Era madrugada e eu subia as escadas em direção ao meu quarto, tropêga e bebada, devia ser umas 2:30 da manhã, eu não sei. Vista embaçada e lábios gelados, aparentemente uma morta. Subindo e subindo e subindo. Droga, não tem mais fim? Onde eu estava com a cabeça quando fui querer um quarto tão alto? Droga. Eu sei onde estava com a cabeça, em você. Subindo e subindo e subindo e...Caiu. Cai. E acabará ali as forças pra continuar e, porra, pra literalmente continuar. Continuar voltando bebada e tarde em casa, mamãe não gostaria de saber a princesinha dela tá bebendo até cair, e tá chegando tarde em casa, e tem tatuagem, e um alargador, e uma casa, aliás, uma vida inteira, bagunçada e espalhada por ai. Mamãe iria odiar. E que tá andando com gente que não devia, e amando quem não devia. E realmente eu não devo, não devo amar. Não que não deva amar você - Mas, não devo mesmo - É que não devo amar. Amar pessoas. Não assim, sabe, dessa maneira. Me entregando exorbitantemente nas tuas mãos frias e grossas. Eu não sei amar. É isso, eu não sei. Ou talvez, você não saiba. Não saiba sentir intensamente, não saiba confiar o suficiente em alguém que te quer de maneira tão intensa e forte. Não saiba receber o meu amor e me devolver - nem que seja um tiquinho -, amor. E eu tô disposta a te ensinar nem que eu sofra mais. Nem que eu precise de mais umas noites de Nando Reis, Los Hermanos, Engenheiros do Hawaii e um caderno pra rabiscar nas entrelinhas apertadas meu bem querer por ti. Eu tô disposta. E sabe qual a razão da minha enorme dispocição? Novamente, você. Sim, você que ultimamente tens sido o único raiozinho de sol que entra pelas frechinhas do meu coração. É tão clichê falar em coração, mas bebados são clichês, o amor é clichê, e meu Deus, tudo nessa vida é clichê e tudo faz-me lembrar de ti. Tu tens sido o único motivo que tenho pra ainda acreditar que alguém, algum dia vai ser feliz amando intensamente como eu. Tens sido meu único motivo pra continuar nesse mundão de meu Deus. Tens sido, também, o motivo das minhas noites mal dormidas e dos porres que tomo todas as noites. Mas, ainda assim, mesmo com tudo isso, continuo disposta a amar-te cada dia mais. E se preciso for a te ensinar o meu amor.