Um guia visual pelo Palácio de Alhambra, em Granada
O fabuloso Palácio de Alhambra é uma das grandes atrações da Andaluzia, parada obrigatória para quem passa por Granada. O complexo formado por palácios e fortalezas alojava o monarca da dinastia Nacérida (ou Nasrida) e toda a corte do antigo Emirado de Granada. Com base em minha breve visita a Granada, em agosto de 2018, elaborei um breve guia visual a partir das melhores fotos feitas neste lindíssimo complexo palaciano. Vocês vão ter que concordar, Alhambra é deslumbrante até não poder mais!
Alhambra, que na verdade se pronuncia “Al-hambra” ou puramente “Alambra”, está inscrito na lista da UNESCO como Patrimônio Mundial desde 1984, em conjunto com o bairro islâmico do Albaicín. Seu maior atrativo, assim como em outras obras muçulmanas do mesmo período, são seus interiores ricamente decorados com o que há de mais maravilhoso na arte islâmica. Além de exibir os mais famosos elementos da arquitetura islâmica de toda a Espanha, o complexo abriga também estruturas cristãs do século XVI e muitas outras intervenções posteriores em edifícios e jardins magníficos.
Uma visita de meio dia é muito pouco para saborear tudo o que sua rica arquitetura islâmica tem a oferecer, mas já dá um gostinho do que esse incrível monumento tem a oferecer.
Jardins e Palácio de Generalife
O Generalife era o palácio de verão e propriedade rural dos reis Nasridas durante o Emirado de Granada em Al-Andalus. O palácio ocupa as encostas da Colina do Sol (Cerro del Sol), de onde se tem uma visão panorâmica da cidade de Granada e dos vales dos rios Genil e Darro. Do árabe Jannat al-‘Arīf, que significaria literalmente o "Jardim dos Arquitetos", existem também outras interpretações do significado de seu nome, como o Jardim do Governador, o Jardim do Organizador da Festa Cigana, etc.
No Generalife não há nenhum tipo de excesso decorativo, tornando-se um lugar de lazer para os reis de Granada quando eles queriam fugir dos assuntos oficiais do palácio. Seus edifícios são bastante sólidos, mas no geral bem menos requintados do que os Palácios Nazaríes. Isso indica uma atmosfera íntima e pacífica que os reis procuravam quando se retiravam para esses jardins para descansar. Ainda assim, todos os motivos decorativos em gesso são delicadamente requintados e de extremo bom gosto.
A Alcazaba
A Alcazaba, ou Alcáçova, é uma das partes mais antigas da Alhambra. Uma fortaleza medieval composta por muralhas e torres defensivas, como é o caso das Torres Vermilion (ou Torres Bermejas). Acredita-se que, mesmo antes da chegada dos muçulmanos a Granada, já houvesse várias construções no mesmo local, marcando sua importância como ponto estratégico na região.
A primeira referência histórica à existência da Alcazaba data do século IX e acredita-se que tenha sido construída por Sawwar ben Hamdun durante as lutas entre muçulmanos e muwalladins (cristãos que se converteram ao islamismo e passaram a viver entre os muçulmanos).
Palácio Carlos V
Em 1527, o imperador do Sacro Império Romano Germânico ordenou a construção de seu palácio ao lado de Alhambra, a fim de desfrutar de suas maravilhas. Nada bobo esse Carlos V, né? Depois de muitas indas e vindas, o projeto do arquiteto Pedro Machuca só foi totalmente concluído 300 anos mais tarde, dando origem ao edifício renascentista mais importante da Espanha.
O palácio é um quadrado perfeito, com um icônico pátio circular (que eu infelizmente não tive tempo de visitar para fotografar!). Apenas as fachadas sul e oeste estão completamente decoradas, já que os lados norte e sul estão conectados aos outros palácios de Alhambra.
Palácios Nazaríes
Os Palácios Nazaríes são considerados a grande jóia de Alhambra. Três palácios compõem essa parte do complexo: o Mexuar, o Palácio de Comares, de Yusuf I e o Palácio dos Leões, de Mohammed V. Eles guardam, dentro de suas paredes, o refinamento e delicadeza dos últimos governadores hispano-árabes de Al-Andalus: os Nazaríes.
O Mexuar
O Mexuar alojava as áreas funcionais para condução dos negócios e da administração do Emirado e servia de sala de audiência e justiça para os casos mais importantes. Os tetos, pavimentos e remates são feitos de madeira escura e contrastam com o branco do estuque das paredes.
Pátio e Quarto Dourados
O Pátio Dourado funcionava como uma espécie de antecâmara onde os sultões recebiam os seus súditos. Do lado de lá da porta, o Quarto Dourado funcionava como sala de espera. Apesar de ser apenas um local de passagem, é um dos ambientes mais lindos do complexo! Suas enormes portas de madeira são ladeadas por belos mosaicos cerâmicos árabes, arrematados pelas tradicionais decorações árabes em gesso.
Patio de los Arrayanes
O Pátio de los Arrayanes ou Pátio das Murtas recebeu nomes diferentes ao longo do tempo, mas seu nome atual é devido aos arbustos de murta que cercam o espelho d’água central, que reflete a imponente Torre de Comares. Este pátio é o recinto central do Palácio de Comares e ali encontra-se um dos temas essenciais de Alhambra e da cultura islâmica: a presença da água. De um dos lados, existe uma galeria que segue a largura do pátio, de onde se tem acesso a uma antecâmara chamada de Sala de la Barca (Sala da Barca).
Palácio de Comares
A Torre de Comares é a torre mais alta da Alhambra. O Salão dos Embaixadores e a Sala da Barca estão localizados dentro da torre. Reza a lenda que o Conselho que decidiu entregar a cidade de Granada aos Reis Católicos ocorreu dentro desta torre e que também foi ali mesmo que Cristóvão Colombo convenceu os Reis Católicos a darem a sua aprovação às expedições para as Índias. Lendas e histórias à parte, é um espaço imponente e impressionante!
Palácio dos Leões
O mais impressionante tem que ficar para o fim! E isso inclui o roteiro padrão da visita. O Palácio dos Leões , construído em 1377 por Maomé V, compreendia as câmaras privadas da família real. Seu pátio central, o Pátio dos Leões, é cercado por uma galeria no estilo de um claustro cristão, suportada por 124 colunas de mármore branco com veios finos. É assim chamado por causa dos doze leões que lançam jatos de água para uma fonte bem no centro do pátio, onde convergem também quatro riachos, os quatro rios do paraíso.
A partir do pátio central, você consegue acessar as alcovas, salas privadas do sultão e de suas esposas, com pé direito alto e muitos ornamentos. O Salão dos Mocarabes fica a oeste, o Salão dos Reis a leste, o Salão das Duas Irmãs, o Salão dos Ajimeces e Mirador de Daraxa ao norte e o Salão dos Abencerrajes e o Harem, ao sul.
Dicas úteis para planejar sua visita à Alhambra
Compre os bilhetes online para os Palácios Nazaríes (14€) com alguns meses de antecedência. Pode parecer exagero, mas lembre-se que Alhambra é o monumento mais visitado da Espanha! Também existe uma visita noturna aos três Palácios: Palácio de Mexuar, Palácio de Comares e Palácio dos Leões (8€).
Se for fazer uma viagem de última hora e já não houver bilhetes disponíveis para Alhambra no dia pretendido, há duas soluções possíveis: primeiro, o Granada Card, que pode ser comprado online e inclui ingresso para Alhambra (sem hora marcada); segundo, integrar um grupo (com guia) para visitar Alhambra.
Chegue com pelo menos 2h30 de antecedência em relação à hora marcada no bilhete para poder visitar o Generalife, os jardins e a Alcazaba antes dos Palácios Nazaríes. Acredite, depois deles, todo o resto perderá a graça.
Como Alhambra fica no alto da cidade, o ideal é subir de micro-ônibus e descer a pé. Existem linhas específicas que ligam o monumento ao centro de Granada e ao Albaicín. Eu já não tinha pernas no fim do dia, então voltei de taxi para o hotel e também não ficou caro!
Apesar de haver horário marcado para entrar nos Palácios Nazaríes, não há duração limite para a visita. Então veja tudo com calma e no seu próprio tempo.
Alhambra merece tempo! No total, incluindo o Generalife e a Alcazaba, irá levar pelo menos umas três ou quatro horas para ver tudo. E no final da visita o cansaço começa a bater... Pra quem tem mais tempo na cidade sugiro um dia dedicado a Alhambra, com tempo para relaxar pelo centro de Granada depois.
Não recomendo visitar Albaicín e Alhambra no mesmo dia por motivos de “as pernas não aguentam". Conselho de amiga, que arrumou uma inflamação na bacia depois de tanto andar em Granada. ~MV













