O vazio que enche [...]
Me deito e me abraço.
Me deito e me faço cafuné.
Me deito e me deixo levar.
Me deito vazia de mim e cheia de tanto...
Me deito querendo não deitar, mas o meu corpo precisa descansar.
Por isso me deito;
Acordo querendo não acordar, normalmente quando sonhei contigo.
Todos os dias eu me pergunto, todos os dias vivo, todos os dias existo, todos os dias me afogo em mim tentando encontrar você.
Que saudade dos infernos. Que falta absurda.
Que vontade de ti, e que vontade de te culpar por me deixar sozinha aqui.
Se, eu não te amasse tanto, talvez eu pudesse te culpar.
Mas só me irrito por sentir esse tormento infinito e diário, que sua ausência me trás.
Meu cabelo reclama do meu carinho, e meu coração reconhece que o seu abraço não existe mais. Minhas tatuagens me fizeram perder o medo da agulha tocando minha pele. E se quando vou ao médico tomar injeção, eu choro, não é pela dor. A dor na agulha me acalma. Mas a dor da saudade que minha alma sente quando percebe que você não estará em casa pra me receber frágil e manhosa, me destrói e me faz sentir dor.
A agulha é a desculpa, a dor é por sentir a sua ausência me pertencendo mais do que me deixando. E o vazio me abraçando com lembranças de quão mãe, tu era.
Nada pode me destruir, e só entendi isso, quando percebi que metade do que eu era morreu junto com você. A sobrevivente que existe em mim, é uma guerreira dos infernos. O diabo da saudade não mata o corpo, tortura a alma, e os danos são piores.
Nem mesmo perder a vida poderia causar tanta dor, como perder uma mãe.













