Festa Fantasia - Cap 1
A noite mal começara quando chegamos na festa, encantadas com a quantidade de pessoas que ali estavam presentes. Havia gente de todo tipo com diferentes fantasias: bruxas, madames, plebeus, senhores, padres, freiras, cowboys, serventes, entre outros.
Eu estava vestida com um volumoso vestido roxo com véu lilás, branco e dourado e detalhes de preto, muito bonito, mas não tanto quanto o da minha amiga, a qual namorava o filho do dono da festa, fantasiado de príncipe.
A beleza da minha amiga era de fazer inveja, longos cabelos louros cacheados, olhos escuros e pele bronzeada. Ela devia ser acostumada com esse tipo de festa, pensei eu, pois não pareceu surpresa quando viu tudo montado e toda aquela gente vestida a caráter, a casa grande enfeitada como um castelo, cheia de luzes, cavaleiros, tapete vermelho, etc.
A música alta animava a festa de tal modo que ninguém conseguia tirar o sorriso do rosto; crianças corriam pelo enorme luxuoso jardim que estendia-se por toda a extremidade do sítio e guiava-nos até a entrada principal do encastelo.
Assim que as centenas de convidados ouviram o anúncio da chegada da princesa, foram todos cumprimentá-la com o devido respeito e delicadeza, ao mesmo tempo que se sentiam honrados por tê-la direcionado a palavra. Eu só a acompanhava, como uma dama de companhia, fingindo não estar maravilhada com aquela estrutura e com o prestígio que estávamos recebendo daquelas pessoas.
Quando chegamos nas escadas, dois cavalheiros nos receberam e nos conduziram até o rei, que estava no salão bebendo uma taça de champanhe enquanto olhava as pessoas dançarem do andar de cima. Nos cumprimentou com um largo sorriso e chamou o príncipe, que antes dançava com uma moça.
Eu não sabia o que fazer, visto que o meu papel ali era irrelevante, e a princesa estava distraída, então só observei a dança animada dos convidados. Formava um belo espetáculo quando visto de cima: damas rodando os seus coloridos vestidos e voltando para os braços dos charmosos rapazes, repetindo sempre movimentos semelhantes ao anteriormente mencionado.
No cantinho do salão, no entanto, um garoto plebeu mantinha o olhar fixo na minha amiga, com expressão séria de ciúmes. Fiquei encarando-o até que os seus olhos se desviaram dela para encontrar os meus e, nesse momento, foi como se toda a minha energia fosse absorvida por ele; a minha visão ficou turva, mudou de ângulo e, subitamente, eu estava olhando para uma moça de vestido roxo com lilás de longas mangas que se encontrava ao lado da minha amada, a princesa, mas não era tão bonita quanto esta.
Por um breve instante, fiquei envergonhado por ter pensado que a princesa trocaria o príncipe para ficar comigo. Oh, quanta estupidez! A moça de vestido roxo, que pensei ser a dama de companhia, tendo notado a minha inquietação, cutucou-a discretamente, e as duas voltaram os seus olhares para mim, sorrindo.
Eu estava no cantinho do salão, onde vários casais dançavam, e as duas estavam no andar de cima, na companhia do rei e do príncipe. Daí então, a princesa desceu as escadas, apressada, atravessou o salão lotado e correu ao meu encontro, envolvendo-me com o seu abraço.
Éramos grandes amigos há muito tempo, e eu estava visivelmente apaixonado por ela, embora o oposto não se atribuía à situação no momento.
Saímos do salão e fomos, de braços dados, até um barzinho que servia bebidas. Bebemos juntos vários copos de uma bebida alcoólica docinha que ardia na garganta, conversamos bastante sobre coisas sérias, depois sobre coisas divertidas, e então, sobre coisas completamente sem sentido, quando estávamos já sentindo os efeitos da embriaguez.
Ela ficou mais bêbada do que eu, bem mais. Ria alto, dançava com idosos e plebeus, comia besteiras que eram servidas às crianças e corria pelo jardim tão depressa que tropeçava no próprio vestido para em seguida gargalhar mais alto ainda.











