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Reunião do nosso projeto #escolamundo no #iceia (em ICEIA - Instituto Central de Educação Isaia Alves)
O BuzzFeed fez aquela lista com mais de quarenta histórias "trágicas" de amigo-secreto e, muitas delas, aconteceram na infância das pessoas que prestaram seus relatos. Lembrei de uma história minha, envolvendo agressividade, que não é um conto de Natal, mas é o tipo de acontecimento que mamãe faz questão de narrar aos familiares, com estranho orgulho e muita troça.
E eu lembro dessa história, lembro com detalhes, apesar do fato de que eu tinha 3 anos.
Aos 3 anos de idade, estudei na Recanto Infantil, uma escolinha que vinha bem antes dos jardins de infância e que podemos considerar como a creche de hoje em dia. Atualmente, Recanto Infantil é o nome de uma escola do Paraná. Na minha época, ela acabou cedo, porque ficava localizada ao lado de um posto de gasolina - e nós, crianças, respirávamos a gasolina do posto Petrobrás - logo, acredito que a Prefeitura barrou o funcionamento da escola ali. Hoje, no lugar daquela casinha bonita azul e branca, funciona o depósito e o RH de um hospital especializado em ortopedia, no qual fiz o meu primeiro estágio, muitos anos depois, durante o ensino médio.
Um dia, durante a ~hora do lanche~ na Recanto Infantil, abri a minha garrafinha térmica com suco de laranja, quando um garoto se aproximou e abriu sua garrafinha de leite, que colocou ao lado da minha. Em seguida, ele despejou parte do leite em minha garrafa de suco. Eu, pasma e transtornada, observava o feito, enquanto ele ria, inocente. Então agarrei o seu rostinho e mordi sua bochecha, com toda a força do mundo, até sangrar. O engraçado foi que o garoto não saiu correndo, mas gritou e chorou muito, e me abraçou, creio eu, na tentativa de me afastar com seus braços curtinhos. Não deu certo, eu mordi mais. A marquinha dos meus dentinhos ficou roxa no rosto dele.
Eu fui uma criança cão-raivoso.
Mas isso teve consequências bem graves para mim, depois. E provavelmente explique a razão de eu ser tão pouco sociável (explica, Freud). É que, a partir dali, eu representava uma clara ameaça na escola. Na hora do recreio, a professora não me deixava brincar com os outros colegas ou nos brinquedos. Acho que fui inserida num castigo eterno.
Quando saí da Recanto Infantil e fui estudar no jardim de infância do ICEIA, que contava com escorregador, balanço e caixa de areia, me lembro que era frequente que eu não saísse da sala-de-aula durante o recreio. Não era autopunição, eu já estava adaptada a ficar só. Isso se refletiu durante o ginásio e mais ainda no ensino médio, quando eu trocava meu intervalo de conversas com os amigos por idas à biblioteca. Sempre fui insuportável.
Depois da primeira TPM, a tendência passiva-agressiva só piorou.