atravessando gerações como girassol. sigo calidos passos de meus ancestrais. de pé descalço neste solo profano e sagrado. ainda há relatos e rastros do passado. meu povo resistiu e ainda resiste. nunca saiu do alvo daqueles que são alvos como a neve, mas tem as mãos enchardadas de sangue. a cada 23 minutos a história regride um pouco. como numa máquina do tempo, ressurgem os flagelos de outrora. mártires que guardo na memória. aqualtune. zacimba. zeferina. zumbi. nos ensinaram como resistir. hoje a luta continua, não podemos desistir e enquanto existirmos não terá fim. vivemos num sistema que impede o povo negro de sorrir e existir. querem nos extinguir mas iremos resistir, mesmo quando a morte vier nos perseguir entre becos e vielas. nos abandonam nas calçadas e trancafiam em celas. sequelas. educação fora do padrão. a rua ensina mais que muito professor. arte educa e potencializa o corpo que está na mira do opressor. querem tirar nossos turbantes. nossas coroas. fazer acreditar que nossos antepassados eram escravos, mas eram reis, rainhas, príncipes e princesas escravizados num sistema cruel e covarde. a dor faz parte, mas não é o foco. nossa meta é não mais contabilizar corpos, mas escurecer e escurecer mentes, expandir horizontes e olhares. podem nos fazer esquecer da nossa realeza, mas jamais nos impedir de organizar nossa força e resistência preta.













