o olhar de georgina a cobriu pelos cantos dos olhos, olhos de quem mais tem desejo do que controle. as mãos, depois de anos de experiência, não deixaram de embaralhar o conjunto de cartas a ser estendido – moviam-se rapidamente, como se nem sequer requeressem a força do pensamento de gin. as cartas abriam-se em leque, formavam montes, passavam de uma mão para outra sem maior dificuldade. mas georgina continuava pensando no que penelope dissera.
❝ acha mesmo que fica? ❞ questionou, olhando em volta com imensa discrição. apenas então deixou de embaralhar as cartas, espalhando-as sobre a mesa do cassino como uma cascata. ❝ foi um presente. ❞ sorriu, apontando com a cabeça na direção de uma mesa de jogo adjacente, onde richard, entre outros, apostava largas quantias. ❝ ele ficaria... decepcionado se soubesse que a própria e querida esposa quer tirá-lo de mim. ❞ tecnicamente, pensara consigo mesma, ficaria mais decepcionado se soubesse que a própria e querida esposa está, junto de uma amante em comum, tramando um golpe. mas, oh, a vida é decepcionante, certo? a ideia não lhe parecia tão monstruosa quanto realmente era. por baixo da mesa, uma perna moveu-se até tocar a da outra, uma carícia imperceptível. moveu-se lentamente, saindo do caminho de penelope e indicando, com a mão, o jogo sobre a mesa.