NOSTALGIA (prólogo)
Eu passeava no jardim com o pensamento longe, quando o refrão aborrecido de uma música se repetia tanto que me fazia cantar até sem querer. Algo como “Hoje a noite você terá um pedaço de mim, ou da minha vida”, não lembro mais. Ouviam-se berros animados ecoarem dos quartos, da sala, por todos os lados, mas eu não me sentia tão bem. Não eram meus amigos e, perto deles, nem meu namorado era. Sabia que seria assim até resolvermos a nossa situação. Faltava pouco, só alguns dias.
A noite chegava de mansinho, idêntica ao cinzento amanhecer da cidade. A casa do melhor amigo do Matthew não era lá essas coisas, mas o jardim tinha um charme especial. Havia um gramado verdinho com iluminação quente e acácias. Ah, as acácias… Belas árvores de flores amarelas me rodeavam e despencavam como chispas. Era lindo assistir aquele espetáculo, tanto que estava lá fora só pra curtir a brisa. Aquele lugar me lembrava algo que eu simplesmente não conseguia saber o que era. Às vezes essas coisas me acontecem, sorrateiramente. Estava nostálgica, viajando há mil anos, até que a pior das assombrações apareceu desfigurando meu fim de tarde.















