CapĂtulo 10 â Correr ou correr
 Percebi que Roberto estava com ele. Eu ainda estava meio em dĂșvida se faria aquilo ou nĂŁo, mas os dois apontaram para a porta, onde eu pude enxergar uma enorme e vermelha Ferrari. Seria aquilo uma alucinação? Dei uma piscada afirmativa para os dois que foram em direção ao carro. Meus olhos traçaram rapidamente uma rota de fuga entre todos. Peguei o dinheiro em fração de segundos e me esgueirei entre eles que estavam bĂȘbados demais para terem muitos reflexos. Quando eu estava quase passando pela porta, um deles me segurou pela camiseta, corri com uma força que nem sabia que tinha o deixando com um pedaço de tecido de algodĂŁo rosa bebĂȘ da minha blusa entre os dedos.
               Pulei rapidamente para o banco de trås e o rapaz de boné afundou o pé no acelerador. Roberto que estava sentado no banco da frente virou-se para trås perguntando:
- Tudo bem com vocĂȘ? â Ele me analisou e encontrou o estrago em minha blusa.
- Tudo, tudjenhoo â Respondi. Minha lĂngua nĂŁo me obedecia mais depois de tanta bebida.
- Devo dizer que vocĂȘ me ssssurpreendeu! Nem eu corrrro desse jeito! â O rapaz disse com um sorriso convencido e carregando nos âSâ e âRâ, depois de todos aqueles copos ele tambĂ©m estava mais pra lĂĄ do que pra cĂĄ.
- Eu nem me espantei, ela sempre vencia as corridas em primeiro lugar no colĂ©gio. Ganhava atĂ© dos meninos mais velhos! â Roberto disse orgulhoso.
- Mass afinal, quem Ă© vocccĂȘ? E o que essstava fazendo naquele lugar sse tem um carrĂŁo desssses? â Eu estava tĂŁo bĂȘbada que nem sabia se estava olhando para o cara certo, afinal ele estava triplicado aos meus olhos.
- Quem dissse que essse carro Ă© meu? AlguĂ©m naquele barr vai sentirr falta desssa belezinha â Ele disse fechando os olhos e beijando o volante.
- VOCĂ ROUBOU ESSE CARRO DE ALGUĂM DE LĂ? âGritei agudamente, fazendo com que ele acordasse.Ah, que maravilha, num carro roubado, guiado por um bĂȘbado.Pensei.
- Prazerrr, meu nome Ă© Jussssstin. â Ele deu um sorriso abaixando os Ăłculos escuros, e estendendo a mĂŁo com luvas pretas que nĂŁo cobriam os dedos para mim.
- MĂŁos no volante,garotcheenho. â Falei tentando ser responsĂĄvel, mas era impossĂvel se levada ĂĄ sĂ©rio com minha voz do jeito que estava. Ele apenas riu.
- Ih! â Roberto arregalou os olhos olhando para trĂĄs. Uma frota de motos e carros nos perseguia. â Acho que vocĂȘ vai ter que acelerar um pouquinho mais Justin.











