ciroddad #1
Por causa dos conflitos e da fragmentação no meu fandom ESQUERDA e a pedido da minha amiga @shuristein, eu vos apresento UMA FIC CIRODDAD PARA TODOS GOVERNAR! (História apenas fracamenta baseada na realidade. Com todo respeito aos candidatos e suas famílias. Nada de acionar o DOPS, pessoal) ____________
Quando o carro passou pelos portões da emissora e um calafrio desceu a espinha de Ciro Gomes. Não era confortável estar ali, não naquela noite. A sonda o lembrava da estadia no hospital, aquela assepsia revoltante, o alvoroço de assessores discutindo campanha enquanto ele tentava repousar e… aquele sonho infeliz que o tirou de seu equilíbrio. Ele não queria ver Haddad. Faria-o lembrar…
Por sorte ele já era conhecido por seu temperamento forte e ninguém suspeitou de sua inquietação, se notaram, atribuíram ao procedimento pelo qual tinha acabado de passar, mas a verdade é que havia ficado irritadiço por não ter conseguido superar ainda as imagens que sua cabeça insistia em produzir.
Foi como vislumbrar uma vida passada, foram apenas meses atrás, mas parecia tão longe da realidade atual que tudo era fruto de algum delírio. Mas não era, no sonho, ele percebeu que estava em uma memória, quando encontrou com o eterno presidente Lula e seu governador de programa de governo, o infame Fernando Haddad.
De início ele apenas andava pelos corredores familiares do prédio onde o encontro acontecera tanto tempo atrás, ainda sem perceber que estava sonhando. Quando parou frente à porta familiar, o diabo sedutor abriu-a e o cumprimentou com um sorriso, foi então que ele percebeu que aquilo não podia ser real, pois há meses sofria por não ser mais alvo da gentileza que brilhava naqueles olhos, da doçura daquele sorriso. Seu inconsciente o empurrou porta a dentro, sem largar da mão que fora estendida a ele no cumprimento. Dentro da sala, Lula o esperava com braços abertos, mas mesmo envolto no abraço, não largou daquela mão e implorou ao seu sonho que o deixasse segurá-la um pouco mais. E o sonho deixou, mas por muito pouco mais.
Logo seu amado soltou sua mão para se juntar ao presidente de um lado da mesa e outra pessoa fez um gesto para que ele se sentasse do lado oposto. Ciro sempre foi um homem convicto e orgulhoso e mesmo com a pequena rachadura que abriu em seu coração, tentou não deixar transparecer no seu rosto e sentou-se. Ele queria poder acordar logo, talvez fizesse parar de doer, mas ao mesmo tempo queria dormir pra sempre, tentar começar de novo nessa realidade. Quem sabe dessa vez eles terminariam juntos.
Esse desejo não foi concedido, pois acordou ao fim desse pensamento. Seu quarto estava escuro salvo a fresta de luz vinda do corredor pela porta mal fechada, conseguia ouvir seus assessores lá fora discutindo estratégias.
Naquela noite não conseguiu mais dormir lembrando dos seus tempos de ministros, onde ele e Haddad frequentemente visitavam um o escritório do outro onde ficavam até tarde sob o pretexto de discutir assuntos ministeriais. A memória disso fazia os afagos que trocavam na época queimar em sua pele como se seu amado estivesse ali dividindo o leito com ele.
Agora ele estava ali, nos bastidores do debate, ouvindo os murmurinhos de seus assessores dizendo do que ele devia e não devia falar. Como se ele precisasse que esses cheiros de leite recém-graduados o dissessem o que fazer. No lugar de prestar atenção neles, preferiu olhar ao seu redor.
Com certa distância uns dos outros, os candidatos estavam espalhados pelos bastidores com seus respectivos assessores com reações diversas ao bombardeio de ordens dos mais jovens, uns aceitavam como um maná, outros estampavam na cara o mesmo desinteresse que ele. Haddad era um deles. Quando olhou para ele, aliás, Haddad já o estava encarando. A primeira reação de Ciro foi baixar o olhar e enrubescer, para levantá-lo logo depois e encarar o outro candidato com a mesma intensidade, ele não era nenhuma donzela apaixonada.
Ficaram os dois ali, segurando um o olhar do outro, uma espécie de guerra fria, mas quente demais para ser chamada assim. Foi então que Ciro percebeu algo escurecer nos olhos do outro, que se levantou e começou a andar em sua direção. Seu coração foi batendo mais forte a cada passo, enquanto dizia a si mesmo que era por não conseguir identificar o que se passava na cabeça de Haddad, que continuava a encarar-lhe sobriamente. Ele costumava saber tudo que o mais novo pensava só de olhar-lhe nos olhos.
“Estimado amigo, recebi notícias de suas complicações de saúde e gostaria desejar pessoalmente a sua rápida melhora,” Haddad falou quando chegou ao seu lado.
“Também gostaria de acrescentar que acho muito corajoso de sua parte vir ao debate enquanto ainda está se recuperando, apesar de que preferiria que focasse em repousar e melhorar por ora,” acrescentou um sorriso fraco ao final para tentar disfarçar o tom quase gélido que usou.
Mal teve a oportunidade de agradecer e vieram os demais candidatos enxurrá-lo de desejos de melhora como um ninho de baratas cutucado, colocando-se entre ele e aquele com quem ele queria de fato falar, que aliás apenas continuou a observá-lo enquanto Ciro falava com os demais. Quando levantou seu olhar dos colegas para Haddad, este franziu o cenho exasperado e Ciro foi levado àquele escritório ministerial mais uma vez, onde conseguia ler as emoções do seu estimado numa mirada. E de repente entendeu de onde veio a postura repreensiva do outro.
Ele estava preocupado.
O debate ocorria como esperado, os ataques ao seu partido e mentor, Lula, o aborreciam, mas Haddad mantinha sua compostura e sua moderação, pelas quais era conhecido. Quando os ataques vinham de Ciro, o afetavam mais, era duro ver alguém tão querido a ele, com quem costumava trocar tenras carícias, reprimir sua conduta, suas palavras e seus ideais, mas ele também entendia que eram as regras do jogo que ambos decidiram jogar.
Seu humor nunca era dos melhores quando tinha que aparecer em debates, mas um agravante hoje era sua constante aflição com o presidenciável Ciro Gomes. A respiração de Haddad estacava toda vez que via seu adorado expressar dor ou desconforto e seu coração acelerava a medida que percebia o rosto do mais velho empalidecer. O que deu nesse teimoso para voltar à campanha um dia após uma cirurgia? A raiva se misturava ao turbilhão de emoções e ficava mais difícil manter o controle.
A maldita sonda estava começando a incomodar, ficar em pé ali durante o debate era um martírio e ainda assim Ciro não podia sair do personagem, não podia deixar transparecer que sentia escorrer gotas de suor frio pelas suas costas ou que sua cabeça começara a girar devido a sua pressão que estava em queda. Seu orgulho não deixava. E os malditos olhares incessantes que Haddad jogava em sua direção, como se pudesse ver tudo que realmente se passava com ele o irritavam. Tudo naquele homem o irritava no momento. O olhar sereno com que o fitava com carinho desde o encontro amistoso que tiveram na TV Aparecida no outro dia, o cabelo sedoso no qual ele percorria os dedos quando ainda se relacionavam, no ano em que foram ministros juntos, a preocupação que ele estava demonstrando como se ainda tivessem algo, que fazia crescer uma esperança insensata em seu peito… que vinha junto do arrependimento de ter perdido as estribeiras quando divergiram de sua opinião sobre a construção da chapa.
Talvez, só talvez, se ele tivesse sido um pouco menos impulsivo e irredutível, poderia estar em caravanas com com seu estimado agora. Poderiam fingir que era uma espécie de lua-de-mel, ou pelo menos teriam colocado um ponto final naquela separação mal resolvida e ele não precisaria gastar capital emocional de sua campanha prendendo a respiração quando visse Haddad, antecipando a próxima vez que o veria ou trocando afagos e “pinicadinhas” com ele em debates. Ciro estava cansado, estava se sentindo mal e só queria ficar longe de todo mundo. Juntou suas últimas forças e disse que ia ao banheiro com a maior cordialidade que o desconforto permitiu e segurou a pose até fechar a porta, quando se inclina na pia para lavar o rosto.
Durante o intervalo Haddad parou para ouvir um ou outro comentário dos assessores, tomando nota mentalmente de onde eles diziam para focar ou não a retórica. Após alguns instantes começou a sondar seus arredores, queria saber como Ciro estava. Foi até o grupo do qual reconheceu alguns rostos para pedir-lhes informações. Seguiu para o banheiro assim que comentaram, temendo o pior ao levar em consideração o temperamento do ESTIMADO.
Haddad bateu na porta do banheiro e não ouviu resposta. Bateu de novo. Na terceira vez ouviu um murmúrio e tentou virar a maçaneta. Estava aberta. Entrou e encontrou Ciro debruçado sobre a pia, com uma expressão penosa no rosto quando se virou para ver quem tinha entrado, voltando a olhar para baixo quando viu o mais jovem. Haddad se apressou para seu lado e pôs a mão em suas costas, sentindo a musculatura relaxar sob sua palma.
“Por que você está aqui?” Ciro perguntou injurioso, contrastando com sua reação física.
“Você sabe o quê. Fiquei preocupado com você. Por que insistiu em vir para este debate quando está nessa condição?” Haddad tentou manter a calma, mas seu tom saiu agressivo pela frustração de ver o homem que amava naquele estado.
“Seu filho da puta, você não tem direito de estar preocupado comigo.” Virou-se para encarar o outro, ainda apoiado na pia. “Eu não vou desistir da minha campanha! Não importa quantos elogios me teça ou doçuras me diga!”
“Ciro…”
“Ciro nada! Me escuta aqui, Fernando! Eu quis… Eu quis que ficássemos juntos.” Sua voz tremeu no final, assim como sentiu suas pernas fazer.
Num ímpeto, emendo que o outro caísse, Haddad se propulsou sobre ele, abraçando seu torso, coxa instintivamente se posicionando entre as pernas de Ciro, que vacilou sua pegada na pia e caiu no abraço de Haddad, fazendo pressão forte e repentina na coxa dele com sua virilha que fez os dois soltarem um som estrangulado. Ficaram os dois paralisados, com o formigamento do contato percorrendo seus corpos.
“Não dava nos seus termos. Não tinha como acontecer, eu sou fiel ao meu partido, ao meu presidente.” Foi Haddad o primeiro a quebrar o silêncio, com um tom exausto.
“E não a mim? Nós seríamos o dream team, lembra? Pensei que seria Nós contra Ele, sem importar o partido. Por que você não saiu do PT por mim?” A voz saia esganada, tentando segurar lágrimas e amargura.
Haddad não respondeu. Já tinham tido essa conversa antes, não adiantava mais explicar a gratidão que sentia ao seu partido e ao seu mentor por tudo que lhe fizeram durante sua carreira. E Ciro já ouviu essa resposta, não era resposta que buscava. Então Haddad o abraçou mais forte e deixou que praguejasse o quanto quisera em seu peito, o que pareceu lhe trazer de volta algum vigor.
O problema é que enquanto ele se exaltava, se movimentava causando fricção na coxa do petista. Sua ira parecia se sobrepor à qualquer sensação que isso causasse, mas Haddad certamente estava começando a se sentir em apuros e tentou se afastar só para ser seguido pelo pedetista, sem saber se ele fazia isso conscientemente ou não.
“Para de correr, seu frouxo!”
“Ciro…” Haddad o parou colocando as mãos em seus ombros e olhando para entre eles. Ciro acompanhou o olhar e se deixou ficar tímido por um instante apenas.
“Parece que não sou o único tendo dificuldades para superar, Senhor Ministro.” O tom brincalhão se misturava à gravidade de sua voz enquanto descia sua mão entre o peito do mais novo, que estremeceu com a fala.
"Se eu fosse você eu não me testaria..." Disse Fernando com voz grave e agressividade velada.
Ciro respondeu passando a mão pelos cabelos sedosos dele, que fez Fernando fechar os olhos e respirar fundo enquanto seus dedos viajavam entre as ondas macias das camadas perfeitas às quais não teve acesso a ó, tanto tempo. Ciro sentira tanta saudade do seu homem e agora a oportunidade de matá-la se apresentava diante dele e não a deixaria escapar. Apertou seus dedos em um punho e aproveitou a falta de resistência de Fernando para selar seus lábios.
Começou como um beijo hesitante, devagar, estavam testando as águas. Um pico de reminiscência invadiu os dois. Fernando prendeu Ciro entre seu corpo e a pia e aprofundou o beijo com força. Suas línguas digladiavam famintas para compensar o tempo que passaram longe um do outro. Os corpos se pressionando como se quisessem se fundir e o desejo enquadrando seus quadris um no outro. Seus pulmões começavam a clamar por ar quando ouviram uma batida na porta.
“Estamos para começar a segunda parte do debate, candidato.” Veio a voz do lado de fora.
A continuação teria de ficar para um outro momento.















