O Equilibrista Cego
Imagine um equilibrista em uma corda bamba. Ele caminha desajeitado, tropeça nos próprios pés, e a corda balança perigosamente. Mas, em vez de olhar para frente e tentar manter o próprio equilÃbrio, ele fixa o olhar em outra pessoa, lá embaixo, que está apenas tentando atravessar uma ponte.
O equilibrista desce da corda, convencido de que precisa ajudar essa pessoa. Afinal, sem ele, a travessia será impossÃvel. Ele pega na mão dela, guia seus passos, dá ordens e até carrega a mochila dela. Tudo isso enquanto sua própria corda fica ali, abandonada, oscilando no vazio, prestes a partir.
Por que ele faz isso? Porque é mais fácil tentar "consertar" a vida dos outros do que enfrentar o caos da própria. A corda dele é instável, a mochila está pesada demais, e ele tem medo de cair. Mas, se ele conseguir controlar os passos de outra pessoa, talvez, por um momento, ele sinta que tem controle sobre alguma coisa.
E sabe o pior? Ele acredita que está sendo heróico. Acredita que o outro depende dele, que sem ele o mundo da outra pessoa vai desmoronar. Mas, no fundo, é só um disfarce para a própria incapacidade de lidar com seus medos e fracassos.
Enquanto isso, a pessoa que ele tenta "ajudar" não pediu por isso. Ela tropeça ainda mais com tanta interferência, porque, ao invés de ser guiada, precisava apenas de espaço para encontrar o próprio equilÃbrio. E o equilibrista? Ele continua perdido, pulando de ponte em ponte, sem nunca enfrentar sua própria corda.
Quem ele está realmente ajudando? Ninguém. Nem a si mesmo, nem ao outro. Ele só perpetua um ciclo de controle, um teatro onde ele é o protagonista, o salvador que não consegue salvar nem a si próprio.
E o que sobra no final? Um equilibrista com uma corda partida e uma ponte que nunca foi atravessada.














