Durante a minha vida eu adquiri alguns hábitos, uns que me foram bons, outros que nem tanto, e estes em especial tive uma pequena dor de cabeça até aprender a bloqueá-los.
Pelas manhãs, por exemplo, adquiri o hábito de tomar um café preto e forte, um café que me deixa acordado, em pé, pronto para o combate. Adquiri também o hábito de narrar as minhas aventuras amorosas e psicológicas, aquelas que crio, recrio ou agonizo, me obrigando a sentir para poder criar - Uma certa dose de fanatismo eu diria, um hábito ambíguo que me faz bem e ao mesmo tempo me apunhala as costas.
Durante a minha vida, curta para os mais experientes e vivida para uma criança que observa com admiração cada minimo detalhe que já me passa despercebido por costume, aprendi a procurar certas doses de intensidade, a andar na noite, a buscar diversão e a viver com os ditos malandros, vagabundos - mas nunca me tornei um. Apenas pude admirá-los, estudá-los, esmiunçá-los e invejá-los - sempre pensei: quão livre e simples são suas vidas, esta felicidade me falta.