Upsidedown. || Jace's POV
Eu entrei no meu apartamento com um sorriso no rosto, a noite anterior tinha sido a melhor de toda a minha vida.
Ela aceitou ser minha namorada.
O meu sorriso aumentou com esse pensamento, e naquele momento em diante, prometi internamente que nunca deixaria algo ou alguém machuca-la de novo, como o ex dela tinha feito, mas eu não queria pensar nisso, toda vida que eu pensava na hipótese dele tocando um dedo nela, meu sangue fervia e eu socava a primeira coisa que estivessa na minha frente, e eu estava muito feliz pra socar algo.
Ao entrar, joguei o terno no sofá marrom desgastado, abri os primeiros botões da minha camisa branca social e fui na pegar um copo d'água, demorei apenas alguns minutos para perceber que o apartamento estava muito quieto. Kieran, meu roommate, não estava ouvindo sua música e nem fumando seu baseado, estranhei, pois nessa hora ele deveria estar em casa, no intervalo de almoço do trabalho.
— Kieran? — chamei.
NĂŁo obtive nenhuma resposta, fui atĂ© seu quarto, a porta estava aberta e nĂŁo havia ninguĂ©m nele, franzi o cenho, estranhando, mas voltei para a sala, achando que ele poderia ter outros compromissos na rua. Na hora que eu tinha pegado minha lata de coca-cola, a campainha tocou, franzi o cenho. Kieran nunca esquecia suas chaves. Deixei a latinha na bancada da pia, abri a porta e quando me dei conta, estava no chĂŁo, eu havia levado um soco. Meu maxilar doĂa e eu tinha certeza que estava zonzo, me levantei meio desnorteado mas apenas pra levar outro golpe, dessa vez na barriga, me fazendo cair novamente.
— Quis nos enganar, não foi, traficantezinho de merda? — O cara balbuceou, em meio a alguns chutes que eu levava. — Cade o dinheiro?
Ele parou de acertar chutes em mim, mas só para me pegar pela gola da camisa e me levantar a força.
— Dinheiro? — Falei com um pouco de dificuldade. — Traficante?
— Não se faça de desentendido.
Nesse momento, pude olhar direito para o homem que me segurava, ele era alto e careca, tinha várias tatuagens e uma delas na cabeça, usava um alargador e piercings, eu nunca tinha visto ele na minha vida, e muito menos eu era um traficante, mas não tive tempo pra explicar pra esse senhor que a casa que ele acabara de invadir era a errada, ele me jogou no chão de novo, dessa vez ficando por cima de mim, e acertando soco atrás de soco na minha cara, eu já não conseguia revidar, estava tão confuso e, provavelmente, tão machucado, que nem me dei o trabalho de fazer nada.
— Isso é apenas um aviso. Quero esse dinheiro quinta. — Ele falou, se levantando e me chutando mais uma vez, e saiu pela porta como se nada tivesse acontecido.
Eu nĂŁo era de nĂŁo revidar, de me deixar apanhar, mas eu ainda nĂŁo tinha entendido o que tinha acontecido. Eu sentia o sangue, quente e pegajoso, na minha cara, e uma dor lacinante passou pela área lateral direita do meu corpo assim que levantei meu braço, tentei respirar fundo mas parecia que estava respirando dentro d'água, meu corpo doĂa, doĂa ainda mais por causa da raiva que eu estava sentindo, eu queria acabar com aquele cara do jeito que eu acabei com todos que um dia se meteram em uma briga comigo, mas eu nĂŁo conseguia me mexer. Tudo no que eu pensava era o rosto da Savannah. Minha Savannah. Eu sabia que ela ficaria desesperada em me ver assim, desesperada e puta, e eu nĂŁo queria preocupa-la, eu nĂŁo queria que ela se preocupasse comigo e nem que me visse naquele estado e com muita dificuldade eu me virei de lado, cada parte do meu corpo doĂa, minha cabeça parecia que pesava 100kg, mas estiquei meu braço bom atĂ© o meu terno no sofá e peguei meu celular, ligando para a Ăşnica pessoa que eu pensei no momento.
— K1... — saiu com muito esforço, e acabei tendo uma crise de tosse.
— Estarei aà em cinco minutos.
A voz dela era controlada, mas com um toque urgĂŞncia, ela sabia que algo tinha acontecido e viria logo. Ela sempre vinha.














