Meus dias não estão mais sensatos como antes, as coisas se tornam cada vez mais embaraçosas. E eu sinceramente não acredito que você queira ler o que escrevo, afinal, o egoísmo faz parte da raça humana, e nenhum de nós se importa realmente com o que acontece com as outras pessoas. Não mais que nós mesmos. E se me disser que não é verdade, estará sendo hipócrita com você mesmo. Entretanto, você tem a possibilidade de sair daqui, ignorar esse texto, ou, talvez, quem sabe seu cérebro no inacreditável ato de se tornar consciente de que pode ser a pessoa a quem outra está desabafando sem mesmo saber quem você é e você emocione-se por isso.
Mas a respeito do que eu dizia, estou vivendo dias tomados pelo turbilhão de responsabilidades, pensamentos, incertezas. Quase um mundo que criei para adaptar-me a um mundo repleto de rotinas cansativas e desgastantes dos quais nenhum de nós conseguimos escapar e que eu realmente não queria me sentir assim. Meus pensamentos e ideias pendem para um lado frio e sombrio, um lado de tristeza. Você se pergunta o porquê, e eu também. A tristeza tornou-se clichê em filmes, poesias, novelas, em histórias... e na minha vida também. Ela pesa a alma, invade o espaço que tanto reservei para a felicidade, invade aos poucos o vazio de minha alma e não ouso expulsá-la. Tanto ocupa que não sobra nada para a felicidade que dizem que um dia virá, mas até agora não chegou.
Tantas as vezes elas foram minhas duas fiéis companheiras, e continuam sendo. Elas são a solidão e a tristeza. Soa tão melancólico usar essas palavras, mas aposto que você em algum dos seus dias planejados e preparados rotineiramente tenha vivido o que vos digo. Lutei tanto para que a tristeza não dominasse minha vida, transparecesse em meu rosto tamanha agonia por estar vivendo dias tão confusos, porém tudo parece ter sido em vão.
Contudo, mesmo que digas que me tornei algum tipo de maluca, aceitarei de bom grado sua opinião, pois talvez malucos sejam aqueles que acreditam que os insanos são os errados. Talvez sua insanidade seja consequência da visão real que têm sobre o mundo, sobre como ser diferente do que é considerado comum possa ser conveniente. Talvez os errados e malucos sejam aqueles que se negam a enxergar o mundo em sua realidade mais profunda e acabam criando seu próprio mundo... o mundo quase que perfeito ao qual acreditam ser real.
Entretanto, a situação que vivo pode ser a realidade de muitos, a sensação de procurar sentido nos dias desgastantes aos quais estão presos, e no ato involuntário de fuga, acham a saída no suicídio. E se não for assim tão ruim? Basta acolher a morte como uma doce forma de agradecer o término da agonia de viver sem sentidos.