Aí está a imagem de uma mulher guerreira, trabalhadora, religiosa, humilde, cheia de histórias e humana no sentido mais expresso da palavra. Uma mulher que nega a beleza da própria idade, que rir timidamente, que não gosta de fotos e que diz não se importar com lembranças após sua morte. - Pra quê lembrar? Morreu, morreu! Vive numa casinha simples cujos quadros nas paredes revelam sua crença, as folhinhas de calendários antigos pendurados comprovam a fugacidade do tempo, dois relógios que não param, alguns lembretes espalhados pelo lugar para quando a memória lhes falhar, umas cruzes, santinhos dos amigos que já atravessaram para o outro plano e mais alguns suvenirs completam aquele cantinho da cidade, naquele beco onde já viveu Zé Pretinho, nos fundos do antigo casarão de KK Duarte. É ali que reside a mulher que foi batizada com o nome que veio daqueles antigos almanaques, prática muito comum na sua época. Dona Naziozene, nossa querida Nazu, completa hoje mais uma primavera no viridário da vida. Agora são 90 anos de venustidade, mesmo que ela se ache feia, suas rugas, sua voz e seu olhar nos dizem o contrário, pois, como versou o jovem francês Brasillach, "cada idade tem a sua beleza". E ela é linda do jeito que é. Parabéns, Dona Nazu! Desejo-lhe mais luz, mais paz e mais sabedoria. Que venha os 100 anos! #lucianolugori #donanazu #90anos #paisagemhumana #desimportante https://www.instagram.com/p/B_-YLI4A08W/?igshid=1ke7cv6we1dj1