Esses dias eu tive uma crise de choro, pois lembrei do meu irmão que morreu. Ele era dependente químico e na época em que ele teve as suas piores fases somente os meus pais estavam lá para dar suporte; ele perdeu tudo, o grande amor da vida dele, os amigos (que talvez nunca teve), o emprego e até mesmo a própria dignidade.
Foi muito triste como eu tomei consciência de tudo que ele teve de viver, pois quando ele estava passando por tudo aquele inferno, nem eu, que estava no primeiro ano de psicologia e que era o grande confidente dele, o aguentava mais; eu queria ele longe, pois ele me fazia sofrer.
É engraçado que com o passar do tempo, as coisas ruins que ele fazia a gente viver foram sendo apagadas e hoje tudo que eu me lembro é que me conforta é do som de sua risada e do quanto eu sinto falta dos olhos dele, que se fechavam igual aos meus, todas as vezes que ele sorria.
Eu tive uma crise de choro por conta de um gatilho, e eu me senti na mesma situação que ele. Sem ninguém que pudesse me acolher, nessa imensa solidão que eu sinto quando estou triste, em um estado quase que inconsolável.
Foi terrível entender que ele precisava de alguém para o abraçar, mesmo que parecesse que ele não merecia, no calor das situações horríveis que a gente por causa dele.
Mas eu não o abracei quando eu pude, e ele se foi em um momento em que desejava que ele tivesse ido.
Mas sabe qual é a grande verdade da vida?
A gente nunca quer que alguém que a gente ama vá embora, mesmo que todos os nossos músculos e vísceras pulsem em um ato de expurgar alguém das nossas vidas, existe algum lugar muito secreto dentro de nós que nunca vai conseguir se reestabilizar sem esse alguém.
É aquele ‘adeus’ com gosto amargo de ‘fica’. Mas se eu pudesse voltar lá atrás, eu teria falado para ficar, nem que fosse por mais alguns dias. Pois a ausência é um espaço gigantesco que nenhum tempo é capaz de preencher.
Já se passaram 9 anos, e estou aqui, precisando me manter em equilíbrio a todo momento. Pois fui me dar conta, no meu momento de maior fragilidade, que no fundo eu me sinto culpado por ter desejado que ele fosse embora, pois existem muitas nuances dentro de mim que me denunciam até mesmo em silêncio a falta que ele me faz.
É como se o meu mundo parasse de girar todas as vezes que me dou conta que ele não está mais aqui, comigo; pra sempre.
-Um texto sobre a ausência de um irmão, Cristian.