Anorexia
Sempre quis morrer limpa,
doída, sentida, sofrida,
Sempre quis partir linda,
fina e delicada, magra e modelada
Minha escolha de enxergar
Comigo, está prestes a acabar
E quando terminar de decidir estará claro
Que o preço que se paga pela beleza é caro,
Fruto de um mito de criação
Ou um rito de manipulação,
De amar o que não me sacia,
De odiar o que não se entendia
E quando o enjoo for o suficiente?
Para acabar com hábitos recorrentes,
Regurgitar palavras que me satisfaçam a mágoa,
Compara a rima com o sabor da água,
Contar os versos como quem tem restrição,
Matar de dentro para fora o corpo que um dia já foi livre de alienação
Antes
De me permitir viver a guerra
Além do que é morrer e matar,
Viver fora mais que comentários irrelevantes
O agora era para sempre a sensação de pisar na terra
E sentir os pulmões se encherem de ar.











