Não costumo ter que convencer as pessoas em geral de que as grandes religiões institucionalizadas são conservadoras. Tanto o cristianismo como o islamismo (religiões que, juntas, contemplam metade da humanidade) excluem ativamente as mulheres do sacerdócio e possuem em seus textos sagrados passagens que falam da inferioridade das mulheres e justificam violências contra nós. Elas são, sim, conservadoras, mas essa é uma característica de todo o pensamento mágico. É importante percebermos isso, para não cairmos na tentativa de reformar religiões com o intuito de abarcar o feminismo de algum jeito em suas filosofias.
O conservadorismo é parte do misticismo e não é tão relevante se existe uma instituição, com autoridades explícitas que mediam o acesso dos meros mortais com um suposto deus. É claro que essas coisas importam porque hierarquizam pessoas, mas o mais importante para se entender como o conservadorismo opera nas religiões é perceber a existência da explicação de fenômenos a partir de elementos imaginários, que impedem que as pessoas compreendam o mundo e que mascaram as opressões, de modo que o resultado é sempre conservador, pouco importa se falamos de duendes ou de Jesus. A religião mina o senso de realidade das pessoas, o que torna impossível discutirmos os assuntos do mundo real e das pessoas reais.