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Da mesma maneira que o público procura a cultura, nas CLAV LIVE SESSION a arte busca a sua plateia.
As CLAV Live Session apresentam agora os últimos nomes da 1ª temporada de 2021, para os meses de Maio e Junho: Little Friend, Manipulador, Dada Garbeck e Himalion que se juntam ao leque de nomes dos meses anteriores deste ano: Old Jerusalem, Indigo Quintet, :papercutz, Tyroliro, Don Pie Pie, Valter…
himalion é a mais recente entidade artística de Diogo Sarabando que com EGRESS apresenta um conjunto de 8 canções que simbolizam um novo começo.
Gravado no puppy garden studios - nome dado ao local onde gravou o seu primeiro disco, que é também a casa onde cresceu - e sempre com um pé na natureza, EGRESS aborda conceitos como equanimidade, a importância de deixar ir (relacionado com a filosofia japonesa mushin) e é fruto de um trabalho de exploração de contrastes onde se retrata uma pequena viagem partindo da confusão claustrofóbica e rochosa da montanha em direcção à vastidão e clareza do oceano.
himalion serve assim de mote para as explorações de Diogo pelo indie folk, listando influências modernas como Fleet Foxes, Bon Iver e Sufjan Stevens, mas indo sempre procurar inspiração ao folk e rock clássico de Bob Dylan, the Band, Crosby, Stills and Nash e America.
Entrevista ao himalion
HeadLiner: O teu nome himalion nasceu do topo dos Himalaias? Como surgiu?
himalion: Eu sou licenciado em Biologia, então eu já tinha decidido neste projeto queria ter um nome de um animal. Um dos meus animais favoritos é o Leopardo das Neves, só que Snow Lepard nem visualmente nem auditivamente soava bem. Depois comecei a pensar em Snow Lion, mas sentia que isso também não soava assim tão bem e não era remarkable, então comecei a pesquisar como se dizia neve em diferentes línguas e apareceu-me que neve em sanskrit é hima, e depois pensei: “ahh que engraçado, ainda por cima fica ali com um trocadilho com himalaias”. E foi assim que decidi avançar com himalion. Depois fui pesquisar mais sobre o Leão das Neves e descobri que ele é uma entidade divina do Tibete, e uma das suas simbologias é que representa os eremitas da montanha, pessoas que ficam mesmo isoladas na montanha e fazem a sua vida lá. Eu tinha mesmo uma lista muito exaustiva, até que mandei uma lista de 15 nomes a várias pessoas de confiança, e todas diziam: himalion, himalion, himalion… porque associavam à música e associavam a uma coisa meio misteriosa.
Entretanto como o álbum falava dessa tal pessoa que vivia na montanha, decidi: “ah ok, isto até faz sentido colar” e pronto, ficou assim. E sim, está relacionado com os Himalaias respondendo diretamente à tua pergunta.
HeadLiner: A cultura asiátiva é claramente ligada no processo criativo de ‘EGRESS’, um álbum conceptual. Como surgiu esta admiração?
himalion: Eu sempre tive um fascínio pela cultura asiática e pela sua estética. Não é assim tão relevante quanto isso, mas sim, teve algum peso na génese deste projeto. Eu essencialmente estava a pesquisar um fenómeno psicológico que acontece muito no japão que é: Honne/tatemae. Entretanto comecei a desviar-me desse tópico porque não estava a fazer muito sentido, mas quis manter algum elemento dessa fase do processo. Alias, já tinha os caracteres japoneses estudado e então decidi pegar nisto e transpor para aqui. Isto é meio segredo (risos) mas se leres as letras, a narrativa passa-se na perfeitura do Japão, Tottori, que foi algo que também pesquisei, é um deserto no japão que é ao pé do mar e que também é perto do monte Daisen e eu: “ok, secalhar isto passa-se aqui”. Essas referências todas estão nas letras como se fossem didascálias.
HeadLiner: Este álbum, chega-nos em 2020 após vários projetos que tiveste como os The Lemon Lovers ou os Indigo Waves. O porquê deste álbum e este primeiro projeto a solo só nos ter chegado agora? Tiveste que te preparar interiormente para este projeto e abraçar a filosofia mushin?
himalion: O álbum foi inteiramente gravado por mim, no meu quarto, à exceção da bateria que foi gravada na cozinha e de algumas segundas vozes. Esse processo de conseguir chegar ao nível de gravar coisas que ficassem minimamente aceitáveis, demorou o seu tempo, ou seja, o projeto foi evoluindo de acordo com as minhas skills de produção. Mas sim demorou esse tempo todo. Eu não tenho a possibilidade de ir para um estúdio e gravar, então não vou e tenho de encontrar uma alternativa, e a alternativa foi gravar em casa e aprender. Por isso sim, só chegou agora e só ouvi o álbum pela primeira vez ontem à noite, e eu pensei: “hummm até está fixe, mas estão aqui coisas que não estão nada bem”, mas já estou a olhar para o próximo em vista de melhorar.
HeadLiner: EGRESS significa “saída/partir de um local”. Qual é esse local e qual é o teu destino?
himalion: O destino eu não sei… Mas isto é engraçado porque se pode relacionar a narrativa do álbum com o lançamento do projeto. Eu saí da minha cena escondida, só gravava para mim, tinha as músicas guardadas e agora que mostrei às pessoas, não sei onde me vai levar. A palavra egress vem de um episodio que vi de ‘Adventure Time’ que se chama ‘Hall Of Egress’. Nesse episodio ele fala sobre sair e de não forçar, ter calma. Eu recomendo mesmo às pessoas verem esse episódio e tirarem as suas conclusões.
HeadLiner: A “amnesia” e a “alba” são um contraste não só do álbum em si por serem as únicas cantadas em português, mas também entre elas, uma por ser a “manhã” e a outra a “noite”?
himalion: Essas duas são em português, português do brasil (risos), e isso também tem haver com as referências, porque eu acho que a estética do português brasileiro cantado agrada-me mais na minha voz do que o português de Portugal. Não é desrespeito nenhum, mas é mesmo porque eu acho que soa melhor. Ou seja, foi pelo som. A cena do egress relaciono muito com a manhã ou ao amanhecer, alias, o álbum acaba ‘suddenly dawn forever’, que é como fosse uma epifania e de repente: “ok, já percebi isto tudo”. Eu na altura que estava a gravar, era uma altura em que andava a dormir mal e queria falar sobre isso. É por isso que tem essa metáfora do amanhecer e do ter calma. Andava a dormir mal porque andava stressado, então a conclusão era ter calma, dormir, as coisas aparecem e só depois é que acordas. Foi essencialmente isso, só depois é que sais.
Sim elas contrastam, mas ao mesmo tempo ambas acabam com a mesma questão. Isso é uma boa pergunta por acaso, porque agora acho que não te sei responder… Eu antes de começar o álbum fiz umas guidelines, mas era algo auditivo: isto é uma exploração de contrastes, ou seja, tu estás a ouvir o álbum e a coisa está calma e de repente passa para um ambiente diferente. Acho que se pode ir por aí, por ser uma exploração de contrastes, acho que fez sentido falar desses dois conceitos. Mas sinto que não estou a conseguir responder à tua pergunta (risos). Vou para casa e vou pensar nisso.
HeadLiner: Preferes Luz/Dia ou Noite? Preferes Floresta/Montanha ou a Costa/Mar?
himalion: Eh paa, essa é lixada. Acho que ultimamente tenho tentado ir para a luz… isto parece que é cliché (risos) mas acho que estou a tentar ir para aí. Em relação à floresta, montanha ou mar… eu vivo praticamente na praia mas eu não te consigo responder, não te consigo responder! Gosto das três de igual forma.
HeadLiner: De forma a antecipar os concertos de apresentação do teu álbum, ao vivo como irás te apresentar? A solo com guitarra, vais estar acompanhado? Podes já antecipar isso?
himalion: Sim sim, à partida só o primeiro concerto será com banda e vai ser a tentar reproduzir o álbum, mas não todo. Vai haver músicas que se estendem outras mais curtas. Pessoalmente vou fazer um cover. Os outros concertos provavelmente serão num formato mais despido. A cena do próprio nome quando o escolhi, queria que ficasse numa coisa entre o artista e banda. Olha por exemplo, o Bon Iver, no início quando ele aparecia e tu dizias: “olha, tu conheces O Bon Iver?” e as pessoas ficavam: “ah ok, isto é uma banda”, e eu queria tentar também ter essa linha.