O Elevador E Ă© assim que começamos: O coração bate mais rĂĄpido, a respiração acelera, vem o frio na barriga. A gente sobe nos ares e cai um no outro. E tudo Ă© lindo, Ă© primavera, Ă© calor. DĂĄ uma ansiedade, um nervosismo, podia ser assim pra sempre. Mas tudo que Ă© inconstante uma hora se estabiliza. E isso Ă© bom - parar num andar, encontrar uma casa. A adrenalina Ă© maravilhosa, mas o conforto de encontrar um lar para chamar de seu Ă© incomparĂĄvel. Um lugar pra ir sempre que precisar, uma certeza em meio ao caos. Ăs vezes a gente abre a porta e fica por lĂĄ mesmo. Mas Ă s vezes a gente tem que soltar as cordas pra seguir em frente. E dĂłi. Aperta o peito. A gente faz o mĂĄximo para adiar, retardar, evitar, mas Ă© como uma queda livre. SĂł nos resta esperar pelo fundo do poço. E Ă© aĂ que dĂłi. DĂłi ao ponto de nĂŁo conseguir respirar, como se as costelas quebrassem e perfurassem o peito. E vocĂȘ se pergunta se vai sobreviver, como vai sobreviver, porque vocĂȘ nunca sentiu uma dor assim. Mas vocĂȘ sobrevive. A ferida cicatriza. Pode demorar, afinal os ferimentos foram profundos. Mas um hora todas aquelas feridas expostas se tornaram apenas linhas fracas, lembranças do que um dia te fez sofrer - do que um dia te fez viver. Do que te fez se sentir viva. E vocĂȘ Ă© puxado pra fora do poço. Sempre tem alguĂ©m do outro lado esperando por vocĂȘ. Um outro alguĂ©m, talvez, nĂŁo sei. Ou talvez vocĂȘ. Seu maior herĂłi - vocĂȘ. E a vida continua.
Mebo

















