Estava perto de amanhecer, luzes azuis e vermelhas iluminavam a praia, a polÃcia havia chego meia-hora após de várias ligações feitas por quem estava ali.
Encolhidas uma contras as outras, dentro de um coberta fina, haviam três garotas com expressões vazias. Ouvia-se um policial murmurando que ninguem poderia ir embora.
O grupo da fogueira estava nas pedras, agora sem mais sorrisos, sem mais brincadeiras. Todos vazios.
O cheiro de água salgada entrava em suas narinas, agora, com um cheiro a mais. O ar tinha gosto de sangue, e as estrelas pareciam maiores.
Houve um acidente, alguém morreu.
E um corpo, coberto por um pano, descansava na areia.
O pano, branco, estava manchado.
A areia, branca, estava marcada.
Mas o mar não parava, em sua dança perpétua, assistia aquela cena com uma magnitude que não existia. Ninguém ousava conversar, ninguém conseguia falar nada. Nem mesmo olhar nos olhos uns dos outros.
Porque havia ali, um corpo sem vida.
E isso era um peso maior do que as pessoas costumam levar.
Não é como se você estivesse vendo uma pessoa caindo no meio de uma apresentção de dança e caisse na gargalhada, ou quando algum amigo tinha sua roupa levada pelo mar, e você tivesse zoado ele por um mês inteiro. Essas culpas são fracas, leves e fáceis de serem relevadas.
Mas a morte, ah, essa merecia um respeito maior.
Com areia entre meus dedos, e o céu laranjado, eu entendi o verdadeiro sentido daquela reunião silenciosa.
A morte assusta.
E basta estar vivo para morrer.