Julieta querida, meus dedos invadem as molduras amareladas das velhas fotografias, procurando recantos, lambuzando teu rosto impassível de estátua. Julieta querida, ando constrangido diante da frieza dos adolescentes e do modo como se torturam no amor. Logo eu, o zelador do deserto no qual você brincava contrariada; logo eu que cinicamente chamei de fantasia os nossos melhores dias; logo eu que ainda equilibro cálices de veneno; logo eu, logo o Romeu.
(Bilhetinhos inacabados — Parte 1)







