A Literatura é ligada à sociedade de forma que produz e reproduz seus valores sociais. Dessa forma, pode-se dizer que os romances também atuam assim e, ao levantar questões, nos ajudam a entender o modo como pensamos sobre nossa sociedade e a sermos mais críticos a ela.
Ultimamente, tem sido comum nos depararmos com os termos utopia e distopia. Mas exatamente o que eles significam? O termo utopia foi usado pela primeira vez pelo escritor britânico Thomas More e serviu como título do seu livro escrito por volta de 1516, o termo refere-se a uma ideia de civilização e de realidade futuras perfeitas, imaginárias e ideais, e, portanto, inatingíveis. Já a distopia é o contrário da utopia: É uma sociedade e realidade futurísticas negativas e marcadas por estados totalitários, autoritários e opressivos.
A literatura, assim como outras formas de arte, tem uma relação estreita com a sociedade. Sendo assim, são comum livros de distopia que servem como crítica e alerta para a sociedade e, que por meio de muita imaginação, nos fazem refletir e ativar nosso senso crítico!
Confira 5 livros de distopia estrangeiros
Conheça os 5 livros de distopia estrangeiros que te transportarão, por meio de histórias sombrias ou com muita ação, para um mundo apocalíptico, autoritário, totalitário e com personagens revolucionários que despertarão sua imaginação e te farão pensar muito sobre:
1984 , de George Orwell
É impossível não iniciar a lista com esse clássico conhecidíssimo do escritor nascido na Índia Britânica, George Orwell. Sendo um dos romances mais influentes do século XX e escrito logo após a Segunda Guerra Mundial, 1984 apresenta um cenário futurista de opressão ambientado em Londres que tem como personagem central Winston, funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade, que, mesmo trabalhando para o Estado, repudia o sistema vigente do Grande Irmão, a maior representação literária de um poder cruel, abusivo e totalitário.
Lembre-se que o lema do Partido é: “Guerra é paz, Liberdade é escravidão e Ignorância é força.”. Portanto, ao ouvir isso ou algo similar talvez sua liberdade esteja com os dias contados.
O Conto da Aia, de Margareth Atwood
Não há muita esperança em O Conto da Aia. O livro, publicado pela primeira vez em 1985, ganhou os holofotes após a aclamada série de mesmo nome e vem sido lido e discutido por muitos. Em um futuro distópico no qual não há mais Estados Unidos, e sim a nação de Gilead, na qual os princípios impostos para reger a nação são baseados na fé e na subserviência para que Deus tenha benevolência para com os humanos e salve o mundo da catástrofe que o atingiu: poucas mulheres conseguem engravidar e ter filhos. Nesse mundo, as mulheres férteis se tornam bens do governo e são colocadas nas casas das elites com o objetivo de darem um filho a esses casais.
Acompanhamos ao longo da história a aia Offred, que destituída de seu nome e com sua individualidade reprimida, precisa aprender a sobreviver nesse mundo em que as mulheres mais parecem objetos pertencentes às casas do que pessoas.
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”: É com essa epígrafe provocadora que se inicia esse romance do escritor português, José Saramago, publicado em 1995. Ensaio sobre a Cegueira narra sobre uma epidemia que chega sem explicação a um local indefinido e deixa quase todas as pessoas cegas. Essa cegueira branca causa um colapso nas estruturas econômicas e sociais, e faz com que o governo mande todas as pessoas que estão cegas para um manicômio como forma de contenção da doença. Dentre as personagens sem nomes, há a mulher do médico que, mesmo sem contrair a cegueira branca, se infiltra no manicômio e consegue enxergar todas as barbáries, como explorações morais e sexuais, que acontecem no local, pois o manicômio é abandonado pelo governo e os internos estabelecem uma espécie de governo próprio no qual os mais desumanos assumem o poder central e passam a impor condições terríveis aos demais doentes em troca da entrega de suprimentos.
Em tempos de pandemia, a leitura e busca por Ensaio sobre a Cegueira aumentaram, o que faz com que se espere que as pessoas compreendam que a cegueira dos olhos presente no livro remete metaforicamente à cegueira da razão, essa que acomete a todos em uma sociedade distópica.
Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin
Em Os Despossuídos, escrito em 1974 pela escritora Ursula K. Le Guin, vemos uma distopia que pode ser associada à história do século XX, que é marcada pela rápida formação de um mundo polarizado devido às diferenças ideológicas. Este romance futurista está centrado em Shevek, um físico que tenta revolucionar a ciência com uma poderosa descoberta, e nas sociedades opostas, mas que são contínuas uma da outra, de Urras e Anarre. O poder nunca se esvai, e a autora nos mostra as inúmeras formas nas quais ele persiste.
A Trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins
Os livros da trilogia de Suzanne Collins foram outros que ganharam maior visibilidade depois de uma produção cinematográfica. O primeiro livro, que foi publicado em 2008, narra em primeira pessoa a história que ganhou o coração de muitos jovens ao redor do mundo: a jornada e a vida de Katniss Everdeen, de sua família, de seus amigos, de seu distrito e de toda Panem, e como essas vidas mudaram após a jovem participar dos Jogos Vorazes, uma competição que acontece anualmente e que reúne uma dupla de jovens de todos os 12 distritos para lutarem até a morte em uma arena até sobrar apenas um vitorioso. E esses Jogos acontecem apenas para entreter a população da Capital, a metrópole do país que é tecnologicamente avançada, e demonstrar o poder supremo e autoritário do presidente Snow.
Ao longo das mais de mil páginas, formadas por Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança, acompanhamos a evolução de Everdeen que se transforma de uma simples garota pobre de 16 anos do Distrito 12 em o símbolo de toda uma revolução.
E você, gosta de livros de distopia? Quais os livros de distopia estrangeiros você recomendaria e adicionaria nessa lista? Conta para a gente e não se esqueça de compartilhar esse texto nas suas redes sociais!
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