“Tables, they turn sometimes..”
Sinceramente, como poderia supor que tudo aquilo não passava de um interlúdio romântico? Puxar alguém brutalmente pelo braço não lhe parecera um gesto carinhoso. Na verdade, a ação trouxe à tona lembranças totalmente opostas a tal sentimento. Por um instante, reconhecendo a silhueta masculina, trocou de lugar com a jovem tão delicada a seus olhos. Não era muito mais imponente que a moça, mas poderia defendê-la. Ou assim pensara, pois o olhar que recebera dela após interromper a interação não era nada agradecido. De fato, havia um toque de hostilidade ali que só intensificou a face corada da dinamarquesa. Mortificada, assim que se sentira de início. A emoção desagradável, no entanto, não durara muito, sendo substituída por indignação — originada da vergonha provada no instante em que Andras Cronin se entregara a uma gargalhada. Uma interminável gargalhada.
Por um segundo ficara parada, encarando-o enquanto a irritação tomava forma. Claro que ele precisava reagir assim, fazendo-a se sentir ainda mais boba. Idiota. Rapidamente cansada daquilo, virou as costas para ir embora, entretanto, fora impedida pelo chamado do rapaz. Maldita hora em que retomou sua posição anterior. Por que não podia ignora-lo completamente? Longos foram os segundos em que o scion se deliciara repreendendo-a, jogando em sua cara que havia sido preconceituosa. O argumento a deixara profundamente incomodada — mais do que gostaria de admitir. Infelizmente, sentindo-se acuada e com todo aquele riso à sua custa, tornara-se propensa a culpa-lo por toda a cena.
Então ele jogara aquela última declaração em seu colo. Helena não precisava que lhe falassem sobre reviravoltas. Não precisava, especialmente, que fosse Andras a fazer isso — principalmente usando aquele tom. Sentia-se pequena, insignificante diante da situação. Havia sido precipitada ao concluir o pior? Provavelmente. Porém, caso não tivesse estado enganada, poderia ter evitado uma situação potencialmente abusiva. Claro, tudo que conseguira foi protagonizar mais uma cena constrangedora na frente do Cronin. Uma pequena parte sua sentia-se mal por tê-lo julgado tão erroneamente, no entanto, irritação se sobressaia. A vergonha tornava-a imprevisível — a emoção negativa sendo consequência da atitude do rapaz a sua frente, cuja diversão para com seu sofrimento não podia ser mais clara. Cada vez mais a Meincke suspeitava que ele agia daquela maneira para arrancar o pior dela — algo menos inexplicável que sua tendência a deixa-lo ter sucesso na empreitada. “ Concordo. Melhor manter isso em mente” declarou corajosamente. Inconsequentemente.















