Vantagens e cuidados ao edificar com Estruturas Metálicas
As edificações executadas com estruturas de aço ou mistas, vêm ganhando espaço na construção civil. Dentre os principais motivos para este fenômeno, se destaca a possibilidade de um processo executivo com mais controle, qualidade e rapidez. Situações, que podem influenciar positivamente no custo final da obra, garantindo viabilidade técnica e econômica na utilização de estruturas metálicas, se comparado aos métodos convencionais.
Entretanto, nem sempre estas regras se aplicam, e cada situação deve ser analisada e ponderada de acordo com as expectativas do mercado, do usuário e da construtora.
Como em qualquer construção, desde as que possuem níveis de exigência mais simples, até mesmo as que apresentam elevado grau de complexidade. As equipes de projetos, planejamento e processos devem estar à frente, para garantir a execução de bons escopos, definição de metas e métricas. Bem como, estudarem as viabilidades de prazo e custos (diretos e indiretos) na utilização de determinados materiais ou técnicas construtivas.
Considerando a viabilidade e diferenças entre as estruturas em concreto armado e estruturas de aço. Alguns pontos de atenção que devem ser considerados pelo projetista no momento da escolha. Pois algumas características são intrínsecas das estruturas metálicas, tais como: baixa resistência ao fogo e corrosão, necessidade de pessoas e mão de obra especializadas e capacitadas.
Das características acima, falaremos de uma das mais importantes, que é a proteção contra incêndio. Estruturas metálicas expostas a incêndio, têm sua resistência mecânica e rigidez dos elementos estruturais comprometidos. Pois, todos os componentes de uma construção encontram-se ligados rigidamente, e ao ser submetido a um aquecimento em alguma parte deste edifício, ocorrem as dilatações térmicas, que por sua vez serão restringidas devido a estas ligações. Toda a estrutura terá acréscimo de tensão, esgotando sua capacidade resistente com o passar do tempo. Fazendo com que entre em colapso parcialmente ou em sua totalidade. Pode ocorrer até mesmo que os elementos mais distantes da situação de incêndio, sejam os primeiros a entrar em colapso, devido as tensões causadas pelas dilatações na origem do aquecimento².
Hoje, depois de muitos estudos, sabe-se que os materiais estruturais devem ser projetados e protegidos levando-se em conta a redução da resistência a elevadas temperaturas. Os métodos de proteção garantem a segurança estrutural, impedindo que a estrutural entre em colapso, buscando garantir a estabilidade, estanqueidade e isolamento da estrutura, tentativa de confinamento do incêndio no local de origem. Possibilitando a evacuação das pessoas para um local seguro, além de garantir a integridade da estrutura, de forma que haja tempo hábil para que o incêndio seja combatido.²
Para a devido dimensionamento, deve-se seguir o procedimento de determinação do TRRF (Tempo Requerido de Resistência ao Fogo). Para valores baixos de TRRF (da ordem de 20 minutos ou menos), a própria estrutura, consegue resistir sem a necessidade de proteção especifica contra chamas. Apenas para valores acima desta indicação, é que se tem a necessidade de tratamento com algum tipo de proteção isolante ou retardante. O TRRF, trata-se de uma cobrança em relação ao tempo de resistência. Ele varia de acordo com o tipo de ocupação, altura e com os tipos de proteção existentes do edifício. É estabelecido levando em consideração os julgamentos e necessidades de cada sociedade e varia em cada país. Se o tempo de resistência solicitado for grande, a temperatura que a estrutura terá que suportar será diretamente proporcional. Em caso de incêndio, independentemente da temperatura que alcançar, a estrutura deve aguentar o tempo mínimo especificado de acordo com a norma vigente.³
Portanto, os responsáveis pelo projeto devem conter um vasto conhecimento e domínio das normas, verificando se a construção exige inclusão de métodos de proteção. Pois existem edificações que não necessitam da comprovação de resistência ao fogo, havendo algumas exceções para o caso de isenção¹. Através dessa análise, será possível desenvolver uma sequência de procedimentos a serem adotados para um melhor resultado, visando sempre minimizar riscos. E diante disso, entende-se os motivos para que a mão de obra executora seja altamente capacitada.
Conclui-se que investir nos recursos humanos especialistas no assunto, acarretam em serviço com maior qualidade, controle e tempo de execução. Porém, pode influenciar diretamente em custos mais elevados que em relação ao concreto armado, e deixar o projeto inviável economicamente.
Autor: Engª Nathali Nunes