O CONSUMO HUMANO DE SAL.
Na sociedade contemporânea a presença da construção da auto-identidade tem conferido aos homens autonomia no poder de decisão e escolha, e isto é refletido também na alimentação. Neste contexto torna-se fundamental não apenas orientar, mas promover ações educativas efetivas que perdurem a médio e longo prazo respeitando as vertentes culturais e sócio-ambientais que norteiam a vida do indivíduo.
O sal, além de acentuar o sabor dos alimentos, é utilizado como conservante em industrializados. No organismo humano, auxilia na manutenção do equilíbrio ácido básico, na excitabilidade de músculos, no controle da pressão osmótica e nas sinapses nervosas. Sua carência pode ocasionar desequilíbrios, convulsões, fraqueza e letargia.
Além disso, no Brasil, há uma lei que exige que todo o sal comercializado tenha iodo em sua composição. A legislação sanitária estabelece que o sal adequado para o consumo humano deve conter entre 20 e 60 miligramas de iodo para cada quilograma de sal. Sendo assim, a recomendação diária de sal é suficiente para atender às necessidades de iodo.
Porém, seu consumo excessivo (acima de 6 gramas diários) tem sido associado ao risco de desenvolver Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) como hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, e câncer de estômago, além de insuficiência renal e cardíaca e retinopatia hipertensiva.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a ingestão diária de sal, que deve ser iodado, seja restrita em menos de 5 gramas diários para um indivíduo adulto, isso equivale a uma colher rasa de chá por pessoa. Quimicamente o sal de cozinha é denominado como cloreto de sódio, e 40 por cento do sal correspondem ao sódio, que é o fator de risco.
O sódio atua no nosso organismo controlando quanto de água ficará dentro ou fora das nossas células, circulando pelo nosso sangue, por exemplo. Além disso, é responsável pela entrada e saída de outros nutrientes nas células. O excesso de sódio propicia a retenção líquida aumentando o volume de sangue e, consequentemente, a pressão sanguínea.
A OMS propõe ainda uma Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, para reduzir substancialmente as mortes e doenças em todo o mundo. Entre os planos e políticas dessa estratégia, o sal está entre as substâncias que precisam ser reduzidas na alimentação a fim de prevenir o surgimento de DCNTs.
Entretanto, de acordo com dados do IBGE cada pessoa consome em média 9,6 gramas de sal por dia. Este dado reflete o consumo de sal pela população brasileira desconsiderando os alimentos ingeridos fora de casa. Ou seja, estima-se que o povo brasileiro utilize mais que o dobro do sal recomendado em sua alimentação.
Nesse contexto, torna-se evidente a necessidade de reduzir o consumo de sal. E essa mudança pode ser conquistada através de escolhas inteligentes como:
· Ler os rótulos dos alimentos e optar por alimentos com baixo teor de sódio, sódio reduzido ou mesmo sem sódio;
· Notar que alimentos doces muitas vezes podem conter sódio como conservante;
· Evitar o consumo de alimentos industrializados como salgadinhos, biscoitos, macarrão instantâneo e refeições prontas.
· Evitar alimentos processados como embutidos (salsicha, lingüiça, salame, presunto), sopas prontas e alimentos em conserva;
· A cada dia cortar um pouco a quantidade de sal que adiciona à comida. Em breve você se acostumará a comer menos sal;
· Substituir o sal por ervas e temperos como alho, orégano, cebola, pimentão, gengibre, menta, cominho, louro, salsinha, limão, alecrim, coloral, manjericão, pimenta, salvia, cúrcuma, coentro, cebolinha, tomilho e outros;
· Usar menos caldos como o de carne, e molhos tipo ketchup e de soja;
· Remover o saleiro da mesa.
Além disso, a prática regular de atividades físicas traz diversos ganhos à saúde, e a sudorese também propicia a eliminação de sódio.
Saiba mais buscando informações em órgãos como a Organização Mundial da Saúde, o INMETRO, a ANVISA e o Guia alimentar para a população brasileira promovido pelo Ministério da Saúde.
Veja um vídeo feito por nós sobre o tema:
http://www.youtube.com/watch?v=rZGNTw9nQdI
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Série A. Normas e manuais técnicos. Brasília, 2006. Disponível em:
< http://nutricao.saude.gov.br/guia_conheca.php>. Acesso em: 23 nov. 2010.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Comunicado de Imprensa conjunto da OMS/FAO 32. Roma, abr. 2003. Disponível em:
<http://who.int/nutrition/publications/pressrelease32_pt.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2010.
SANTOS L.A.S. Educação alimentar e nutricional no contexto da promoção de práticas alimentares saudáveis. Rev. Nutr., Campinas, v.18, n.5, p.681-692, set./out.2005.
· WHO. World Health Organization. Global Strategy on Diet, Physical Activity and Health. Geneva, 2004. Disponível em:
< http://www.who.int/dietphysicalactivity/strategy/eb11344/strategy_english_web.pdf> Acesso em: 09 ago. 2010.
· WHO. World Health Organization. Physical status: the use e interpretation of anthropometry. Geneva, 1995.
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