Hoje revirando a bagunça do meu guarda-roupas encontrei o aquele perfume que eu usava quando te conheci e quando estĂĄvamos juntos naquele mĂȘs de abril que pra mim foi uma vida. Coloquei um pouco no pulso e respirei o passado, respirei aqueles olhares envergonhados que demos naquela sala da escola onde a minha turma juntou com a sua por que o meu professor faltou e tivemos que juntar com o professor que estava na sua sala e assistimos uma aula de filosofia que sinceramente foi um saco - tanto que sempre que eu podia dava uma olhada pra trĂĄs pra te ver e era tĂŁo por que vocĂȘ estava me olhando - respirei esse nosso primeiro momento que "nos conhecemos" mesmo com os olhares fujĂ”es, sem jeito e envergonhados. Respirei a espera de ouvir qual era o seu nome pra depois ir te procurar no facebook e descobrir um pouco mais daquele garoto que tinha me hipnotizado naqueles curtos e longos 50 minutos de aula. Respirei vocĂȘ esperando ouvir meu nome naquela chamada que demorava tanto pra chegar no "L" (tanto pra mim quanto pra vocĂȘ). Respirei nossa primeira palavra trocada, a nossa primeira brincadeira infantil, nosso primeiro doce compartilhado e aquele primeiro sorriso educado que demos naquela mesma sala, sĂł que dessa vez numa aula de biologia Ă tarde. Respirei o nosso amigo em comum falando que vocĂȘ tinha perguntado por mim no dia seguinte daquela aula de filosofia (que foi um saco, sĂł pra nĂŁo esquecer!) e eu tinha ficado toda boba por isso, mas nĂŁo era minha intenção acontecer nada por que sempre fui tĂmida pra essas coisas. Respirei a nossa primeira conversa na internet, junto do seu primeiro "oi" lĂĄ, junto do seu esforço pra puxar papo comigo e tambĂ©m aquela tarde de 1Âș de abril que ficamos juntos, junto dessa tarde que veio o nosso primeiro abraço depois daqueles dois abraços fugidos e consequentemente fracassado. Respirei o nosso primeiro beijo, que quando o meu perfume se juntou com o seu virou outro, virou o nosso perfume, o nosso cheiro. Respirei nosso primeiro beijo na frente de todo mundo, sem medo algum de assumir o quanto estĂĄvamos felizes (ou pelo menos o quanto eu estava feliz). Respirei aquele dia que passamos tentando tirar fotos legais pra guardar quando estivĂ©ssemos longe do outro e respirei a mordida que vocĂȘ me deu nesse mesmo dia e eu fiquei brava contigo, mas enquanto a marca ainda morava em mim eu ficava olhando para ela e lembrando de vocĂȘ e o quĂŁo aquele momento foi engraçado. Respirei as duas primeiras mĂșsicas que fiz pra vocĂȘ (e vocĂȘ nĂŁo sabia que eram para vocĂȘ, mas mesmo sem saber vocĂȘ sabia!) e vocĂȘ as leu e deixou aquele bilhete no meu caderno de mĂșsicas "VocĂȘ me ama, leite qualhado. Assinado: (seu nome)". Respirei o nosso segundo beijo, que foi depois que vocĂȘ tirou sarro com a minha cara e eu te bati e vocĂȘ segurou meu braço, me encostou na parece e ele aconteceu, tĂmido, vergonhoso, no qual ficamos vermelhos mas depois começamos a tirar sarro com o outro, coisa que sabĂamos muito bem fazer, e nĂŁo fazĂamos questĂŁo de parar de fazer. Respirei finalmente o dia que eu vi que estava acabando, que foi aquele dia que vocĂȘ voltou depois de dois ou trĂȘs dias em casa doente e me deu aquele abraço fraco, sem nenhum sorriso no rosto e depois disso saiu todo frio, tudo perto do nosso primeiro mĂȘs juntos. Respirei a dor do dia que acabou e respirei as lĂĄgrimas que nĂŁo escondo atĂ© hoje. Mas finalmente quando terminei de respirar o cheiro do perfume no meu pulso olhei para a minha direita e vi o quanto foi bom ter trocado de perfume.