Don't be afraid, kid;
A mulher a esperava. Costas eretas e postura impecável. Mãos tão pálidas e brancas que entravam num contraste forte com a roupa preta. Veste vitorianas, é claro. A expressão facial era impassível, neutra, e dolorosamente fria. Os lábios vermelhos, apesar de carnudos e belos, formavam uma linha reta. Olhos duros, brilhantes de tão escuros. De tanta maldade. De tanta perdição.
Tári sentia tudo, menos afeição por aquele ser.
As narinas dilataram-se levemente. A garota ali, que dizia-se sua filha estava… Alegre? Sentimento indescritível à Dama de Preto. Sentimento que ela amava… Devorar. Porém filhos teus não eram bons pratos principais. Não, pois a finalidade deles era única; servir de exército. E ela, limitava-se a uma breve troca de olhar. Porém, desta vez foi além. A boca abriu-se, e ela arquejou antes de soltar as palavras melodiosas, mas com o sotaque mortífero.
—- Poupe-me de afinidades. — A Dama continuava impassível. —- Não teve a ingenuidade de pensar que eu fosse lhe abraçar. Ou você pensou?
—- Pois bem. Essa resposta não me é de interesse agora… O que eu quero saber é… — As palavras foram pronunciadas minuciosamente. —- O que te traz à mim após alguns séculos sem me ver, Morgainne?
Bem, aquilo doeu. Bem no fundo de sua alma imaculada sabia que nunca receberia o mínimo de afeição por parte de criadora. E se recebesse, seria 00000,1. O tom de voz com sotaque mortífero usado a esfaqueou no peito, e sua expressão sempre tão neutra deu um tapa em seu rosto. Apesar da expressão alheia e do tom de voz, o que mais doeu foram as palavras. Ela não sabia porque havia criado esperança momentaneamente. Provavelmente a emoção da situação; um reencontro de muitos anos.
{ Criaturas como eu não deveriam sequer acreditar em esperança. }
{ E eu sou uma tola por pensar até mesmo em um simples aperto de mão, quanto mais um abraço. }
Lentamente o sorriso dela foi morrendo, deixando de ser expressado no rosto de feições delicadas, os cantos dos lábios indo para baixo. O brilho em seus olhos foi perdendo-se e provavelmente demoraria um tempo para se encontrado novamente. Desviou o olhar para o chão, envergonhada. ❝Não, não pensei, na verdade.❞ Mentiu, sabendo que com certeza suas palavras falsas fossem descobertas.
A próxima pergunta a fez refletir. O que exatamente ela procurava? Não sabia dizer ao certo. Ergueu a cabeça para olhar para Tári, estava hesitante novamente. Não sabia o que podia e não podia responder. Se sentia extramente vulnerável, e isso era horrível. ❝Bem, eu estava só passando e então eu só pensei em... dar as caras... e tal.❞ Prendeu a respiração. Que reposta mal feita.
Quantas mentiras hoje, Morgainne.















