu clitĂłris. A sensação fez vocĂȘ fechar os olhos e arfar. Fede sorriu de lado, olhando para a rua. Ele começou a mover os dedos, fazendo vocĂȘ gemer alto. O rĂĄdio estava desligado e nĂŁo havia ninguĂ©m por perto.
Exceto Javi. Ele fingia observar a porta, mas na verdade conseguia ver o que Fede estava fazendo. Seu rosto. Ele conhecia aquele rosto como a palma da prĂłpria mĂŁo. Seu parceiro nĂŁo conseguia suportar o fato de que Fede estava tocando vocĂȘ e nĂŁo ele. Fazendo vocĂȘ morder o lĂĄbio e gemer do jeito que fazia com ele.
Fede continuou com os dedos, aproveitando cada pedaço do seu prazer, como se se alimentasse dele. O ritmo começou lento, mas logo aumentou, fazendo vocĂȘ morder o lĂĄbio e engolir os gemidos. Ah, se ele pudesse beijar vocĂȘ. Se pudesse provar vocĂȘ.
âVocĂȘ Ă© tĂŁo lindaâ ele sussurrou no seu ouvido âTĂŁo minhaâ
Quando ouviu a Ășltima frase vocĂȘ congelou. Seu coração afundou e vocĂȘ continuou fingindo que estava gostando, mas tudo o que queria era sair daquele carro. VocĂȘ nĂŁo era dele, e nem sabia se queria ser.
âTem alguĂ©m aliâ Dominguez murmurou, abaixando o banco
âMerda!â Javier sibilou âTem movimento lĂĄ dentroâ
VocĂȘs dois se assustaram com a voz de Javier no rĂĄdio. Fede olhou para a janela e a luz estava acesa agora. Rapidamente, vocĂȘ afastou a mĂŁo dele de vocĂȘ e voltou a comer o sanduĂche, os dois fingindo conversar como um casal. VocĂȘ ficou grata por isso. Ele levou os dedos que estavam dentro de vocĂȘ Ă boca e os chupou.
âDeliciosoâ ele sorriu de lado âVocĂȘ nĂŁo faz ideiaâ
âMeu Deus!â vocĂȘ deixou a cabeça cair para trĂĄs e deu uma risadinha
A pessoa que estava lĂĄ dentro saiu pela porta e vocĂȘs continuaram conversando de frente um para o outro. Steve havia aconselhado vocĂȘs a fazer isso caso alguĂ©m saĂsse. NĂŁo seriam reconhecidos e nĂŁo pareceria suspeito. Fede olhava em seus olhos com um sorriso. De repente ele pegou uma mecha do seu cabelo e a colocou atrĂĄs da sua orelha.
âVocĂȘ estĂĄ levando o papel a sĂ©rio demaisâ vocĂȘ sorriu
âQuem disse que estou atuando? Eu gostei que a gente pudesse fazer isso, queria que Murphy tivesse dito que eu podia te beijarâ
VocĂȘ revirou os olhos e riu de novo. Isso fez o coração de Javi afundar. O jeito que ele fazia vocĂȘ rir. Ele nĂŁo tinha esse direito. NĂŁo tinha direito de tocar vocĂȘ nem de fazer vocĂȘ rir. Agora a mĂŁo de Fede voltou para sua coxa, mas vocĂȘ olhou diretamente nos olhos dele.
âAgora nĂŁo, tudo bem?â vocĂȘ perguntou
âTudo bemâ ele respondeu, apenas passando o polegar sobre vocĂȘ
Depois de algumas horas, cansada pra caralho, graças a Deus tinha lembrado de levar energĂ©ticos, entĂŁo pegou um e virou de uma vez. Sua mente continuava revivendo a vĂ©spera de Ano Novo, o quanto tudo tinha sido diferente. Javi tinha sido diferente, agora era difĂcil acreditar que aquilo tinha sido apenas sexo.
Mas tinha sido e o homem ao seu lado queria mais, queria vocĂȘ sĂł para ele. No fim, nĂŁo havia como se entregar completamente, porque metade de vocĂȘ estava com outro.
âO que vocĂȘ farĂĄ quando essa operação acabar?â Fede estava olhando para frente, a pergunta pegando vocĂȘ de surpresa
âEu nĂŁo seiâ vocĂȘ balançou a cabeça, mordendo o interior da bochecha âQuer dizer, a gente sĂł pensa em pegĂĄ-lo, mas acho que voltarei para os Estados Unidos. Eu tenho minha casa lĂĄâ
âNunca pensou em ficar na ColĂŽmbia?â ele olhou para o seu rosto
âNĂŁo, eu tenho minha prĂłpria casa, sabe?â um sorriso fraco surgiu nos seus lĂĄbios ao ver a decepção estampada no rosto dele âQuer dizer, eu gosto daqui, mas sabe-â
âEu seiâ ele mordeu o lĂĄbio inferior e voltou a olhar para a rua âSĂł achei que vocĂȘ talvez tivesse vontade de ficarâ
âTalvez, Ă© cedo demais para dizer issoâ vocĂȘ suspirou
âĂ?â ele ergueu as sobrancelhas
âSimâ vocĂȘ foi a primeira a voltar o olhar para a rua escura
VocĂȘ gostava de Fede, mas ainda nĂŁo tinha certeza se o queria como namorado ou para o resto da vida. Esse pensamento ainda nĂŁo parecia certo, mas estava começando a se infiltrar no seu cĂ©rebro dia apĂłs dia.
O silĂȘncio caiu entre vocĂȘs dois, o ar dentro do carro ficou pesado. E permaneceu assim atĂ© o sol começar a nascer. Fede dirigiu atĂ© o local onde os carros deveriam ser deixados e depois levou vocĂȘ para o prĂ©dio da DEA. VocĂȘ sentiu a dor de nĂŁo ser suficiente.
Javier seguiu o carro de vocĂȘs atĂ© a DEA. Ele percebeu o jeito que vocĂȘ ria quando estava perto de Fede, o jeito que ele olhava para vocĂȘ. No fundo queria ser capaz de fazer aquilo. Naquele momento desejou nĂŁo conhecer sua risada, seu gosto, suas piadas ridĂculas, aquele sorriso lindo e sincero, o jeito que vocĂȘ gozava e o quanto beijava bem.
Outra pessoa conhecia tudo isso tambĂ©m, ele estava compartilhando tudo aquilo. Alguns meses antes era sĂł dele. Ele tinha sido sortudo o bastante para ser o Ășnico, o Ășnico que sabia. Mas a culpa era toda dele.
Fede deixou vocĂȘ na DEA, seu carro estava esperando por vocĂȘ. Ele olhou para vocĂȘ pela primeira vez desde que vocĂȘ disse que nĂŁo estava pensando em ficar.
âVai dormir um poucoâ a voz dele estava rouca âTemos o aniversĂĄrio amanhĂŁâ
âVocĂȘ tambĂ©mâ
Houve um momento de silĂȘncio. Foi desconfortĂĄvel.
âEu falei sĂ©rioâ ele murmurou, desviando o olhar
âSobre o quĂȘ?â vocĂȘ perguntou jĂĄ sabendo a resposta
âSobre vocĂȘ ficar aquiâ ele assentiu, virou as costas e foi embora.
Por um momento vocĂȘ apenas ficou ali, observando-o partir. Seu coração parecia pesar trezentos kilos. Por quĂȘ? O que vocĂȘ estava fazendo com ele? Por que nĂŁo conseguia simplesmente se libertar?
Ficar na ColĂŽmbia. O pensamento parecia estranho. Era pesado, como se nĂŁo fosse uma roupa que servisse em vocĂȘ. Era apertada demais ou pesada demais.
VocĂȘ tinha uma vida em Boston, comprou uma casa, tinha sua famĂlia, uma rotina, amigos e colegas de trabalho. Pessoas que conheciam vocĂȘ muito antes de BogotĂĄ, antes de Escobar, antes de Javier Peña e Federico Ernandes.
Mas entĂŁo vocĂȘ lembrou que aqui tinha Fede. O homem que levava cafĂ© da manhĂŁ na cama para vocĂȘ, elogiava tudo o que fazia, se importava com o futuro. Fede que olhava para vocĂȘ como se o amanhĂŁ sĂł pudesse existir para ele se vocĂȘ estivesse nele.
E tambĂ©m havia Javi. Aquele que nunca perguntava sobre o amanhĂŁ, que nem conseguia se abrir. Mas que tambĂ©m se importava, ele nunca levava cafĂ© da manhĂŁ na cama para vocĂȘ, ele fugia. Que se preocupava e protegeria vocĂȘ a qualquer custo. AlguĂ©m com quem vocĂȘ compartilhava uma intimidade que nunca teve com mais ninguĂ©m.
Ainda assim, mesmo diante de todas essas coisas, sempre que imaginava uma vida na ColĂŽmbia, o rosto de Fede nĂŁo era o primeiro que vinha Ă sua mente.
A DEA deu a vocĂȘs um dia de descanso. Naquela manhĂŁ vocĂȘ acordou com o corpo nu de Fede atrĂĄs do seu. Ele acabou passando a noite na sua casa. Aparecendo algumas horas depois de vocĂȘ chegar.
VocĂȘs dois ignoraram a conversa sobre ficar ou ir embora. Ele sĂł queria vocĂȘ depois de semanas, precisava de vocĂȘ. Ele beijou seu pescoço para acordĂĄ-la, o polegar acariciando sua barriga.
Depois do cafĂ© da manhĂŁ, vocĂȘ e Fede foram para a DEA, entrando juntos no prĂ©dio, e vocĂȘ viu Javier de costas para o corredor, ele nĂŁo conseguia ver nenhum dos dois. E aquilo trouxe um alĂvio que vocĂȘ nunca tinha sentido antes.
VocĂȘ entrou no escritĂłrio e sentou Ă sua mesa, ele nĂŁo levantou os olhos, nem por um segundo. E aquilo doeu mais do que vocĂȘ imaginava. Steve nĂŁo estava lĂĄ. Era o dia de folga dele, entĂŁo eram apenas vocĂȘ e ele. E o elefante estava sentado entre vocĂȘs dois dentro daquela sala.
Quando o expediente estava quase terminando, Javier estava sentado sozinho na pequena cafeteria. Por um momento vocĂȘ hesitou, ele estava tĂŁo concentrado no cafĂ© que era difĂcil saber se queria companhia.
Ignorando esse medo, vocĂȘ caminhou na ponta dos pĂ©s em direção a ele silenciosamente, e suas mĂŁos encontraram a bunda dele, fazendo-o pular de susto.
âQue porra?â ele gritou
âPerdido na JavierlĂąndia?â vocĂȘ riu e assim que ele viu vocĂȘ, os olhos dele se iluminaram
âCompletamenteâ ele respondeu, recuperando o fĂŽlego âE aĂ quase tive um ataque cardĂacoâ
âPor que vocĂȘ estĂĄ tĂŁo quieto?â vocĂȘ perguntou, sentando-se de costas para a mesa, de frente para ele, seu dedo mindinho roçando a coxa dele
âNadaâ ele olhou para a xĂcara de cafĂ©, movimentando o lĂquido dentro dela âEu sĂł estou pensando demais nessa operação, Ă© exaustivaâ
âEu sei, vocĂȘ estĂĄ nisso hĂĄ mais tempo do que euâ agora sua mĂŁo realmente tocou a coxa dele
âSou grato por vocĂȘ estar aqui com a genteâ a mĂŁo dele cobriu a sua
âEstĂĄ dizendo que gosta de me ter por perto?â vocĂȘ no canto da boca, pressionando a lĂngua contra a bochecha
âSua idiotaâ ele empurrou seu ombro com o dele âClaro que sim, e vocĂȘ jĂĄ sabe dissoâ
âEu seiâ vocĂȘ riu baixinho âMas Ă© bom ouvirâ
âE vocĂȘ?â o rosto dele estava perigosamente prĂłximo, se vocĂȘs nĂŁo estivessem dentro da DEA provavelmente vocĂȘ o beijaria âGosta da minha companhia?â
âSĂł quando vocĂȘ estĂĄ de bom humorâ
âAgora eu sou mal-humorado?â ele pareceu ofendido
âĂs vezesâŠâ vocĂȘ inclinou a cabeça
âAh, qual Ă©â ele riu âVocĂȘ Ă© uma TPM ambulante. Eu sempre carrego um KitKat comigo caso precise jogar em vocĂȘ quando ficar brava demaisâ
âCala a boca, Javier Peñaâ vocĂȘ sorriu âBabacaâ
âUm babaca sem o qual vocĂȘ nĂŁo consegue viverâ ele provocou
âArroganteâ vocĂȘ revirou os olhos
âEi, a propĂłsitoâ ele começou, procurando seus olhos âPor favor, durante a operação, nĂŁo se coloque em perigoâ
âVocĂȘ nĂŁo precisa se preocupar com-â
âEu nĂŁo precisoâ ele interrompeu vocĂȘ âMas eu me preocupo com vocĂȘâ
âPosso dizer o mesmoâ seus olhos percorreram os olhos dele e depois os lĂĄbios
âVocĂȘ nĂŁo pode fazer isso aquiâ ele murmurou, percebendo o movimento dos seus olhos
âAh, aĂ estĂĄ vocĂȘ!â vocĂȘ ouviu a voz de Fede
âEi!â vocĂȘ olhou para ele em vez de olhar para Javi âAqui estou!â
âOlĂĄ, agente Peñaâ a voz de Fede estava completamente sem emoção
âOi, Federicoâ Javi murmurou, os olhos ainda em vocĂȘ
âQuer uma carona para o bar?â Fede perguntou
Antes de concordar com Fede, vocĂȘ olhou para Javi esperando que ele dissesse que levaria vocĂȘ. Mas ele nĂŁo disse. Claro que nĂŁo disse. Ele nunca lutaria por vocĂȘ. VocĂȘ fingiu um sorriso e se levantou, deixando Javier sentado ali sozinho, como ele gostava de ficar.
âVocĂȘ estava!â Steve apontou para Connie com a cerveja
Era o aniversĂĄrio de Dominguez naquela noite, entĂŁo ele escolheu comemorar em um bar. Um bem grande em BogotĂĄ. Foi para lĂĄ que Fede levou vocĂȘ. Dentro do carro, seu colega tentou alguma coisa com vocĂȘ, mas toda vez que ele te tocava, tudo o que sentia era culpa.
Sentada do outro lado da mesa com seus colegas de trabalho, vocĂȘ sentia falta de alguĂ©m. NĂŁo tinha ideia se ele apareceria afinal. Fede descansou o braço no encosto da sua cadeira. A essa altura, todos suspeitavam que vocĂȘs tinham alguma coisa, mas nĂŁo havia como vocĂȘ estar pronta para oficializar.
âEssa mulher tem olhos de ĂĄguiaâ Fede riu ao seu lado
âEu tenho?â vocĂȘ ergueu uma sobrancelha
âTem, durante a vigilĂąncia vocĂȘ viu aquele cara imediatamenteâ vocĂȘ sentiu o polegar dele roçando seu ombro
âA Connie aqui tambĂ©m tem olhos de ĂĄguiaâ Steve riu âEla consegue ver uma Ășnica migalha que eu deixo cair no sofĂĄâ
Todo mundo caiu na gargalhada e vocĂȘ revirou os olhos junto com Connie. E naquele momento algo chamou sua atenção. AlguĂ©m entrou pela porta. Como um ĂmĂŁ, ele sempre atraĂa vocĂȘ. Bonito como sempre, caminhou atĂ© a mesa. Os olhos dele passaram por vocĂȘ e Fede enquanto se sentava do outro lado.
Era difĂcil nĂŁo olhar para Javi. O jeito que ele falava, ria e fazia bagunça com todo mundo. Os olhos de Connie estavam em vocĂȘ o tempo inteiro, tentando descobrir o que estava acontecendo. Mas era difĂcil, nenhum dos dois tinha vocĂȘ por completo, mas os dois tinham alguma coisa.
Fede se levantou com Dominguez e os dois caminharam atĂ© o bar. O joelho de Javi roçou no seu e vocĂȘ ergueu os olhos. Um sorriso tentou aparecer em seu rosto, mas vocĂȘ o segurou. Babaca.
âVocĂȘ parece cansadaâ Javi disse, sem soar ofensivo âDevia descansarâ
âObrigada por se preocuparâ vocĂȘ respondeu, inclinando a cabeça âVocĂȘ tambĂ©m parece cansadoâ
âNĂŁo tenho dormido muito ultimamenteâ o canto da boca dele se moveu, quase formando um sorriso, claro que ele nĂŁo estava dormindo muito, vocĂȘs dois tinham passado noites juntos âMas acho que vocĂȘ devia descansarâ
A voz suave dele dirigida a vocĂȘ fez Connie e Steve trocarem olhares. Javier nunca tinha sido tĂŁo gentil assim antes, pelo menos nĂŁo na frente deles. O jeito que ele olhava para vocĂȘ, atĂ© quando vocĂȘs estavam provocando um ao outro. Havia algo ali, e eles sabiam. Quando Javi percebeu que estavam notando, decidiu que era hora de mudar o tom.
âDa prĂłxima vez Steve deveria montar sua melhor duplaâ ele disse, piscando para vocĂȘ
âVocĂȘs dois sĂŁo uma dor de cabeçaâ Steve balançou a cabeça
âAposto que sĂŁo mesmoâ Connie concordou, olhando para vocĂȘ âOs dois sĂŁo problemaâ
âEle Ă© problemaâ vocĂȘ riu apontando para Javier âObviamente, olha esse bigode!â
âQuem Ă© problema?â Fede colocou uma garrafa de cerveja na sua frente
âElaâ Javier tomou um gole do uĂsque, provocando Federico
âEla Ă© mesmoâ Fede respondeu âTrouxe sua favoritaâ
âObrigada, Fedeâ vocĂȘ sorriu para ele
Por baixo da mesa, Fede deslizou a mĂŁo pela sua coxa. A visĂŁo fez Javi se levantar e caminhar atĂ© o bar. VocĂȘ sabia o motivo. Seus amigos tambĂ©m. Ele pediu outra dose da bebida, tentando ignorar aquilo, mas era impossĂvel. A mĂŁo dele estava em vocĂȘ. E vocĂȘ nĂŁo parecia incomodada.
Ao mesmo tempo, vocĂȘ esperou que ele desviasse o olhar para observĂĄ-lo. Encostado no balcĂŁo observando as pessoas ao redor. Apenas Javier, uĂsque em uma mĂŁo, cigarro na outra. As mangas estavam dobradas, dois botĂ”es da camisa abertos e a gravata jĂĄ afrouxada. Ele realmente era problema, e seu coração disparou. Tudo dentro do seu corpo pulsou.
O maior problema era que vocĂȘ queria ir para casa com ele. Talvez ter mais de uma noite. Pela primeira vez vocĂȘ aceitou que queria que aquele homem ficasse. Mas ele nĂŁo podia. Javier nunca conseguiria se apaixonar.
Ao mesmo tempo, Fede estava ao seu lado conversando com Connie e Steve sobre Olivia. Sobre como ela estava se desenvolvendo. Rindo sempre que eles contavam alguma histĂłria fofa sobre a filha. Aquele homem queria um futuro, queria um futuro com vocĂȘ. Ele nĂŁo era perfeito, mas estava disponĂvel.
Por que era tĂŁo difĂcil entender que Fede era o homem certo para vocĂȘ? Que era ele quem sua mĂŁe adoraria ver vocĂȘ casar? Na verdade, ele era quem provavelmente queria se casar com vocĂȘ. Mas nĂŁo era ele quem fazia seu coração disparar daquele jeito. Esse era o homem sobre o qual sua mĂŁe teria dĂșvidas, o homem que nunca se casaria com vocĂȘ.
âVocĂȘ estĂĄ bem?â Fede perguntou, os lĂĄbios roçando sua orelha enquanto vocĂȘ encarava a bebida
âClaro!â vocĂȘ assentiu âSĂł cansadaâ
Quando os homens foram jogar sinuca, vocĂȘ e Connie ficaram na mesa conversando. Descansando e observando todos aqueles âmachos alfaâ brigando por uma pequena bola. Era bem engraçado. Sua amiga encontrou a oportunidade perfeita para se inclinar para mais perto, os olhos indo de Fede para Javi.
âVocĂȘ estĂĄ em apuros, queridaâ ela murmurou, suavemente e em voz baixa
âAmiga, eu estou sempre em apurosâ vocĂȘ quase riu, mas o rosto dela estava sĂ©rio
âNĂŁoâ ela balançou a cabeça âVocĂȘ sabe do que eu estou falandoâ
VocĂȘ seguiu o olhar dela. Javier estava rindo de algo que Dominguez disse, mas os olhos dele nĂŁo estavam ali, ele nĂŁo estava ali. Os olhos dele estavam em vocĂȘ. Sempre estavam em vocĂȘ. Mesmo quando ele tentava fingir o contrĂĄrio. Mesmo quando dizia a si mesmo que nĂŁo estava olhando.
âConnieâŠâ vocĂȘ suspirou
âNĂŁo estou julgando vocĂȘ, queridaâ ela disse, suspirando logo depois âMas eu conheço o Javierâ
âEu sei que conheceâ
âEu conheci homens teimosos que achavam que sentimentos eram doençasâ ela balançou a cabeça âEu namorei umâ
âE o Fede?â vocĂȘ nĂŁo conseguiu se segurar
Connie olhou para ele por um segundo. Ele estava conversando com o marido dela, com a equipe. Eles estavam comemorando, e entĂŁo ela voltou o olhar para vocĂȘ.
âFede Ă© o tipo de homem que ficaâ a expressĂŁo dela dizia muito, e seu peito apertou
âE o Javi?â vocĂȘ fechou os olhos, jĂĄ sabendo a resposta
Houve silĂȘncio. Connie pensou por tempo demais, diferente de Fede. Havia hesitação. Javi era amigo deles, mas ela sabia quem ele era. NĂŁo podia mentir.
âJavi parece o tipo de homem que sĂł percebe que quer ficar depois que a porta jĂĄ esta fechadaâ
Em silĂȘncio, vocĂȘ engoliu em seco olhando para a cerveja. A Ășnica coisa que conseguia ouvir eram os homens rindo ao fundo. E havia outra coisa ecoando na sua cabeça. A porta jĂĄ estava se fechando.
VocĂȘ agradeceu a Deus quando o bar começou a fechar, Dominguez e Steve estavam bĂȘbados. Era engraçado ver Steve tĂŁo solto, ele sempre era tĂŁo sĂ©rio. A Ășnica coisa que Connie conseguia fazer era revirar os olhos e balançar a cabeça. Javi estava provocando ele, fazendo piadas. Ăs vezes vocĂȘ entrava no meio, mas decidiu que era melhor apenas assistir.
Javier pagou a conta e se despediu rapidamente, deixando o bar. VocĂȘ pagou a sua depois dos rapazes e quando saiu, ele estava lĂĄ, encostado na parede, fumando o quarto cigarro da noite.
âOi!â vocĂȘ disse, a voz baixa
âOiâ ele ofereceu o cigarro para vocĂȘ e vocĂȘ aceitou uma tragada
âSe divertiu?â ele perguntou observando atentamente enquanto vocĂȘ tragava e soltava a fumaça
âSimâ vocĂȘ assentiu, mordendo o lĂĄbio âE vocĂȘ?â
âUm poucoâ ele olhou nos seus olhos
âEu sĂł queria me despedirâ havia tristeza e frustração nos seus olhos
âIndo para casa?â ele perguntou, dedos tocando os lĂĄbios
âSimâ vocĂȘ suspirou e assentiu
âCom ele?â os olhos de Javi desviaram para o carro de Fede
âSimâ vocĂȘ mordeu a bochecha esperando que ele perguntasse se vocĂȘ queria ir para casa com ele
âBomâ
Aquilo destruiu vocĂȘ. Mas nĂŁo havia como deixar que ele soubesse disso, entĂŁo vocĂȘ sorriu e assentiu. Ele precisava saber que para vocĂȘ tambĂ©m era apenas sexo. VocĂȘ se virou e caminhou atĂ© o carro de Fede, onde ele estava conversando com Dominguez. VocĂȘ lançou um Ășltimo olhar para trĂĄs e viu os olhos de Javier em vocĂȘ.
Javier observou enquanto Fede ia embora levando vocĂȘ no carro. Ele sabia que era apenas sexo, atĂ© para vocĂȘ. Era assim que deveria ser. Na cabeça dele vocĂȘ jĂĄ estava apaixonada por Fede e ele nĂŁo seria o cara que ficaria com a boa garota no final. Ele nĂŁo merecia a boa garota. E sabia que a culpa era dele, porque nunca tentou ficar com vocĂȘ.
No caminho para sua casa, vocĂȘ decidiu entregar a Fede seu corpo e agora seus sentimentos. Era sexo que Javi queria? Era isso que teria. Sexo e nada mais. Carinho, apenas como amigo.
Fede era manhĂŁ de domingo, com panquecas. Segurança. Futuro. Javi era meia-noite, com uĂsque e conversas pĂłs sexo. PaixĂŁo. Viver o hoje.
Javier ficou ali por mais tempo depois que o carro desapareceu. O cigarro queimava entre seus dedos, a fumaça que tragava se espalhando pelos pulmĂ”es. Ele nĂŁo conseguia se mover, nĂŁo conseguia xingar. Afinal, nĂŁo correu atrĂĄs de vocĂȘ. Apenas ficou parado encarando a rua vazia.
Dominguez chamou por ele da porta, bĂȘbado e rindo. Javier iria levĂĄ-lo para casa. NĂŁo vocĂȘ. Ele levantou uma mĂŁo para mostrar que estava bem e que estaria lĂĄ em um minuto, mas nĂŁo estava bem.
Pela primeira vez, o ciĂșme nĂŁo continha raiva. Continha medo.
Porque Fede nĂŁo estava apenas tocando vocĂȘ, nĂŁo estava apenas levando vocĂȘ para casa ou dormindo com vocĂȘ. Ele estava se tornando alguĂ©m na sua vida. AlguĂ©m constante e confiĂĄvel. AlguĂ©m com quem vocĂȘ podia sentar em silĂȘncio e depois falar sobre o futuro sem engasgar com a palavra.
Javi deu uma Ășltima tragada e jogou o cigarro no chĂŁo, esmagando-o com o pĂ©. Ele nunca quis ser esse homem antes.
AtĂ© vocĂȘ entrar na vida dele.
Se alguĂ©m tivesse dito a vocĂȘ, menos de um ano atrĂĄs, que naquela noite perderia os dois, vocĂȘ nĂŁo teria acreditado. Talvez um deles. Nunca os dois.
Javi e Fede foram embora. E não havia mais espaço para desculpas.
Os trĂȘs perderam alguma coisa naquela noite. Os trĂȘs perderam alguĂ©m.
Um foi embora de coração partido.
Um foi embora com raiva.
E uma ficou sozinha em um telhado, se perguntando como tudo tinha dado tĂŁo errado.
A pior parte Ă© que a culpa Ă© toda sua.
VocĂȘ foi quem amarrou o nĂł entre os trĂȘs.
E agora era vocĂȘ quem segurava a corda depois que ela finalmente se rompeu.
















