Capítulo 18.
Um dia cinza, mesmo sendo considerado um dia sem cor, ainda é um dia colorido. Cinza ainda é uma cor.
E dias cinzas combinam com mentes turbulentas.
Certa vez disseram pra Aysha que pessoas quietas tendem a ter mentes barulhentas e ela sempre soube que isso era real, ela mesmo era um exemplo disso. Sempre foi a garota quieta da família, aquela que fica no seu próprio canto enquanto todos os outros estão fazendo mil e um planos. Apesar de quieta, quando a garota tinha que falar algo, sempre era na sua total sinceridade. Ela nunca soube mentir. Talvez seja até por isso que tenha seus pais como melhores amigos.
Só que eles não sabiam sobre Adam.
Aysha, definitivamente, não tinha vontade de falar sobre ele. Sentia como se o “nós” entre ela e Adam existisse somente em seu próprio mundo, porque, pensando bem, era exatamente assim.
Depois que ela se recuperou da falta de ar na noite que conheceu Pedro, Adam fez questão de levá-la embora no mesmo instante, mas a garota não queria deixar seu novo amigo ali, alheio. Ela estava bem, oras, só tinha tido uma pequena falta de ar. Por essa razão, fez com que seu vizinho levasse seu novo amigo até a casa dele e ela pôde ir pra casa sozinha.
“Sozinha”. Aysha nunca está totalmente sozinha. Sempre acreditou em Alguém lá em cima. Nunca soube dizer se era Ele ou Ela, mas a garota sabia que Alguém havia e acreditava fortemente nisso, por isso nunca se sentia completamente sozinha. Tinha Alguém que a protegia e fazia companhia 24h por dia.
Algumas noites já haviam se passado e ela ainda mantinha contato frequente com Pedro, até mais do que com Adam e isso enfurecia seu vizinho. Ele via Aysha sorrir ao olhar para o celular, via como ela respondia tão rápido uma simples mensagem e viu como ela ficou feliz quando Pedro apareceu na escola na hora da saída. O garoto observou de longe como os dois pareciam um casal que não se via a meses, pois não se desgrudavam um segundo se quer e quando foram andando até o carro da garota, entrelaçaram as mãos.
Adam não sabia o que rolava entre os dois, mas sabia que nele rolava muito ciúmes. Aysha não poderia estar ficando com outra pessoa sendo que eles trocavam beijos casuais.
— Você só vai se sentir pior se ficar olhando os dois assim, brother.
Erin chegou ao lado de Adam e cutucou seu ombro, já o garoto sorriu fraco e abaixou a cabeça. Havia contado a pouco tempo ao seu melhor amigo sobre a sua vizinha das constelações de estrelas no rosto, Erin apoiava os dois para a surpresa de todos. Ele via como aquela garota havia mexido com seu amigo, coisa que nem Briana tinha sido capaz de fazer e isso amenizava a culpa que sentia por ficar com a ex-namorada do seu melhor amigo. Afinal, se Adam não gosta dela, ele não se importaria, não é?!
— Minha vontade é de ir lá e tirar Aysha dos braços desse cara.
— Tá esperando o que pra fazer isso?
— Eu não posso! – passou a mão nos cabelos nervosamente – Eu não quis tornar o que tenho com ela público e nós nunca colocamos como algo sério, então ela pode ficar com quem quiser. Ela é livre, cara. Eu esperava que por estar comigo, ela não fosse querer outra pessoa, mas eu não sou tudo isso. E o Pedro é um cara legal.
— Você tá parecendo adolescente de 15 anos sofrendo pelo crush. Qual é, Adam, eu nunca vi você falar assim de uma garota, não deixa isso escapar.
— Eu não posso, cara. Eu não posso meter ela na bagunça que é minha família, ainda mais com meus pais torcendo tanto pra eu voltar com a Briana.
— Se a Aysha já sabe como é sua família, é uma decisão dela. A partir do momento que você deixar claro o que sente por ela, brother, vai ficar nas mãos dela lutar contigo contra qualquer obstáculo que aparecer pra separar vocês.
— Pra um cafajeste nato, você tá me dando bons conselhos.
— Até o pior dos cafajestes se apaixona uma hora.
— Você ainda tá me devendo falar quem é a garota.
Adam deu um soco fraco no ombro do amigo que riu e logo os dois mudaram de assunto, já que Aysha já tinha ido embora com Pedro.
(…)
Pedro tornava tudo muito fácil. Sorrir era fácil, se sentir bem era fácil, ser feliz era fácil, mas deixá-lo ir embora era difícil. A garota sentia uma pequena vontade de guarda-lo em pote na prateleira de seu quarto. Estar com ele era sorrir o tempo inteiro.
Sempre escutou de sua mãe que Aysha devia manter por perto pessoas que a fazem acreditar que as coisas são fáceis, mesmo que um dia não sejam, mas que, principalmente, tratando de um relacionamento, ela deveria ficar com quem a faz acreditar que o amor é fácil, porque é assim que deve ser. Fácil, leve e feliz. Algo que Adam não ajudava muito no “nós” deles. Com seu vizinho era sempre tudo mais complicado, além de que era algo que devia ser escondido. Já Pedro fazia questão de mostrar que Aysha estava com ele, mesmo que fossem apenas amigos.
Aysha sentia seu coração aquecer com o jeito que Pedro a olhava, mas algo em sua cabeça dizia que era errado. Mas por que seria errado se ela é tão solteira no momento atual quanto fora à alguns meses atrás?! Sabia que uma pequena, porém importante, parte de seu coração pertencia a Adam. Nunca havia admitido, mas mesmo que não soubesse definir o que era, sentia algo pelo vizinho. Aqueles olhos azuis mexiam com todos os seus sentidos, porém estar com Adam era como lutar contra a maré forte. E Aysha sempre fora calmaria.
Ela tinha medo de mergulhar e se afogar sozinha.











