combina com vocĂȘ
esse nuance entre
olhar e sorrir
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PerdĂŁo
pelo calor bravio dessa vida ter fechado algumas cortinas.
Os dias trazem uma verdade crua e imunda de alguém que não se importa, mas eu me importo. Muito. Sempre. E todos os meus tecidos, todas as minhas palavras colocadas ou esquecidas na saudade de uns versos sentem sua falta.
PerdĂŁo.
Pela inocencia de um julgamento e pela covardia das madrugadas infames que tĂȘm me atormentado atĂ© a hora de acordar. Ă uma tortura sair da cama.Â
Saiba: vocĂȘ Ă© o mundo que sempre tentei criar; sinto sua falta.
- Veja-me amiĂșde. No cĂ©u, nas estrelas, na lua, se puder. Na imensidĂŁo dos etĂ©reos verĂĄs suicĂdios estelares e nĂŁo os deixe passar, deves lembrar de mim, prometa! Meu menino, se partires, deixa aqui uma parte de ti.
 - E desde quando o amor se escora no tempo ou em alguns quilÎmetros? Pois. Vejo-te em todas as coisas, até no extremo breu dos olhos fechados. Talvez, em um universo paralelo exista esta relação, mas acredite, não aqui. - Segurou-lhe a mão fria. Não aqui.
Sou refĂ©m das falĂĄcias que se atiram desesperadas nas penumbras malditas da mente; atiram-se e comportam-se como ondas sofrendo interferĂȘncias e me vergam para o humo sĂĄdico do solo, contornando o murmĂșrio dos ventos cĂĄlidos que sopram, cantam e cospem o som mĂłrbido do vazio de cada dia. Ă o cachorro que uiva da janela; o homem do campo que perdeu o emprego na cidade; os olhos pesados que nĂŁo permitem descansar. Pesado. Pecado. Pecado Ă© ficar tĂŁo longe de vocĂȘ.
- Fernanda V.
Eram jovens e passivos do mundo tecnolĂłgico. LĂĄ eles existiam. Mas, se era ou nĂŁo sina, nĂŁo saberei dizer, o mundo real era totalmente literĂĄrio. LĂĄ, eles viviam. NĂŁo eram dedinhos nervosos ambulantes a inventar novas gĂrias e incessantemente enviar mensagens Ă dez de uma sĂł vez! Cansaram. Cessaram. Ele primeiro, ela em seguida. Ambos tinham uma sede assombrosa na poĂ©tica! Quando dava-lhes aquele apito inconsciente, olhavam-se na malĂcia de que se entendiam. As palavras vinham sutis, como se jĂĄ as tivessem combinado. Era dia 21, e naquelas almas engenhosas os nĂșmeros do mĂȘs tinham sempre um sentido; nada a ver com numerologia, eles criavam toda uma vida ao redor das coisas externas - e fora de rede, devo ressaltar - para nĂŁo se renderem Ă quela geração. Marcaram a caminhada matinal um pouco mais tarde, jĂĄ que uma chuva preguiçosa decidira saudar aquela cidade que mal conhecia seu cheiro. O indĂcio de que nem tudo era obra nossa. O indĂcio de que a poesia estava em tudo. E nessa serenata ela nĂŁo sentia o tempo apressar. A careta de desgosto dele parecia um farol de milha que, apesar de atenuada pelo capuz daquele casaco cinza, via-se da esquina os olhos cĂĄlidos. Devia ser um ciĂșmes da natureza. O pombo atrasou para o casamento? JĂĄ sabendo o que lhe esperava, ela soltou com carinho: - Essa tua fĂșria fingida nĂŁo vai deixar-te apreciar a manhĂŁ comigo! Vamos, solta esse sorriso! Eis-me aqui! - Amansa o passo para engraçar-te com que marmanjo? - E com quem hei de entregar a graça do riso senĂŁo a ti? Gargalhou inocente: - Ah, mas assim mata-me a braveza, menina! - O que? Amolecer um pouco o coração lhe incomoda? - disse ela, sorrindo um bocado com os olhos - Amo teus olhos! - Amo os teus!
- Fernanda V.

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Querida alma gĂȘmea,
Por onde anda? Qual tem sido seu aprendizado atĂ© agora que ainda nĂŁo podemos nos encontrar? DifĂcil Ă© aceitar que vocĂȘ estĂĄ por aĂ, eu por aqui e sĂł. Sou uma mulher de 20 anos que desses tempos recentes tentava te âcaçarâ Ă s pressas, mas viver um conto de fadas nĂŁo tem sido nada fĂĄcil, devo admitir. Sua imagem repleta de virtudes vĂĄrias vezes pareceu estar bem perto, mas sempre foi um engano e atĂ© cruel demais para mim. Parece que nossos caminhos foram feitos de curvas demais, nĂŁo Ă©? Querida alma gĂȘmea, quem serĂĄ vocĂȘ? NĂŁo vejo a hora de nos encontrarmos. E nĂŁo se trata de pressa, mas espero que nĂŁo se importe com essas linhas e em descobrir que desejo-te tanto. VocĂȘ Ă© fixo, Ă© infinito e estou prestando atenção em nĂłs. AtĂ© breve (e que o breve seja realmente breve), Sua menina.
Traga o cigarro; tragar essa dor mata do mesmo jeito.
- Pra onde cĂȘ foi?
SolilĂłquio
essas linhas ĂĄsperas falhos fragmentos percorrem as mĂŁos confusas e insultam com pouca vida a malemolĂȘncia da dança de seus traços
correm num passo frĂvolo seguram-me com a fervura de um ruĂdo mal dito feito, sem elegĂąncia
hĂĄ audĂĄcia, hĂĄ esperança. venha cĂĄ, Ă© sina? Ă© vocĂȘ!
essas linhas caĂdas de um olhar seco, travado que vĂȘ o que nĂŁo quer que derrama reclama faz drama ( eu enxergo! ) fingir-te-ei que nĂŁo?! que seja sina! Ă© vocĂȘ!
olha dentro mais adentro se nĂŁo vĂȘ, Eu invento! nem sempre Ă© igual tĂĄ bem escondido o que eu protejo Ă© a falta que me tira do normal olha! tĂŁo velho carnĂvoro desconhecido ( eu nĂŁo conheço! )
que importa a sanidade? que importa a lucidez? se um segundo nĂŁo faz jus ao coração eu invento uma fĂ© (ela costuma falhar) que orgulho quer eu tenha? vocĂȘ me diz pra acreditar eu tomo uma taça de vinho sinto-me doente vocĂȘ para nĂŁo entende nĂŁo discursa
o verso é perverso, enche-me a cara é uma dose metamorfose! volta!! ⊠vem tranquilo que eu sei conduzir me olha! me enxerga! me salva!
logo verĂĄs, existe um caminho nĂŁo durma de novo sem ver Ă© vocĂȘ espere, sĂł espere eu nĂŁo sei por quĂȘ espere⊠é vocĂȘ
- Fernanda V.