QUEM É DANIEL MARCO? (Parte 1)
Por Daniel Marco | [email protected]
Nasci em Paulista, Pernambuco, sessenta e quatro dias após a final da Copa do Mundo de 1978, na Argentina. Desde que me entendo por gente, gosto de futebol.
Minha primeira lembrança de contato com o jogo, vem dos meus seis anos de idade, quando ganhei um campo de futebol de botão e os times do Cruzeiro e do Atlético Mineiro. Eram botões lindos, de acrílico. Depois vieram Seleção Brasileira, Flamengo e Vasco da Gama.
Minha primeira Copa do Mundo, foi a do México, em 1986. Me lembro do beijo na bola dado por Platini, antes de mandar a bola nos Champs-Élysées, do pênalti do Zico, meu herói futebolístico da infância; e do choro do meu tio, imóvel diante da eliminação para os franceses, após as grandes penalidades.
Graças à profissão de meu pai, publicitário, e de meu tio, artista plástico e professor, tive acesso não somente aos livros e aos discos deles, mas, também, à prancheta, ao papel e às canetinhas, como também aos lápis de cor. Isso me permitiu criar os meus próprios times de botão e fazer os que ainda não tinha.
O futebol me foi didático. Adorava pegar emprestado o atlas geográfico na biblioteca da escola, e procurar os países que disputaram as Copas do Mundo. Memorizava as capitais e decalcava os mapas. Adorava as bandeiras.
O São Paulo de 1986 me despertou a paixão clubística. Adorava ver Müller, Silas e Careca. Achava o Müller parecido com o Michael Jackson. Viagem de criança.
O primeiro título do São Paulo que me lembro foi o Paulista de 1989, contra o São José. Mesmo são paulino, gostava dos outros times. Comemorei o título Brasileiro do Bahia, em 1988. "Bobô, não é bobo não".
Jogava futebol de botão na sala da casa da minha madrinha, sob os olhos do meu padrinho, que me achava um perna-de-pau nas peladas na rua. Meu padrinho, o grande responsável por me apresentar Pelé, Ademir da Guia, Rivellino, Julinho Botelho, entre tantos outros craques do passado.
Adorava ouvir meu tio contando suas histórias de jovem dos anos sessenta e seus testemunhos sobre os Beatles, o Iê-iê-iê, a primeira Coca-Cola e, claro, o Santos de Pelé.
Fiquei mal quando o São Paulo perdeu o Brasileiro de 1990 para o Corinthians. Fui às alturas quando o Corinthians levou de três na primeira final do Paulista de 1991. "Show de Raí no Morumbi", era a manchete de capa do Caderno de Esportes da Folha. Adorava devorar os Cadernos de Esportes dos jornais. Decorava escalações, assistia aos jogos com caneta e papel na mão, para anotar os nomes dos jogadores, técnicos e árbitros dos jogos da tevê.
A Libertadores de 1992 não vi. Morava no Sul de Minas Gerais, na belíssima Cambuquira, onde o sinal da OM não chegava. Sabia dos resultados graças a um colega de escola, que tinha parabólica em casa. Tive de esperar dois dias para ler o jornal com a cobertura da final contra o Newell's Old Boys.
Assisti à final do Mundial Interclubes de 1992 sentado ao pé da cama do meu tio, que me deixou ir dormir tarde naquele dia, quebrando o protocolo da casa. Foi difícil segurar o grito de campeão na hora do segundo gol do Raí, de falta. Raí, aliás, o meu herói futebolístico da pré-adolescência.
[continua...]












