Não sei se tu sabe, mas você entrou na minha vida atropelando estrelas. Entrou com gosto de sol, com uma sensação infinda de luz. E olha como me deixou, mais bagunçado do que já sou. Sua mãe não te ensinou que é feio entrar na vida dos outros sem pedir licença? Nem bateu pra entrar, foi sentando no sofá e abrindo a geladeira. Esse coração-geladeira que guarda mais fome que comida. Saiba que, tá mais na cara que nariz que eu só preciso de ti para ser feliz. Gosto do jeito que olha nos meus olhos, pedindo deles uma confissão. Dando a eles penitências por acreditar no coração. Gosto do teu cheiro de surpresa. Da tua aparência de sol. Pra minha vida que andava tão cheia de mofos e teias-de-aranha, abrir as janelas é sempre bom. Te escrevo pra dizer que perto de ti sou a pessoa mais corajosa do mundo. Posso sentir as minhas asas crescendo, os meus pés flutuando nas nuvens, os meus sorrisos desaguando nas frestas. Essa carta é só pra te dizer que quando quiser, pode aparecer lá em casa. É quase tão aconchegante quanto o seu abraço. É quase mais cheirosa que a curva da tua nuca. E mais, faço o melhor bolo de chocolate do mundo. Mentira. Mas pra você prometo fazer que tudo se torne a melhor coisa do mundo. Porque, quando estou perto de ti, menino-mundo, tenho vontade de conjugar o verbo viver. Na minha cabeceira tem seu livro preferido e um maço de cigarros. Caso você comece a fumar. E se você gosta de dormir no escuro, apago desde já a luz do abajur. Quando chegar, entre de fininho. Tire os sapatos, as meias, as incertezas. Passe uma água no rosto, encare o gosto que há no sentir, e marque no calendário o dia que chegou. Antes de me procurar, deixe uma flor pro são Jorge e peça a ele o meu coração. Fiz um pacto com o Santo Guerreiro, que só devolvo o dragão vivo se ele entregar meu coração em boas mãos. E as suas mãos... ah, elas são muito mais que boas.
Não tenha pressa, mas tenha certeza.
Te espero, sem desespero.
Do já seu,
menino-que-coleciona-corações.








