âș đ· đł đ¶ đ» : đ đđđ đđđ đđđ đđđđđđđ.
âAbrindo um antigo caderno foi que eu descobri:Â
Antigamente eu era eterno.â
INTRO:
A FĂȘnix era uma bela ave que possuĂa uma força extraordinĂĄria e podia viver quinhentos anos, outros acreditavam que o seu ciclo de vida era de 97 200 anos . Suas penas seriam vermelhas, enquanto o bico, a cauda e as garras seriam douradas. Seu corpo cobria-se de chamas tĂŁo vivas quanto ao sol de meio-dia. Suas lĂĄgrimas podiam curar qualquer doença, possuĂa um lindo canto e ao final da vida entoava uma melodia triste.
O episĂłdio de sua morte era tĂŁo lindo quanto triste, seu cantar traziam seres de todas as espĂ©cies para seu funeral, alguns morriam com ela em seu sofrer, outros a olhavam entrar em combustĂŁo e virar cinzas, o cheiro de suas cinzas junto a ramos de canela, sĂĄlvia e mirra montados pela fĂȘnix como sua pira de funerĂĄria fazia o ar ficar refrescante e suave conforme o pĂŽr-do-sol.
A noite fria se ia e no amanhecer do dia seguinte, a fĂȘnix ressurgia de suas cinzas queimando tĂŁo forte quanto o sol daquele diaâ.
               ăO RENASCERă
âNĂŁo foi um sopro que deu vida.
Foi o fogo enquanto tudo destruĂaâ
26 de agosto de 1883- Indonésia - Vulcão Krakatoa : O mundo nunca mais seria o mesmo.
Uma devastação começava por um tsuname de 40 metros que vinha do gigante adormecido, seus ruĂdos podiam ser ouvidos a milhĂ”es de quilĂŽmetros e tudo se perdia em uma escuridĂŁo tĂłxica, a Ășnica luz que se via era do vulcĂŁo explodindo e escorrendo sua lava por seu corpo que o destruĂa e deixava ali seu sucessor. O desconhecido e temido Anak Krakatoa.
Mortes e medo era tudo que restava nas 3 pequenas ilhas que foram separadas pelo vulcão, ninguém até hoje soube o que aconteceu realmente ali.
HistĂłrias borravam a verdade e quem estava perto, nĂŁo sobreviveu para ser ouvido.
                      đŒđ'đ đđžÂ                                             đŽđșđŽđŒđ ???
Por um momento, eu não conseguia enxergar nada, algo queimava e aquecia meu corpo, um caminho vermelho e estreito aparecia na minha frente, conforme me colocava de pé algo quebrava e virava pó logo em seguida.
âO que estĂĄ acontecendo aqui???â  â â PompĂ©iaâ A cada passo que dava, meu corpo ficava coberto de cinzas.
âEu... Onde estou???â ââ Herculano...â
Um passo em falso e cai de joelhos. Lågrimas escorriam por meu rosto e ardia pelo caminho que só elas traçavam, a segunda voz em minha cabeça continuava dizer aqueles nomes a cada piscar de olhos até estå perto de desmaiar, um grito e fogo. Tudo voltava a ficar escuro de novo.
               ââEU RENASCIâ.
Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â ïŒŻïŒ”ïŒŽ ïŒŻïŒŠ ïŒŁïŒŻïŒźïŒŽïŒČïŒŻïŒŹ
Acordei em uma casa de madeira, havia um casal do lado de fora enchendo-se de perguntas sobre mim, âComo ele sobreviveu?â âComo nĂŁo foi pego pelo vulcĂŁo?â, era o que conseguia ouvir atĂ© tentar levantar, meu corpo inteiro estava adormecido atĂ© que finalmente notei onde estava. Era uma banheira cheia de gelo atĂ© meu pescoço, a ĂĄgua estava vazando pela borda e os cubos de gelo sumiam aos poucos, os vidros do banheiro estavam embaçados e todo o ambiente estava cheio de vapor;
â â Mas que diabos???â - falava para mim mesmo saindo da banheira , meu corpo foi ao chĂŁo junto como a ĂĄgua que saia dali. Olhei para minha mĂŁo, toda ĂĄgua sobre ela e abaixo dela evaporava rapidamente e toda dormĂȘncia tambĂ©m se ia, a porta do banheiro era aberta e o casal vinha para perto de mim;
âVocĂȘ ainda estĂĄ muito quente. Essa sua febre Ă© preocupante.- a mulher falava cobrindo meu corpo com uma toalha.
â Febre? - dizia falhando, atĂ© minha garganta ardia e o hĂĄlito estava quente.
â VocĂȘ estĂĄ doente filho? - o homem dizia rouco- Da forma que te encontrei, Ă© um milagre ainda respirar.
Eles achavam que eu estava doente mas algo dizia que nĂŁo era isso, fui levado dali para um quarto de visitas, a temperatura do meu corpo aumentava a cada minuto e atĂ© respirar era difĂcil. Deitei na cama e a mulher foi pegar um termĂŽmetro, o casal jĂĄ tinham certa idade, ambos tinham seus cabelos negros misturados aos fios brancos, pouca diferença de altura e pelo visto jĂĄ eram aposentados.
Havia porta-retratos deles com uma moça no meio, talvez fossem a filha deles, o homem acompanhava meu olhar e suspirava longamente quando encarava os quadros. â O vulcĂŁo a levou... - ele dizia triste.
A senhora retornava ao quarto com o termĂŽmetro em mĂŁos e o colocou na minha boca, o hĂĄlito quente fazia o mercĂșrio subir rapidamente atĂ© a pequena peça de vidro se quebrar, cuspi o restante no chĂŁo e encarei o casal, eles estavam assustados e se afastavam, eu nĂŁo sabia o porque atĂ© vĂȘ meus braços cobertos por chamas
ââ Me deixe sair..â - uma voz repetia na minha cabeça, a cada frase dela meu corpo continuava em chamas, nĂŁo me machucava e nĂŁo parava de aumentar, o quarto inteiro começava a queimar comigo e a estrutura da casa de madeira ia se deteriorando a cada segundo.
Uma explosĂŁo aconteceu, a casa ficou destruĂda e bem na minha frente estavam os corpos abraçados e carbonizados do casal que me resgatou. Uma fĂșria tomou conta dos meus pensamentos e alimentava as chamas, minha sombra no chĂŁo mostrava como estava, meu corpo todo tomado por chamas e asas flamejantes cresciam na minha costas, cada bater delas eu ficava mais longe do chĂŁo. A voz gritava junto a mim e bem no alto outra explosĂŁo.  Perdi a consciĂȘncia e o controle do meu corpo.
              ââ EU SOU A FĂNIXâ.
"Eu estive fora por muito tempo e esqueci quem eu era."
Não havia um passado, presente ou futuro certo para mim, a cada novo despertar era uma tragédia diferente e quando tentei mudar isso... Devastei cidades. A cada nova morte minha, eu perdia a memória, cada vez menos eu lembrava do que havia feito antes de dormir, acordava em um corpo diferente, de idade diferente e em lugar diferente.
Os vulcĂ”es sempre foram os portais da minha passagem para esse mundo mas esse Ășltimo havia algo de diferente, o corpo que me foi dado nĂŁo foi criado pelas lavas, era um corpo vĂvido e juvenil, alguma coisa estava errada ali mas antes mesmo que eu pudesse fazer algo a respeito, a natureza humana lutava contra mim pelo poder daquele corpo. Eu podia ouvir os gritos dolorosos daquele homem, ele podia escutar meus pensamentos, sempre em batalha o corpo dele nĂŁo era capaz de me deter e eu nem mesmo parar aquilo. Foram 2 vezes que eu tomei o controle e o venci, nĂŁo sabia que estava me condenando dentro dele e aquela Ășltima vez fiz uma nova tragĂ©dia...
Lembro de ĂĄrvores queimando e caindo, tudo sendo reduzido a cinzas a cada bater de asas meu.
Vi minhas chamas sumindo daquele corpo e ele despertando aos poucos, as chamas se concentravam na regiĂŁo de seu peito marcando com uma tinta preta abaixo de sua derme permanentemente, aquilo desenhava uma forma, nĂŁo consegui vĂȘ ou entender o que era, o selamento me fazia adormecer rapidamente e antes que entrasse no coma profundo pude ouvir ele dizer
"â Eu venci."
Era a primeira vez que eu o ouvia sem estĂĄ gritando ou com dificuldades, sua voz era forte e reconfortante , por um momento em todo meu desespero senti uma calmaria tomar conta do meu espĂrito como se estivesse deitando sobre o mais quente lençol de magma.
NĂŁo sabia o que iria acontecer, tudo se apagava tĂŁo rĂĄpido quanto o fogo naquela regiĂŁo, minhas memĂłrias, meu eu, minhas chamas...
            " â Bom descanso, minha querida fĂȘnix."












