eu nunca reconheci tua presença até você me doer como nunca
acho que te guardei tão bem guardado que nem sequer poderia dizer que passei por cima de ti, eu realmente não o notava
mas ela tocou em pontos que te fizeram correr em disparada e se mostrar: fraco, ferido, necessitado de cuidado e de luz solar
precisando que eu o assuma pra só então aprender a te cuidar
mas teu nome é amargo nos meus lábios, ainda assim
você dói, eu te reconheço, mas meu primeiro instinto é te negar
como pode eu, que nunca fui a pessoa orgulhosa, apresentar um ego tão infantil e tão frágil?
um pedacinho tão facilmente atingido?
e meu Deus, como você está ferido
anos encolhido e recebendo as facadas que eu te dava e nem via
o que eu faço com você agora?
te vejo um bichinho acuado, com espinhos por todos os cantos e os olhos cheios d'água
tu me pede socorro e eu me sinto de mãos atadas
mas falamos duas línguas distintas e no nosso não nos entender, bradamos alto palavras indistintas
sigo perdida sem entender a sua resposta