Casmurro
É como se eu estivesse em uma praia e comecei a cavar na areia, continuei até o buraco ficar bem fundo e percebi que estava diante de um muro. Ele era alto e sua sombra chegava até o horizonte, tentei quebra-lo, dar a volta até que depois de muito esforço conseguir subir até o topo, foi quando vi o que estava do outro lado e entendi que o muro nunca foi feita para me manter de fora, mas para me proteger e eu mesmo o tinha construído sem saber.
Foi como um despertar, foi então que entendi que eu era o Dom Casmurro de minha própria história, mas sem os chifres de corno e esperançosamente menos paranoico.
Entendo que essa muralha me separa do mundo da vida e ao escolher permanecer desse lado eu abro mão de muitas coisas e por elas essa noite estou de luto, mas faço isso sem hesitar pois não vejo um lugar para mim do outro lado. É uma violência auto infligida, uma lenta auto destruição e mesmo ciente disso eu a aceito, pois não há motivo para não o fazer.
Não vejo possibilidades do outro lado da parede, enxergo apenas diferentes fins, alguns lentos outros rápidos, alguns são agonizantes outros misericordiosos, não vejo como mudar esse mundo e nem sou cruel a ponto de participar de sua lógica, então pela apatia posso ao menos persistir e isso é o suficiente para mim no momento.
- Visitante da Madrugada














