"Title: Racismo, Uma Descolonização Em Curso Racismo não é capítulo encerrado. É uma ferida que lateja nas sombras da história, reaparece no presente com novas roupagens, mas antigas estruturas. Este é o ponto de partida de Racismo em Português II: Colonos em Angola e Moçambique. Retornados em Portugal, um documentário que não se contenta em registrar o passado. Ele empurra o passado para o agora, desafiando-nos a reconhecer um apartheid não escrito, tecido pela violência racial e pela complexa travessia do retorno. A série que o Público apresenta – Racismo em Português, o lado esquecido do colonialismo – é uma investigação que não aceita simplificações. Enquanto a primeira parte colocou o foco na voz dos colonizados, esta segunda entrega faz uma travessia: atravessa décadas, territórios e memórias para chegar aos olhos de quem viveu do outro lado do vidro. O que significou ocupar, colonizar, expulsar, e depois, em muitos casos, retornar a um território que não reconhece a mesma lente. O retorno não é apenas geográfico; é ético, humano, simbólico. Entre as vozes que compõem esta narrativa, destacam-se relatos de Aurora Duarte, Álvaro Vasconcelos, David Borges, David Luna de Carvalho, Dulce Maria Cardoso, José Gil e Rute Magalhães. Cada um oferece uma perspetiva singular sobre a violência racial que marcou o quotidiano do colonialismo, bem como sobre as consequências profundas que se estendem para além da descolonização. Não é apenas memória; é uma compaixão crítica que confronta o silêncio que historicamente cercou esses episódios. O filme/documentário não se limita a descrever o passado. Ele cruza história coletiva com memórias íntimas, colocando em diálogo fortemente o que foi vivido com o que é lembrado, pensado e escrito hoje. A violência não acontece apenas como ato físico; ela se manifesta na linguagem, nas estruturas sociais, nas representações que persistem, às vezes invisíveis, nos sistemas que operam o presente. Descolonizar, here, é abandonar a naturalização de hierarquias que foram moldadas por um regime que jurou proteger-se sob o manto da civilização, mas que, na prática, institucionalizou a desigualdade, o preconceito e a desumanização. Ressalta-se o conceito de “apartheid não escrito”. Não é uma memória formal de leis codificadas em papel, mas um regime que se sustenta pela normalização da exclusão, pela reprodução de estigmas, pela violência estrutural que continua a desclassificar pessoas com base na sua origem, cor de pele ou ascendência. Este documentário não se contenta em recontar números. Ele desmonta narrativas que, intencionalmente, foram mantidas à distância do debate público. E, nesse processo, exige uma resposta de cada um de nós: como reconhecemos, como despegamos, como transformamos? A narrativa de Racismo em Português II funciona como um convite para uma descolonização em curso. Não é mera memória de um passado que não volta. É uma pergunta sobre o que significa viver no mundo de hoje, onde as marcas do colonialismo ainda latejam sob a superfície. A descolonização não é um ato único; é um conjunto de ações contínuas: reconhecer o legado, questionar o presente, reimaginar as relações de poder, empoderar as vozes que a história tradicional apagou. Convido o leitor a assistir, ouvir e refletir sobre as trajetórias apresentadas. O documentário é, acima de tudo, uma prática de memória crítica: não para reviver ressentimentos, mas para construir compreensão, empatia e, principalmente, ação. Só assim a descolonização deixa de ser uma promessa vazia e se transforma em uma realidade de justiça histórica, social e humana. Subscreva e acompanhe: - Subscreve: https://bit.ly/youtubepublico - Facebook: https://ift.tt/2GlKT5r - Twitter: https://twitter.com/Publico - Instagram: https://ift.tt/COEf89Z - Visite: https://www.publico.pt/ Este é um chamado para ler, ouvir e questionar – para que o passado não seja apenas memoria, mas a bússola de um presente que se recusa a normalizar o racismo. Porque a descolonização em curso é, acima de tudo, uma obrigação moral de cada um de nós."









