conduzindo sra. lúcia - Bom dia, Senhora! Engraçado como eu sempre sou entusiasmado quando meu dia começa, mas há um motivo, há a Senhora Lúcia. - Bom dia Christian. - disse Lúcia, entrando no carro rapidamente, ela odeia quando as pessoas na rua a ficam olhando quando ela ainda nem saiu do cabeleireiro. - Por favor, vamos logo, hoje eu tenho algumas reuniões com advogados lá no centro da cidade, e pretendo demorar menos no salão. Acelerei sem pensar duas vezes, deslizei pelas ruas através dos outros carros, rápido, porém delicado, era assim que ela gostava, então era assim que eu faria. Servir a Senhora tinha se tornado algo no qual eu não poderia imaginar que chegaria, eu acordava todos os dias pensando nela, pensando qual seria sua rotina, e para quais caminhos ela me levaria, eu estava com ela desde cedo, e a deixava segura na porta de casa ao anoitecer. Eu sou o seu condutor, eu participo de sua rotina, eu vivo sua rotina, mas eu gostaria de estar em sua rotina, não como "Christian, o motorista", mas sim ao seu lado, simplesmente como Christian... É, eu a amo. Quantas vezes já pensei em chamá-la para sair, quantas vezes quis lhe fazer um elogio, ou então quando eu reparava que ela não estava bem, que estava triste, quantas vezes a quis confortar em meus braços, todos os dias um novo pensamento surge em minha mente, todos os dias eu a quero, todos os dias eu a desejo, mas como me aproximar? Aliás, porque eu deveria me aproximar? O que eu tenho a oferecer para ela além de afeto e carinho? Nada, sou só um motorista, e ela minha Senhora. Diversas vezes já deixei essas decisões na mão do destino, como: "Se o farol ficar vermelho, eu a convido para sair". Mas o farol nunca ficou vermelho, sequer o amarelo ele chegou a ficar. - Christian, você poderia ligar o rádio, por favor? - disse Lúcia, com um tom calmo, porém superior. Olhei pelo retrovisor e fitei seus olhos, essa era sempre minha desculpa para olhá-la pelo retrovisor, quando ela dirigia sua palavra a mim, estes eram os poucos segundos que eu ostentava para admira-lá, afinal, seria de extrema grosseria ficar fitando-a. Acenei com a cabeça e fiz seu pedido, liguei o rádio, em sua rádio preferida. A Senhora gostava das rádios que só tocavam músicas clássicas, uma vez ela me disse que a música é como a batida do seu coração, precisa ter ritmo e entrar em sintonia com o resto do corpo, se não é só um monte de barulhos aleatórios. Já estávamos bem próximos ao local determinado, o salão de beleza, sua primeira parada do dia, o momento em que ela achava que sairia de lá bonita, quando o fato era de quê ela já estava linda. Como eu disse, apesar da minha tranquilidade no trânsito, eu dirigia rápido, e faltando meio quarteirão para chegar na porta do salão, fui obrigado a frear bruscamente, pois sem ter me dado conta o farol havia fechado. - Christian! Por Deus, homem! Tenho tantas coisas para fazer hoje, mas acidente de carro não estava na minha agenda! - disse Lúcia, não consegui distinguir se na sua voz era um tom de raiva, ou desespero, mas qualquer um dos dois foram bem convincentes. Apoiei meu braço no banco do passageiro e girei meu corpo a fim de poder ver seus olhos e sua expressão, neste momento pude ver que ela não estava com raiva e nem desesperada, ela estava com pressa, como sempre esteve, então eu precisaria ser breve... - Só gostaria de dizer que você é linda, Senhora.