Ainda sei
das tuas mãos entrelaçadas, e das minhas na tua garganta,
do tom da tua respiração,
do meu pedido de uma conversa e do teu desespero em usar da pele para não se enxergar todo o vazio,
das juras suspensas que fizemos naquela noite,
do vinho cortando a moral,
da febre salivando paixão.
Entre atos e rastros,
aos astros,toda ilação.
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˖ ࣪ ʿ o chalé de afrodite andava com uma boa reparação, a parte das crianças era a área que recebia mais atenção antes mesmo até dos quartos dos mais velhos. o seu foi ficando para trás e voltava a ficar no seu antigo dormitório com devora; como não precisava dormir, não tinha tanta importância se arrumavam o seu ou não, aos poucos isso seria feito. a lista de prioridades era imensa. atualmente focava nisso de apertar parafusos dos beliches dos irmãos quando um deles entrou ali correndo. elliot, seis anos. deixado no acampamento verão passado e seus pais adotivos nunca mais apareceram para visitá-lo ou levá-lo para casa. sentia-se imensamente responsável por aquelas crianças que não tinham as famílias mortais e o fato do pequeno elliot ter um curativo na testa por causa do acidente no dia desta era algo que lhe atormentava. se tivesse ali, eles teriam se machucado? teria conseguido evitar os irmãos de se ferirem?
“elói, acho que você está em apuros.” a criança disse com os olhos castanhos arregalados para o mais velho. os cachos do pequeno estavam bagunçados, suas roupas manchadas de terra… e o chalé não consertou nada daquilo, a magia de afrodite ainda estava quebrada, pelo visto. “você está tão encrencado. o que fez dessa vez?” ele perguntou, a curiosidade vazando em seu tom infantil.
a confusão, porém, enfeitava o rosto do semideus mais velho que tinha também um quê de diversão em sua expressão pela forma como o irmão tinha entrado ali lhe acusando. largando as ferramentas, se agachou na frente do menino. “eu sinceramente não sei, elli, consegue me dizer o que está acontecendo? por que acha que eu estou encrencado?” perguntou, esticando a mão para tentar limpar o rosto dele e ajeitar os cachos, tirando um elástico do bolso para prender os cabelos do menino em um coquezinho minúsculo.
“eu tava brincando com os patos e quíron me pediu pra te chamar. bem rápido. então eu vim correndo!” contou, saltando no lugar assim que o irmão acabou de lhe arrumar. isso explicava tanto a sujeira quanto a presa da criança. teria sido mais fácil se ele tivesse começado com o recado do centauro, mas já conhecia a natureza enérgica dos irmãos. “seu cabelo ainda está preto.” o menino apontou, lhe deixando consciente de novo daquele fato que vinha lhe perturbando há alguns dias.
“eu sei, amigo. ainda não descobri como fazer voltar ao normal. e eu também não sei o que quíron quer comigo.” esclareceu, se levantando e oferecendo a mão para o menino para que pudessem sair dali juntos.
“você não sabe de nada.” elliot debochou com uma risada, acabando por arrancar uma de elói também. “eu vou brincar de novo com os patos, mas boa sorte. depois você tem que me contar o que ele queria, tá bom?” o pequeno pediu, erguendo a mãozinha direita com o mindinho esticado para o irmão que não teve escolha a não ser prometer, enrolando os dedos juntos. satisfeito com a promessa, elliot saiu apressado de volta para o lago.
elói, por sua vez, seguiu o caminho para a casa grande. raramente o centauro lhe chamava para algo, apesar de sua proximidade com o chalé de Hermes, não tinha feito nenhuma pegadinha recentemente netwo não fazia sentido ser repreendido. repassava a mente todas as suas ações para ver se havia algo fora do comum que esqueceu e merecia bronca… mas nada vinha. o trajeto todo foi apreensivo, mas ao atingir o local e receber um sorriso gentil do diretor, relaxou um pouco.
“vejo que elliot dessa vez não se desviou da missão.” quíron brincou pela rapidez que o filho de afrodite tinha chegado ali, as crianças costumavam se distrair com facilidade e às vezes os recados atrasavam um pouco. “venha, entre, tenho um pedido para fazer.” elói não hesitou em aceitar o convite, entrando no local conhecido. o centauro ocupou a cadeira à mesa de escritório que tinha no canto da sala bem debaixo da cabeça de leopardo; o semideus acabou por ocupar a cadeira à frente dele, a perna mexendo nervosamente. “tenho uma missão para você.” apenas aquela palavra já era o suficiente para lhe fazer congelar, a tensão sendo tão visível que quíron rapidamente continuou. “aqui dentro, maxime. uma missão interna.” as palavras serviram para lhe tranquilizar um pouco mas não teve tempo de perguntar algo porque logo ele continuava. “preciso que colete informações sobre a fenda, que tipo de rochas formam a parte interna, fotos, tudo o que você puder coletar sem descer muito profundo.”
talvez não devesse ter se acalmado antes porque a tal missão era tão ruim quanto qualquer outra que tivesse que sair. a fenda era um grande mistério no acampamento, as vozes que ouviram no primeiro dia foram perturbadoras. “isso… é uma boa ideia? pra eu entrar tem que tirar a barreira, não? isso é seguro?” perguntou com uma certa apreensão.
“Não será retirada por completo. você pode pedir que abram apenas uma parte para que entre. minha única recomendação é que você não deve descer sozinho.” informou. O centauro mexeu na mesa e tirou da gaveta um caderno, fazendo-o deslizar na superfície até o rapaz. “escreva aqui seus progressos e me entregue quando terminar as análises. precisamos disso com urgência, maxime. você conhece o laboratório da arena, sabe lidar com a tecnologia para estudos então é nossa melhor opção. posso contar com você? ” a seriedade no tom alheio fez com que automaticamente concordasse com a cabeça em um movimento positivo. conhecia uma ordem quando ouvia e o tom dele não deixava dúvidas: aquela era uma.
ao invés de ganhar uma reclamação e uma punição saia dali da casa grande com um caderno em mãos e uma missão que não sabia se era segura para ser cumprida já que não perdeu o fato do centauro ignorar sua pergunta sobre isso… mas que pelo visto não tinha escolhas a não ser obedecer.
⭑🍇ʿ dentro de um saquinho transparente escondido em sua jaqueta, indra procurava alguma cria de hades que não fosse petrus. ainda não tinha conhecido todos exceto willhelmina, mas a garota em questão não estava canto algum então lhe resta a perambular pelo acampamento em busca dos rostos que via ocupando as cadeiras da mesa treze no pavilhão. foi um golpe de sorte encontrar uma delas ali no meio do caminho, rapidamente o rapaz se apressou, se aproximando sem muita cautela ou hesitação; apesar dos alertas de asher, não via aqueles semideuses como diferentes dos outros. “ ━━━ ei, você! desculpa incomodar mas acho que você pode me ajudar com algo. é filha de hades, certo? então vocês sabem sobre essas coisas de cães infernais e tal? consegue... sabe, identificar coisas relacionadas a eles?"
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ミ ♡ ˊˎ˖ ࣪ ʿ a mensagem que mandou para veronica foi direta e objetiva. fazia alguns meses que não usava o número alheio então provavelmente a semideusa tinha entendido sua urgência. para facilitar a situação, elói tinha uma ideia que talvez pudesse lhe ajudar a entrar e sair com mais facilidade da fenda, ou pelo menos que fosse mais seguro. não sabia se ia funcionar, mas tinha que arriscar. mexia os pés dentro d'água, tinha se sentado à beira da cachoeira bem perto de onde a fenda começava. não podia descer por ali pois o buraco não era tão espaçoso como no meio do bosque, por exemplo; mas estavam perto o suficiente para que conseguissem mexer com a barreira, se fosse preciso. os passos se aproximando denunciaram a presença da garota e o filho de afrodite bateu no espaço ao seu lado. “ ━━━ acho melhor você se sentar pra ouvir o que está acontecendo. não é meu momento mais esperto ou sortudo." alertou logo porque para si, descer até um lugar escuro que tinha vozes falando coisas ruins não era lá o movimento mais inteligente.
ミ ♡ ˊˎ˖ ࣪ ʿ ideias ruins era o que elói parecia colecionar nos últimos tempos. dessa vez a culpa era totalmente de quíron, afinal, o semideus estava muito bem quietinho em seu próprio lugar sem se envolver com as questões mais problemáticas do acampamento. dar suas aulas, fazer e vender poções, arrumar o chalé e cuidar das crianças. pronto. suas tarefas estavam perfeitas. mas é claro que sua sorte não iria durar tanto assim. o cabelo preto deveria atrair uma tremenda onda de azar porque desde que ficou daquele jeito, nada parecia dar certo. tinha duas mochilas ao seus pés e esperava aslihan no meio do bosque onde a fenda tinha uma abertura mais espaçosa; se havia iria ter que descer com alguém que fosse com uma pessoa que conhecia os feitos dos filhos de hades. e quem melhor do que uma deles? “ ━━━ você está atrasada." dissera olhando para o relógio que passava dois minutos da hora marcada. “ ━━━ mas tudo bem tem mesmo certeza que quer fazer isso? eu trouxe tudo, mas eu vou entender se quiser desistir."