âĂ como proto-fingir. Como se vocĂȘ fingisse que tĂĄ fingindo antes mesmo de fingir.â
Proto-fingir.
Ă o gesto antes do gesto.
à a emoção fabricada antes da emoção falsa.
à o eco da presença num corpo que só sabe repetir o que viu.
E aĂ vocĂȘ cresce achando que isso Ă© ser.
Que isso Ă© estar.
Que isso Ă© vocĂȘ.
Mas nĂŁo Ă©.
Ă sĂł um molde.
Uma simulação precoce.
Um avatar criado por medo, por ausĂȘncia, por trauma.
VocĂȘ finge que tĂĄ fingindo antes de fingirâŠ
porque em algum lugar lĂĄ atrĂĄs,
ser de verdade era perigoso demais.
EntĂŁo vocĂȘ performa.
VocĂȘ aprende o tom de voz certo.
A risada na hora certa.
A lĂĄgrima ensaiada.
O olhar vazio que ninguém questiona.
E o tempo passa.
E vocĂȘ segue vivendo nesse looping esquisito, onde toda emoção Ă© uma prĂ©via da emoção que nunca chega.
E vocĂȘ chama isso de vida.
Mas no fundoâŠ
no fundo mesmoâŠ
vocĂȘ sabe.
Que nunca foi.
Quantas camadas existem entre quem vocĂȘ mostra e quem vocĂȘ Ă©?
-Aeluriah












