Me disse.
Eu entrei.
Olhei ao redor. O abajur continuava do lado da poltrona do lado esquerdo. Ela ainda deixava a toalha de renda debaixo do controle.
- Fica mais um pouco. Café está quase pronto.
- Você já arrumou a caixa D'água? Ou ainda sai ás pressas para fecha-la, antes que ela inundasse o quintal? - Sentei olhando-a ir até a cozinha, coar o café com duas colheres de achocolatado e colocá-lo na minha xícara.
- E você conseguiu tirar a mancha de molho de tomate da sua blusa? - Sentou ao meu lado olhando em meus olhos. Sabíamos do que estávamos falando. Ou pelo menos, eu sabia.
- Fiz a pergunta primeiro. - Sorri de canto, bebendo. Estava no ponto, sempre estava. Sorri, outra vez.
- Está vendo? São perguntas irrelevantes. - Riu baixo colocando sua xícara na mesa e indo até o armário, trazendo de lá uma carta.
- Depende do ponto de vista.
- Esquece isso. Sua mãe deixou aqui. - Me entregou. Sorriu quando fingi surpresa.
- Uma hora ela ia ceder, não ia? - Abri. Um alívio desesperado saiu das minhas costas com se um vento soprasse uma pluma.
'' São muitas explicações, e não quero as dar agora, em uma carta. Jenevive está no orfanato, na mesma rua na qual você conheceu sua ''namorada''. Ela está ciente de que você irá pegá-la. Ciente que terá duas mães. Ciente que eu, fora terrível em impedir o relacionamento de vocês, e fazer o inferno que eu fiz. Ciente de tudo.
Bom, você fez sua escolha. Esteja ciente, você, também, que acaba por aqui o nosso relacionamento. Você não terá mais mãe, ou pai, ou qualquer outro tipo de família.
Você trocou tudo, por esse relacionamento errado; Fiz o prometido. Estou com passagens somente de ida para o Japão. Cuide bem da pequena Jenevive. Ao contrário de você, sei que ela será uma grande mulher. ''












