foi só quando olhei para dentro que pude entender a importância dos processos. tem que regar pra crescer, e é preciso paciência pra ver florescer.
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foi só quando olhei para dentro que pude entender a importância dos processos. tem que regar pra crescer, e é preciso paciência pra ver florescer.

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pensou ter ouvido lá de fora alguém que chamava por seu nome, como o som era ainda longe e um tanto indistinto, a moça voltou sua atenção para o que antes fazia. mais uma vez a voz ecoou, diferente de antes, agora trazia consigo aspereza e até um pouco de urgência. soava mais próxima, como se estivesse alojada ao pé da porta. a moça ergueu a cabeça e esperou mais um instante, mas foi só quando a dor convocou derradeira vez que se dispôs a sair. deixou o seu canto quieto e esticou o corpo num gesto que denunciava há quanto tempo permanecia ali, e, quando enfim abriu a porta pôde vê-la: seu corpo era esguio embora demonstrasse força e a encarava como quem aguardava o combate. a menina, por sua vez serena, fechou a porta atrás de si e despretensiosamente virou-se para dar devida atenção à sua conhecida rival. enquanto aproximava-se devagar sua mente desenrolava a estratégia, no entanto era nítido a quem passasse por ali que havia algo em seus olhos que mais parecia fogo, era sutil tanto quanto feroz, como uma labareda que queima devagar e continuamente. a dor, por sua vez, aproximava-se a passos curtos, seu maxilar cerrado indicava a natureza de sua vinda e sua postura rígida ameaçava querer invadir a calmaria da moça que antes repousava serena.
não era segredo que as duas eram velhas conhecidas e todos à volta também sabiam: elas nunca conseguiram se entender. no início a dor a visitava esporadicamente - chegava, batia à porta e esperava pacientemente aquela que a atenderia. como a moça não vinha, ela fazia meia-volta e se ia, sem respostas. depois a dor passou a vir com mais frequência, suas batidas se tornaram mais insistentes até que a moça não pôde mais ignorar. quando abria a porta, no entanto, a indignação de seu peito mal deixava que conversassem. a menina irritadiça bem pensava “que afronta terrível esta dor que bate à minha porta! não sabes que desde a primeira vez que ressoou e não lhe abri, era este o sinal de o quão indesejável me soa a sua companhia?”. depois o tempo passou mais um pouco e a moça aprendeu a fechar as cortinas para prevenir a visitante indesejada. funcionou durante um tempo: a dor vinha, batia incessantemente até que se dava por vencida. mal sabia a pobre que a cada porta fechada que recebia, a amargurada rival só se fortalecia em sua ávida missão. correm boatos de que certa vez, numa noite densa, dessas em que a atmosfera traz mais do que o habitual, enquanto a moça repousava em seu cômodo preferido, ouviu um barulho que parecia vir da entrada da casa - diz-se por aí que a dor arrombou a porta e forçou a sua entrada, tamanha força que vinha acumulando durante esse tempo. a moça, nem é preciso dizer, chorou descontroladamente por horas a fio; relatou depois que a sensação fora como se se perdesse de si mesma. desde então não houve indícios de que se falassem outra vez. até o momento presente.
***
era cômodo esse sentimento de esconder-se, a garota pensava. mas melhor do que ninguém sabia que isto não a levaria a nenhum lugar. tanto que a dor que a encarava agora parecia ainda maior, como se tanto tempo de recusas sem consideração houvessem lhe calejado duramente. deu então o primeiro passo, vacilante, incerta como quem não ousasse pensar no que fazer em seguida. o semblante de sua rival se retesou, pronta a reagir. outro passo ecoou. e outro. e outro. quando se deu por conta a moça havia parado a poucos centímetros de distância, seus olhos encontravam os próprios pés, incapaz de erguer a cabeça. ouvia-se no entanto, a respiração alvoroçada da dor cuja presença se tornara ainda mais angustiante. quando a menina enfim ergueu a cabeça, pôde ver um par de olhos suplicantes que a encaravam como se fizessem uma única pergunta.
- por quê? - os olhos da dor inquiriam, e toda raiva ali presente se desfez num soluço.
quando seus joelhos cederam e a menina encontrou o chão, a sua mente percorreu cada lembrança de todas as vezes em que pensou que a dor viria para assombrá-la. e chorou, porque na verdade tudo o que queria era pedir a sua liberdade.
- por quê?
outra vez a dor quis saber. de olhos fechados absorveu a pergunta sentindo o seu peito como pássaros alvoroçados que pedem voo.
depois de algum tempo, reuniu forças e se colocou de pé, e desta vez, quando se aproximou de sua amargurada visitante, segurou o seu rosto entre as mãos e disse:
- você esteve aqui por muito tempo, dor, e eu não ousei olhar para você. ainda não tenho todas as respostas, mas não irei mais ignorar a sua existência.
enquanto fitava a dor no mais profundo de seus olhos, a moça lhe contou de tudo o que vivera até ali e de coisas que fizeram seus caminhos se cruzarem: algumas coisas quase não se lembrava mais, mas ainda feriam como um corte recém aberto. lágrimas quentes caíram de seu rosto durante o que pareceu ser muito tempo, e, estava claro para ambas que aquele não seria o seu último encontro, porém era o primeiro que dava para um novo caminho. o que mudou, constatou, eram as flores que nasciam do lado de dentro agora.
aquele dia ficou conhecido como o dia em que a moça olhou nos olhos da dor e renasceu, e todos à volta puderam constatar: só se cura o que é capaz de perceber.
ƒ.
De verso e alma: esse texto é sobre enfrentar a dor.
você diz a si mesma que ele é gentil, sabe conversar e tem um belo sorriso. que vocês têm diferenças mas podem chegar lá. o tempo passa, as vontades se solidificam cada uma para um norte: você quer isto; ele, aquilo. quem cede? relutam. jugo desigual não fala só sobre religião, mas, se em um jugo igual são dois caminhando em sintonia e equilíbrio, indo na mesma direção e cooperando em direção a um propósito maior, quando é desigual o jugo são dois que correm em direções distintas e por isso só se machucam. existem princípios que são inegociáveis e são eles que nos fundamentam naquilo que acreditamos, e, quando a paixão vem, sorrateira que é, às vezes não nos deixa enxergar o quanto esses princípios são importantes. "mas ele é bom, honesto, não me trata mal.." num relacionamento é essencial não somente que ambos falem a mesma língua - e é óbvio que ninguém é exatamente igual a ninguém, mas é preciso que ambos estejam fundamentados sob a mesma luz (Jesus), de maneira que se movam na mesma fé. aquele que crê, dirige a sua vida - ações, comportamentos e palavras - a partir do que acredita, e duas pessoas não podem andar juntas se não tiverem combinado antes (Amós 3:3). não importa o quanto a pessoa em questão pareça boa e te faça bem, se isto compromete o seu relacionamento com Deus, fique com a sua fé e não corrompa os seus princípios. não queira ser encontrada por alguém que não busca o reino de Deus em primeiro lugar. a "pessoa certa" não só te fará sentir agraciada, como dividirá a caminhada contigo a fim de que ambos estejam sempre escondidos no coração de Deus. aí está a plenitude e o verdadeiro felizes para sempre: um casal que busca o Reino de Deus. juntos. (ah, e isso também serve para os rapazes: guardem os seus corações e esperem com paciência, Deus tem algo especial por fazer).
De verso e alma, para Ele.
quando você veio, por deduzir que ficaria um pouco mais fui logo arrumando canto para que pudesse repousar. afastei algumas coisas para lhe ceder espaço e tratei de não fazer todo o meu barulho que era para não lhe irritar. eu sorri, porque quis e também porque quis que me avistasse. e me viu. tirou uma foto minha e a emoldurou em algum lugar. senti-me lisonjeada e querida, e, pensei: “bom seria se este moço me durasse”. organizei as palavras - as adaptei, excluí algumas, aderi a outras. importava que soasse confortável para ti. e nesta de agasalhar confesso que talvez um pouco tenha apertado por aqui, é que que as tuas coisas, quando vieram, anularam um pouco as minhas. mas tudo bem, não é? porque você vai ficar. fica mais um pouco, recordo de pedir-lhe. sem saber, porém, que a ninguém deve-se pedir estas coisas. e você, que talvez por nunca me ouvir de fato, levantou num dia bem cedo e fez as malas, e quando o encontrei no vão da porta de minhas esperanças, apenas disse que não éramos o que parecia haver de ser, que, apesar de eu ser boa, não havia suficiência em nós. eu custei a perceber que partiria sem se despedir, ou, que o meu retrato jamais fora emoldurado em si. mas foi enquanto voltava para o meu lugar e reiterava tudo o que moldei para lhe caber que descobri: bastava a mim me bastar. bastava a mim ouvir o que eu dizia com honestidade. bastava a mim olhar no espelho e constatar que a liberdade me registou em sua memória: eu me despedi de mim porque precisava ser amada, mas descobri que sempre fui casa de meu amor. o próprio.
de verso e alma, “rascunhos sobre ela”.
ouvi os meus passos ecoarem lá trás, quando me virei vi uma menina que andava cambaleando, e, só de olhar diria que ela não sabia bem para onde estava indo. ela sentou e chorou como quem sente os pulmões arderem, um choro descontrolado que mais soava como uma represa que se rompe. ela parecia fraca mas ao mesmo tempo forte, de um jeito que olhos nus não saberiam descrever, mas era como se dela irradiasse uma luz calma que dissesse que tudo ficaria bem. ela permaneceu sentada mais alguns instantes, para então se levantar e firmar o corpo cansado sobre os próprios pés. fitou-me nos olhos e deixou à mostra o que parecia ser coragem, então se dispôs a correr em minha direção. quando ela chegou já não éramos duas, mas uma longa história contada numa existência única. eu vi os traumas de meu passado mas eles já não tinham poder para me derrubar, porque o choro, ainda que tenha durado uma noite inteira cessou pela manhã. eu não sou o reflexo de minhas dores, eu sou a que se levantou e foi adiante. forte, não por por causa da autossuficiência, mas porque o verbo se fez carne. livre, pois os traumas não têm voz onde o Autor da vida ressoou.
De verso e alma, para Ele.

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olha pra você aí, linda e mendigando atenção. inteligente pra caramba mas mal consegue ver um palmo além do nariz, e dessa vez a culpa não é da miopia. forte, mas ingênua ao ponto de anular a si mesma. acha que precisa que aquele cara, que há dias sumiu sem cerimônias, lhe diga o que fazer. ou acredita piamente que está sozinha e precisa dividir a angústia com alguém. e porque está dançando com a insegurança mal vê os sinais que em qualquer outra ocasião seriam óbvios: ele não tá interessado. ele não está na mesma sintonia que você. e a verdade é que não vai haver nenhum cara, por mais bacana seja, capaz de te puxar da beira do precipício. ele pode estar montado num cavalo branco e ainda assim não saberá te salvar se si mesma. isso tudo porque você não consegue se ver. não aguenta o silêncio porque ele te obriga a olhar pra dentro, e você sente, mesmo que de maneira inconsciente, que é mais fácil se distrair do que arrumar a bagunça. mas a verdade é que você é exatamente tudo o que acredita não ser: forte; dona de uma beleza que é só sua e que a torna tão incrível e especial quanto a sua essência; tão autêntica que quando sorri existe algo nesse momento que é apenas seu e alinha tudo ao derredor; esperta ao ponto de revolucionar o óbvio e sagaz o suficiente para tornar o intocável real. se você parasse de se anular - e esta é a maior verdade de todas, seria a primeira a disputar a própria companhia.
você é como um desses fenômenos da natureza: arrebatadores e envolventes. não aja como se fosse uma catástrofe.
De verso e alma.
quando ela sorri é bom de se ver, tem calma e leveza como o vento que carrega as folhas soltas na calçada. e é alegre como uma vibração que te convida a fazer parte. é como quem, apesar de passar por essa mesma vida sofrida, ainda soubesse se divertir de verdade. ela transparece essa coisa boa mesmo sem perceber. é dela, é simples, é agradável de se ver. é Deus. tem paz de Deus no sorriso daquela moça, eu sei que tem.
De verso e alma, Rascunhos sobre "ela"
eu sei que você olha para fotos de mulheres com um corpo escultural e se sente frustrada porque você mal consegue fazer uma dieta. e sei que depois de ter saído com os amigos para lanchar acaba se sentindo mal porque comeu ‘além da conta’ e só consegue pensar que isso vai tudo parar nos seus quadris. sei que está insatisfeita com a sua cintura, com as gordurinhas a mais na barriga, braços, pernas. que a sua pele te frustra e seu cabelo parece indomável e se arma ainda mais antes de sair. sei que acha o seu rosto feio e tira umas vinte selfies - ou mais - até achar que uma ficou mais ou menos decente. e mesmo assim, se olhar muito pra ela, acaba desistindo de publicar. sei que você já deixou de comprar aquela roupa maravilhosa que viu na loja porque quando experimentou ela destacou partes do seu corpo que você não gosta. já deixou de sair porque não estava se sentindo nada bonita. já riu quando alguém fez alguma piadinha de mal gosto baseada em sua aparência, mas por dentro sangrou. já se sentiu a desajeitada/esquisita/desinteressante entre as suas amigas, e, mesmo sem querer admitir sente inveja delas por parecerem sempre tão mais incríveis e seguras de si. e sei que sempre pensou que os caras legais nunca olhariam pra você. e que ouviu coisas a respeito de si própria que te diminuíram, que te agrediram. e tudo isso te fez ser menos confiante. e até se trancar em seu próprio mundo.
mas a verdade, a dolorida e mais pura verdade, é que você que já deixou de viver tanta coisa até aqui, só por se comparar com uma realidade que sequer é sincera. o que não te contaram, é que se você olhasse para si mesma com um pouco mais de carinho e se se despisse de toda essa “fórmula” de beleza que de tão inalcançável e utópica se torna doentia, você entenderia que as suas particularidades são o que te tornam tão especial. sabe, não é problema nenhum ser você mesma, como tanto te fizeram acreditar. vou repetir: não tem nada de errado em ser quem você é, pelo contrário, você é um ser maravilhoso de mais para perder tempo tentando ser os outros. não é porque a sua cintura não mede os mesmos centímetros que a daquela outra garota que você é menos bonita, entende isso? desfrute daquilo que é só seu, sua beleza é única e precisa ser descoberta cuidada como tal. o seu corpo é seu e precisa ser amado. você precisa se amar. para isto, quando olhar para si mesma pare de tentar enxergar outras pessoas, pare de se submeter a padrões que te oprimem como se eles fossem a única verdade absoluta, porque eles não são. abrace a si mesma, respeite-se, cuide-se. sinta-se em casa sendo quem você é. e quando for pra mudar algo, faça isso por si e não para simplesmente fazer parte de um molde. eu gostaria que você fosse mais gentil consigo mesma e parasse de se comparar enquanto há uma identidade a ser expressa que é só sua. pare de se torturar tanto sem ao menos dar a chance de conhecer a si mesma. espero que de agora em diante consiga realmente entender o quanto você é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a, e que isto te dê mais confiança. agora vá e vire esse mundo do avesso fazendo-se saber o mulherão que você é e que antes foi descoberto na frente do espelho. vá, garota, consciente de o quanto você é incrível. porque você é realmente incrível.
De verso e alma, em: “Rascunhos sobre ‘ela’”.