Capítulo 165
O pequenos olhos da Li começaram a aumentar cada vez mais e mais enquanto encaravam os dois no chão.
Deve ser realmente um choque pra ela ver o Remy, vulgo Jade, o jardineiro estagiário do colégio e a Violette que até então estava desaparecida, aparecerem em sua frente do nada após ela ver um flash de luz, e pior, acabados daquele jeito.
Remy me encarava com a Violette abraçada ao seu tronco em desespero total.
Ambre então segurou a Li com tudo tentando mante-la calma e sem seus gritos.
"ONDE VOCÊS ESTAVAM ?!" Nathaniel tomou frente já questionando com preocupação na voz.
Remy encarou o Nathaniel e viu a cadeira, seu olhar de pânico aumentou ainda mais, ele parecia um filhote perdido, olhava pra todo canto assustado.
"N-Não . . . Cadeira . . . Não . . . " ele falava pausadamente com total medo em seu timbre.
"EU VOU MORRER ?!" Violette começou a chorar na mesma hora em pânico total.
Os dois pareciam loucos.
O que aconteceu ?
Remy pegou a mão da Violette que chorava e começou a falar que não ia deixar ela morrer, ele chorava também.
Ele ficou encarando ela sem parar enquanto segurava sua mão repetindo sem parar que não ia deixar ela morrer, e parecia que só isso estava mantendo ela mais "calma". Ainda assim . . . com um olhar de pânico, só contendo sua voz.
Os dois estavam muito surtados. . . Eu tinha medo de perguntar o que houve, o que levou eles aquele estado.
Eu não conseguia entender o que estava acontecendo nem imaginar o que levou eles a ficarem naquele estado tanto psicológico quanto físico.
"Acho melhor sairmos do colégio com eles Boreal . . .Olha o estado deles. . . Se alguém ver essa cena não vai ser nada bom." Armin cochichava pra mim.
"Eu concordo . . ." Nathaniel dizia.
"OK, Nathaniel pode cuidar do Azriel ?" Armin dizia.
"Sim, claro, Ambre cuide da Li, vamos ter que decidir o que faremos com sua memória . . . " Nathaniel falava calmamente enquanto Li ficava mais em pânico nos braços de Ambre ao ouvir que fariam algo com sua memória. Ela não fazia ideia do que estava se passando, era visível em seu olhar.
Armin então pegou a Violette pela cintura e carregou ela enquanto eu fazia o mesmo com o Remy.
Violette parecia desesperada e assustada, ela começou a se debater e se esforçava muito pra tentar se aproximar do Remy, eles dois ficavam balançando os braços na direção um do outro tentando se segurar, mesmo estando no colo do Armin, e o mesmo o Remy, ele estava em desespero igual ela.
Eles não falavam nada coerente, era muito triste a cena.
Eu não sabia como agir mas precisávamos levar eles pro carro desesperados antes que chamasse mais atenção.
Assim que colocamos eles nos bancos de trás do carro entramos desesperados na parte da frente e Armin acelerou com tudo em direção ao apartamento em que estávamos morando atualmente.
Precisávamos saber o que estava acontecendo e o mais importante, o que levou eles a esse estado.
Violette chorava com aquele rosto sujo de algo que parecia terra, foi instantâneo, assim que soltamos eles eles se abraçaram na mesma hora, Violette o abraçou e ele retribuiu pra ser mais exata.
Ela o abraçava em desespero, ela parecia com medo de tudo menos dele, me atrevo dizer que ela estava com medo do Armin e de mim também.
E Remy colocava a mão na cabeça desesperado com um olhar pensativo e perdido.
"Armin . . . O que acha que houve ?" perguntei no ouvido do Armin.
"Seja lá o que aconteceu deixou a mente deles num estado catatônico" Armin falava baixo.
Eu olhava de relance pelo retrovisor e só via desespero no olhar deles.
"A . . . Cadeira de rodas . . . Eu vou morrer Jade ?! Você me falou que o Nathaniel ficava paraplégico e ele ficou . . . Eu vou morrer ?!" Violette repetia sem parar chorando.
Remy por sua vez não tirava as mãos da cabeça e pressionava ela cada vez mais enquanto se encolhia com a Violette presa a seu tronco.
Ela fazia um gesto frequente, ela ficava com a mão no pescoço o tempo todo , era o único gesto que ela fazia alem de abraçar o Remy.
Era uma cena desesperadora.
O caminho parecia eterno com aquela cena toda estranha dentro do carro.
Assim que chegamos tivemos que arrastar eles dois até nosso apartamento, haviam algumas pessoas nas redondezas vendo aquela cena, não tinha muito o que falar pra desviar os olhares, que eram constrangedores por sinal.
Armin falou alto como quem tentasse desviar os olhares ou a atenção de qualquer pensamento errado a nosso respeito.
"Sempre terminamos ajudando vocês nessas situações embaraçosas ! Vamos ter uma conversa lá em cima e vocês vão mudar seus hábitos !" ele gritava de tal forma como se os dois estivessem bêbados e estivéssemos ajudando eles.
Os dois estavam tão surtados que nem notaram a merda que o Armin disse sobre eles tratando os dois como bebados.
Já no apartamento pudemos levar eles só na base do puxão sem ter que carregar.
Mas eles queriam ficar colados o tempo todo.
Seria fofo, já que shippo eles, mas . . . Infelizmente não parecia ser uma cena boa pra shippar.
Eles dois estavam se segurando com medo e não com "amor e carinho."
Era como se eles tentassem se proteger constantemente de algo que só eles sabiam o que era. Ou ela tentava se proteger e Remy proteger ela.
Finalmente chegamos em nosso apartamento, lá estava Armin do futuro conversando com meu pai.
Eles olharam pra nós dois assustados.
"O que houve ai ?" meu pai dizia se aproximando, Violette segurava a mão do Remy com mais intensidade como se tivesse medo do meu pai. . . Medo, medo de tudo.
Armin do futuro se levantou de uma vez e foi direto no Remy, puxando seu braço ele arrancou o receptor de uma vez só.
"Isso fica comigo." ele dizia encarando o Remy.
"ME DEVOLVE AGORA !!" Remy gritava intensamente enquanto pulava em cima do Armin com violencia.
Eu tive que literalmente segurar ele, ele fazia muita força, Vio se encolheu no sofá e continuava a chorar.
Remy continuava histérico, eu então o joguei no sofá e enquanto pressionava seus ombros mandei ele se acalmar.
"EU QUERO O RECEPTOR DE VOLTA !!" ele gritava.
"SE CONTROLA ! VOCÊ SEQUER EXPLICOU O QUE TÁ ACONTECENDO !!" eu gritei.
"Exato, preciso de um bom motivo pra devolver pra você. Olha seu estado !" Armin do futuro dizia encarando o Remy.
"EU QUERO SALVAR A VIOLETTE !" ele gritava.
Meu Deus. . . O que aconteceu ? Quando tudo ficou caótico assim ?
"Remy, se acalma ok ? Ninguém aqui é seu inimigo. Conte o que houve com calma." eu falei encarando ele pacientemente.
Ele me olhou de volta com a respiração ofegante, um pouco triste, parecia desesperado porem se contendo.
Ele olhava pra todos os lados dessa vez como um filhote que não sabia onde se encontrava.
Estava assustado e acuado.
"Remy, é a melhor forma de sabermos como lidar com a situação, conte o que está acontecendo." meu pai dizia.
Remy então encarou todos nós antes de finalmente falar.
Ele ainda estava surtado mas tentou se conter, era clara sua tentativa.
"OK. . . .Eu falo.
Assim que roubei o receptor eu fui na casa da Violette pois queria provar pra ela que eu não estava mentindo.
Eu . . . Não aguentava mais os pensamentos de que ela morreria.
Pra que me tirar do loop se eu veria tudo de novo ?
Eu queria mudar os acontecimentos. . . Vocês me tiraram do loop e eu quero tirar os outros também.
Violette, Iris, todos.
Eu fui na casa dela e entrei pela janela.
Ela inicialmente não acreditou e ameaçou gritar o pai, eu pedi uma chance de mostrar e ela me deu essa chance então . . .fomos pro futuro." e ali eu tirei minha suspeita, ele realmente viajou no tempo com a Violette.
"Vocês foram pro futuro destruído . . . ?" falei insegura. Ainda estava descrente com o que o Armin disse.
Ali eu tiraria minhas duvidas se estava tudo destruído mesmo.
". . . Parecia tudo normal quando chegamos.
Eu até pensei que o Armin estava mentindo, mas o ponto principal era que eu queria mostrar pra ela que tudo que falamos era real . . .
Eu decidi que a melhor forma seria levar ela na casa dela.
E foi ai que tudo começou . . .
Ela e eu fomos pra casa dela, até então ela pensou que estávamos na nossa realidade, poucas mudanças nas ruas, nada realmente tinha mudado.
Eu expliquei pra ela que ela não devia esbarar com a própria ela do passado, ela então citou algumas ficções que leu no passado e que entendia com base nisso o que poderia acontecer, não que eu pensasse que explodiria o universo, mas . . . Seria complicado explicar pra outra dela a respeito.
Eu voltei pra uma data em que ela estivesse viva, pra poder mostrar pra ela.
Assim que chegamos na sua casa, ela agiu como se fosse ela mesma e foi falando com seu pai, até então estava rudo bem.
Ela dizia que eu fui buscar algo e já estava de saída.
Ele então questionou pois ela estava lá em cima, na hora nos encaramos, e senti que ela começou a acreditar em mim.
Subimos com calma e muita cautela.
Decidi tomar frente pra falar com ela, caso fosse a Violette lá dentro ela não se assustaria com outra Violette.
Entretanto . . . o pior aconteceu . . .
Assim que abri a porta, ela deu naquela estufa na escola .. . Ali comecei a notar que tinha algo muito errado.
Eu tinha certeza da época em que fui, eu olhei pro relógio, mas . . . infelizmente, o que tinha na porta era . . . O Kentin com a Violette.
Eu tentei fechar a porta desesperado e voltar antes que a Violette visse, mas ela tentou olhar por entre meu braço e quando viu o que estava acontecendo ela começou a chorar na mesma hora.
A porta atrás de nós, sumiu ao tentar voltar . . .
Kentin nos viu e assim que cortou o pescoço da Violette e jogou ela no chão, ele nos olhou chocado.
Ele então perguntou quem eramos e o que fazíamos lá, já com uma postura ofensiva.
Violette estava paralisada . . . Ela não se mexia, só chorava enquanto encarava seu próprio corpo semi despido e morto no chão.
Eu. . . Não queria que ela visse isso . . .
Eu só queria provar que o futuro que eu citei existe e que somos de lá.
Eu só queria proteger ela . . .
Kentin veio pra cima da gente perguntando com mais intensidade.
Eu tomei a frente da Violette na mesma hora a protegendo com meu corpo, mas . . . o Kentin estava com super força.
Ele me puxou de uma vez enquanto rasgava minha blusa com seu puxão e me ameaçava com a faca, então me jogou no chão, assim caindo em cima de várias plantas e quebrando jarros da estufa.
Em seguida ele foi pra cima da Violette.
Ela estava exposta, desesperada e paralisada.
Minha mãe estava amarrada no chão com lagrimas no olho entretanto perdida com a situação, dava pra ver confusão em seu olhar.
As coisas estavam um pouco fora do lugar . . . Posicionamento dos objetos e pessoas, alem de que o fundo da estufa parecia não existir. Era um vácuo enorme.
Ele então foi pra cima da Violette e puxou sua blusa a força enquanto ela tentava lutar contra, falhamente.
Ele rasgava sua roupa com facilidade usando as mãos, e eu . . . Ainda tonto com a queda peguei a primeira coisa que vi, que era um ancinho que tinha ali perto.
Eu levantei com as pernas bambas e enfinquei o ancinho nas costas do Kentin com tudo enquanto puxava ele pra trás rasgando suas costas completamente.
Ele me olhou com fúria enquanto fazia um som que rasgava entre os dentes demonstrando que ardeu, ele acabou por impulso arremessando a Violette em um bolo de terra próximo a ela.
Nesse momento eu corri pra perto da Violette toda suja no chão e peguei sua mão arrastando ela desesperado pra porta de entrada da estufa.
Assim que entramos na porta . . . Era o laboratório do Armin.
Rapidamente eu chamei pelo Armin, mas não tinha sinal de vida.
Eu entrei em pânico.
O receptor não funcionava, só saiam faíscas dele.
Violette estava em pânico total.
Eu a coloquei sentada na cama do Armin e lembrei que haviam uns doces que ele guardava na gaveta, então dei uma das trufas dele pra ela, pra tentar acalma-la.
Ela tremia e chorava o tempo todo.
Desesperadamente eu abri o receptor na esperança de entender o que estava acontecendo.
Então eu decidi ver se tinha algum receptor escondido por lá.
Revirei tudo, tudo mesmo, até que achei um, eu troquei, deixei o meu lá e peguei o outro.
Antes de ir tentei falar com a Violette, ela chorava intensamente ainda . . . Era horrível ver ela daquele jeito . . .
Eu . . . Eu só queria provar que eu vim do futuro . . . Só . . .
Não queria causar traumas . . .
Ela tremia tanto . . . Eu . . . Eu . . . " Remy começou a ficar com aquele olhar perdido de novo.
Nossa . . . Eu nem sei o que dizer.
Ele tem culpa em partes, mas . . .Entendo seu desespero.
Ele só quer salvar ela.
Não julgo . . . Eu quase fiz coisa parecida pela minha mãe . . .
"Então esse receptor é o do futuro ?" Armin perguntava.
"Sim . . . Depois que ela se acalmou um pouco eu me desculpei e falei que voltaríamos . . .
Assim que tentei voltar no tempo a primeira vez com ela paramos no meio da cidade, no futuro do meu pai . . .
Estava tudo destruído e parecia que tinham varias falhas temporais . . .
Eu pensei que nunca mais conseguiria voltar pra cá . . .
Parecia um cenário de jogo pós apocalíptico totalmente cheio de glitch. É estranho ver glitches na nossa realidade que não é digital . . .
Haviam buracos e fendas na própria rua, pedaços de outros tempos, coisas medievais misturadas com modernas . . . Estava um caos.
Fora pessoas morrendo em loop e . . . era uma cena perturbadora.
Um canto dava um clarão que aumentava progressivamente e sugava tudo mas sempre voltava pro lugar.
E quanto mais eu tentava usar o receptor pra ir embora, menos ele diminuía.
Chegou a um ponto que o clarão começou a se aproximar de nós, parecia que ele ia nos engolir e pulverizar como tudo que ele fazia.
Era visível, quando o clarão brilhava ele "apagava" e onde ele tinha tocado ficava um vácuo idêntico ao da estufa.
Tudo que aquele clarão tocava se tornava nada.
Ficava um buraco vazio no lugar.
Comecei a me afastar puxando a Violette junto comigo que se agarrou assustada no meu tronco enquanto encarava aquele clarão.
Eu estava tão em pânico quanto ela . . . E depois e inúmeras tentativas e quase ser engolido . . . paramos em Sweet amoris do tempo atual." ele falou então abaixando a cabeça.
Só se ouvia choros baixos da Violette que ficavam com uma respiração cada vez mais desritmada com o passar da historia do Remy.
E um silêncio incomodo se estendeu pela sala.
"E pra que quer o receptor de volta depois de passar por isso ?" Armin do futuro dizia.
". . . E se eu precisar salvar ela em uma emergência ?!" Remy então gritou se levantando.
"Se acalma rapaz, não é assim que vai salvar ela. Levando ela pra uma linha aleatória que pode se destruir a qualquer momento ?" Armin estava firme.
"E FICAR PARADO ESPERANDO AQUELA LUZ CHEGAR NO NÓS ?! ESSE É SEU PLANO ?!" Remy se alterou gritando com o Armin.
"Temos todo o passado pra voltar até tudo se resolver. Ficar se arriscando em viagens quando você mal consegue controlar o receptor e arriscando a vida de alguém a mais é que não dá." Armin dizia calmamente.
"VAI VIR COM A MERDA DA FORÇA PENSAMENTO DE NOVO ?! PORQUE VOCÊ JÁ FALA DISSO A ANOS E NADA ACONTECE !! ADMITA QUE SEU PLANO É UMA PIADA ARMIN !!" Remy gritava.
"Meu plano requer paciência, pelo visto você não tem não é mesmo ?" Armin continuava a falar com calma.
"PACIÊNCIA ?! DE QUANTO TEMPO ?! QUANTOS ANOS VOCÊ FALA SEMPRE DESSA MERDA ?! NADA VAI ACONTECER ARMIN ! VOCÊ TÁ INVENTANDO QUE TEM PLANOS E AGINDO COMO SE TIVESSE ALGO A MAIS POR TRÁS DESSE PLANO TODO DE FORÇA PENSAMENTO SÓ PORQUE NÃO QUER ADMITIR QUE NÃO TEM PLANOS REAIS E EFETIVOS !! VOCÊ FALHOU E DESTRUIU TUDO E AGORA NÃO QUER ADMITIR QUE FEZ ISSO E NÃO SABE COMO CONSERTAR !! MAS EU CANSEI !! SE FOR PRA MORRER QUERO MORRER TENTANDO ALGO JÁ QUE ME TIRARAM DA MERDA DO LOOP !! EU NÃO VOU FICAR OLHANDO TODO MUNDO MORRENDO DE NOVO A MINHA VOLTA !" Remy estava vermelho de tanto gritar.
E finalmente ele pareceu enfurecer o Armin, pois o Armin encarou ele mordendo os lábios com raiva, chegou a sangrar e era visível.
Eu estava muda e sem reação perante a situação.
"BELEZA JADE ! VOCÊ QUER A MERDA DO RECEPTOR ?! TOMA !
AFUNDA TODO MUNDO CONTIGO ! AFUNDA A VIOLETTE CONTIGO !
EU NÃO VOU ME RESPONSABILIZAR POR MAIS NADA !!
EU NÃO TENHO PLANOS SIGAM O PLANO DO JADE !
ELE TEM RAZÃO, EU DESTRUÍ TUDO ! EU FALHEI COMO CIENTISTA E COMO SER HUMANO !" Armin então jogou o receptor no Remy e saiu batendo a porta de saída da casa.
Estava uma tensão no ar.
Armin do presente claramente se magoou com o que o Remy disse e saiu silenciosamente da sala enquanto se dirigia ao seu quarto.
Violette ainda chorava e tremia silenciosamente.
Eu estava estática sem saber como reagir.
Meu pai parecia pensativo e encarava todos ao redor, e por fim Remy. . .
Ele segurava o receptor que o Armin jogou nele e ficava encarando.
Ele estava abalado, era visível pelo seus movimentos.
Eu não sabia o que fazer nem como reagir.
Naquele momento eu só pensava: Armin ouviu coisas duras e vai remoer elas.
Ele está sozinho, as chances de fazer merda são maiores.
Então eu decidi que iria atrás dele, Armin do presente ainda tinha muita companhia em casa, eu o consolaria depois, agora o foco era acalmar o do futuro antes que ele faça algo pior.
Eu então peguei meu casaco no sofá e me retirei pela porta.
Assim que estava saindo o Alexy do presente e do passado saíram do quarto dele totalmente descabelados e com as roupas mal colocadas.
"Nossa eu tentei ignorar essa gritaria mas vocês não calam a boca puta merda.
Não se pode nem ficar em paz consigo mesmo nessa casa." eu ignorei . . .na realidade nem quero imaginar o que os dois faziam no quarto . . .
Desci correndo esperando que ele não estivesse com o receptor e tivesse viajado no tempo.
Levando em conta o tempo que ele saiu, daria pra alcança-lo.
Desci correndo na esperança de encontrar com ele.
E por sorte, eu o vi caminhando até o carro.
Comecei a gritar seu nome tentando para-lo e ele de fato, parou e se virou pra mim.
"Armin ! Onde vai ?" eu falava nervosa
". . . Quer vir comigo ?" ele perguntou sem me responder.
Parecia chateado mas não o suficiente pra fazer algo errado. . . Seria esse os efeitos das "drogas" dele ?
Eu então só caminhei até o carro como resposta.
Ele entrou e em seguida começou a dirigir sei lá pra onde.
Não queria questionar . . . Só queria confiar.
Ele não faria algo pra me prejudicar creio eu, então . . . Não perguntei nada.
Ele dirigiu, e dirigiu, até que ele finalmente parou.
Era tarde da noite já, estávamos na ponte que levava Dinard a Saint Malo.
Ele saiu e se apoiou na ponte, eu fui logo atrás dele.
"Vai se jogar ?" perguntei.
"Não. A probabilidade de eu morrer nessa ponte é pequena, ela é muito baixa, vou procurar uma ponte mais alta depois pra me jogar." Armin falava.
Eu me apoiei enquanto empurrava ele de forma brincalhona e ele ria de seu próprio comentário.
"Essa ponte me traz lembranças . . . " falei.
"Sim. Eu não tenho lembranças dessa ponte, mas . . . Por algum motivo eu tenho nostalgia com ela até hoje. E consigo imaginar muito bem tudo que li no seu diário daquele dia em que perdi a memória. Sei lá, é como se essa ponte não ligasse só St Malo e Dinard mas ligasse minha memória antiga a atual também . . . Engraçado né ?" Armin falava sorrindo pra mim. Um sorriso melancólico . . .
". . . Você tá chateado com o Remy ?"
". . . Não. De verdade. Ele tem razão apesar de tudo, eu fiz a merda toda estourar.Se não fosse por mim nada teria acontecido.
Eu criei a maquina, eu comecei a zonear tudo . . . Eu sou a origem." Armin falava.
"Será que é você ? Lembre-se que tudo começou a acontecer só depois que EU vim pra Terra. Acho que a sementinha do mal não é você . . . " respondi gentilmente.
"Bem, é inegável o fato de que você é a causa principal mas . . . Eu podia ter sossegado e ficado na minha ao invés de ser tão curioso com tudo. No máximo eu nunca teria te conhecido nem conhecido ninguém e se vocês morressem, tanto faz, eu não teria vínculos." ele falava naturalmente, como sempre.
Falar coisas cruéis é sempre tão fácil pra ele.
"É bem frio você falar que não ligaria mesmo sabendo que é verdade . . ."
"Bem, muita gente morre todo dia e você não fica triste e deprimida por essas pessoas todas certo ?
Mas sabe. . . Eu consciente do que vivi, não gostaria de trocar essa experiencia toda.
Nathaniel foi meu primeiro amigo fora meu irmão e meu pai, na realidade foi o Kentin, mas infelizmente eu não lembro então conto o Nathaniel como primeiro amigo.
Eu posso confiar nele sem medo, e ele não me julga por nada . . .
Eu pude ajudar muitas pessoas e conheci você, sua família, Azriel e todos os outros.
Eu gosto das pessoas que conheci e não quero simplesmente perder elas . . .
Tanto que antes de perder a memória eu torcia pra voltar a recuperar ela, isso era visível nas palavras que escrevi no seu diário. Eu realmente nunca me arrependi disso tudo, por mais que ache que talvez fosse melhor não viver isso tudo.
Bem, eu sou egoísta e reconheço, eu quero viver coisas fantásticas.
E como sempre digo, pra uma pessoa ser feliz outra tem que ser infeliz." Armin voltou a repetir essa frase que machuca.
"Porque todos não podem ser feliz igualmente ?"
"Porque a sua felicidade sempre vai ocupar o espaço da felicidade de outra pessoa. Eu já expliquei isso pra você inúmeras vezes.
Nathaniel e eu gostávamos de você, eu fiquei contigo, automaticamente Nathaniel se torna o infeliz da historia, mas você e eu estamos felizes.
Quem gostava de você e de mim também estão infelizes, se um dia essas pessoas arrumarem alguém, quem gostava delas vai ficar infeliz, e no fim, sempre a felicidade de um sobrepõe a felicidade de outro." Armin explicava pacientemente.
". . . Queria que existisse um jeito de sair dessa regra . . . " falei bufando.
"Esse mundo utópico não existe. Pra um se dar nem outro tem que se dar mal, sempre." Armin então ficou quieto e ficou olhando pro horizonte.
Ele parecia perdido nos próprios pensamentos. quando puxou uma trufa de chocolate e começou a desembrulhar.
Ele estava tão perdido que sequer olhou pra mim.
Quando se deu conta já estava comendo a trufa.
"Eu não te ofereci, desculpa." ele falou com aquele olhar distraído.
"E desde quando você se desculpa por comer algo ? Sempre tivemos uma relação de guerra e egoismo puro quanto a ultima comida." falei rindo.
"Mas a situação agora é diferente, nós dois estamos na mesma situação triste."
"Ah tudo bem, eu não preciso de doces como você pra ficar feliz, fica tranquilo." eu ria enquanto dizia.
Ele então olhou pra cima e parecia analisar algo.
Enquanto eu apoiava mais meu corpo pra frente da ponte Armin se inclinou e me beijou.
É sempre engraçado, eu sempre me sinto com duas pessoas diferentes mas nunca sinto culpa por me envolver tanto com o do futuro quanto o do passado . . .
Eu me sinto estranha com essa situação.
Mas permiti que ele me beijasse.
Tinha o sabor da trufa.
Era um sabor doce, muito doce, assim como tudo que ele comia, uma mistura de baunilha com chocolate branco, algo bem doce e que se eu comece particularmente acharia enjoativo, mas ali, não estava enjoativo.
Antes eu me sentia envergonhada de beijar ele assim em publico, não que tivesse gente passando pela ponte mas . . . Eu não tenho facilidade em assimilar isso em mente mesmo sem condenação.
Seria engraçado se alguém que me conhece me visse. . .
Armin apoiou o braço dele atrás de mim no encosto da ponte e me beijou intensamente, mas com grande ternura.
E ao fim do beijo ele ria pra mim.
"Do que tá rindo ?" perguntei.
"Fiquei feliz simplesmente. Sua companhia me serve bem pra substituir meus remédios." ele falava rindo mais.
Só disse um que bom pra ele e sorri de volta.
"Bem que você podia me ajudar mais e assim poderíamos ir pra um lugar mais reservado, ou se preferir podemos ficar aqui na ponte mesmo." ele falava alisando meu cabelo.
Eu não sou idiota e sabia bem do que ele se referia.
"Sim, ótima ideia, ir pra casa né mesmo ?" falei cortando ele enquanto o empurrava pro lado e seguia pro carro.
"Porque ?! Ahh você é bem injusta. Sabe quanto tempo eu não faço isso ?!" ele dizia me seguindo.
"Menos do que o tempo que ficou sem desde que mudei no futuro. Alias, hoje em dia eu duvido que você tenha ficado tanto tempo sem nada já que tem a maquina do tempo e poderia ir pra uma época que eu estava disposta a fazer isso contigo." eu dizia rindo já entrando no carro.
Assim que ele entrou ele ficou com uma cara de paisagem que era engraçada.
"Cara . . . Eu nunca pensei em fazer isso. . . Como sou burro !
Agora eu realmente não tenho o que fazer já que você não quer ficar comigo." Ele resmungava já saindo com o carro.
"Tem minha eu do passado, aquela ali vai aceitar de boa."
". . . Eu amo você Boreal . . . Sua eu do passado . . . Não é bem amor o que eu sinto . . . " Armin falava já com seu tom antigo de volta.
Foi uma boa saída . . .
Assim que chegamos em casa estava os dois Alexys e o Azriel conversando.
"Nossa, bem que eu sentia cheiro de algo suspeito vindo da Charlotte." Alexy dizia.
Provavelmente Azriel tinha acabado de falar da Charlotte ser trans pra ele.
É muita coisa estranha.
"Ah voltaram ? Demoraram, foram num motel ?" ele falava sem pudor.
"Bem que eu queria . . . " Armin respondia enquanto levava um pisão.
"Então, Remy está como ?" falei.
"Ele colocou a Violette no quarto e ligou pro pai dela, a própria Violette pediu pro pai pra ficar aqui. Ele estava separando umas coisas pra dormir na sala. Já estávamos pra nos retirar, mas ai vi o Azriel chegando e decidi perguntar o que houve já que o seu pai saiu também pra levar meu eu do passado." Alexy respondia.
"Ah sim, ai o Arziel contou da Charlotte." falei.
"Sim, não fiquei surpreso sinceramente. É engraçado que ela já me chamou de traveco nojento poque amo make. Super homofóbica aquela menina. E ela é trans ! Ela fazendo uma barbaridade dessa ! Como quer ser aceita desse jeito ?? Vagabunda." Alexy dizia.
"E o Alexy do passado fazia o que aqui ?"Azriel perguntou.
Armin e eu gritamos que não queríamos saber, mas antes de parar ele ele começou a falar.
"Nós estamos namorando. Ai decidimos que hoje queríamos experimentar transar um com o outro.
É meio merda porque eu odeio ser ativo mas foi divertido. Agora falta por o Pierre no meio." Alexy dizia rindo.
"CARA PORQUE VOCÊ PERGUNTOU AZRIEL ?! AGORA VOU FICAR COM A IMAGEM DO ALEXY SE COMENDO . . . PORRA CARA NÃO !!" Armin então saiu da sala e foi direto pra cozinha.
"Fresco ele, credo." Alexy então entrou pro quarto dele.
"E você ? Como foi com a Bia ?" perguntei.
"Ah . . . Ela não entendeu bem quem eu era e lembrou de mim do parque.
Ela agradeceu por eu defender ela e ficamos horas conversando . . . Eu . . . Sentia falta da voz dela . . .
Ai o Lys chegou falando que tava me procurando e o Samuel tava procurando ela . . . Ficou um climão escroto mas passou quando nos explicamos." ele dizia.
"Lysandre sabe da Bia ?" perguntei.
"Sim . . . Ele sabe . . .E ele brigou comigo sobre isso na verdade . . .
Falou que se eu não esqueci a Bia que ele não me quer perto dela já que eu ainda gosto dela . . . Eu fui sincero com ele e ele também quanto a não me querer perto dela. Eu entendo ele . . . " quando o Azriel disse isso o seu telefone começou a tocar.
Ele olhou pra tela e falou que era o Lysandre, enquanto se afastava e ia pro seu quarto.
Então decidi ir na cozinha, pra me despedir do Armin já que eu ia pro meu quarto dormir.
Ele estava bebendo água lentamente enquanto encarava uma agulha, provavelmente ele tinha mais da "droga" dele ali.
".. . Vai usar a bactéria ?" perguntei.
"Eu pretendo . . .A menos que queria me dar um remédio melhor." ele dizia rindo.
"Só vim me despedir." falei beijando seu rosto enquanto me retirava.
No que eu estava saindo, o Remy estava entrando no local.
Ele entrou e foi direto na mesa colocar o receptor em cima.
Nós dois encaramos o Remy surpresos.
"Desculpe. Eu estava irritado mais cedo quando falei aquelas coisas . . . Só . . . To com medo de voltar pro loop de sempre . . . " ele dizia de cabeça baixa.
Armin sorriu pra ele enquanto bagunçava seu cabelo e eu preferi deixar os dois sozinhos se resolvendo.
Quando entrei no quarto, Armin estava mais dormindo que acordado.
Me deitei aos poucos tentando não desperta-lo, mas ele notou e virou pra mim.
"Armin, desculpa ter ido atrás do se seu do futuro é que--"
"Tudo bem. Você fez certo. Ele estava pior que eu. Eu já superei, o Jade veio falar comigo." Armin parecia sincero enquanto falava.Eu . . . Fico feliz de saber disso . . . De verdade.
Não demoramos muito e adormecemos.
Ele parecia estressado, e eu, sinceramente, estava bastante cansada por conta do dia turbulento.
Notei que ele ficou falando com alguém no celular, mas não li quem era e adormeci logo.
E o novo caos começaria na manhã seguinte.
Bem cedo Armin falou que combinou com o Ken, Dake e o Nathaniel deles irem no apartamento pra contarmos tudo que estava acontecendo, e logo já estávamos de pé pra comermos e atendermos os dois quando chegassem.
De fato precisávamos de planos . . .Se bem que de for como o Armin do futuro disse, tudo isso é em vão.
Azriel, meu pai e Alexy comiam na cozinha e encontramos eles assim que pisamos lá pra comer algo, avisamos a vinda do Nath e do Ken pra eles e logo eles terminaram sua refeição e forma arrumar a sala, que inclusive estava com as trouxas do Jade que dormiu no sofá na ultima noite.
Ele deixou a Vio com a cama dele e recusou a proposta do Azriel de ficar no quarto.
Eu então questionei onde estava o Remy, Alexy disse que ele foi levar comida pra Violette que não queria sair do quarto de jeito nenhum.
"Na noite passada eu menti pro pai dela como se ela estivesse muito mal e fugindo dos problemas que tem em casa, e ele acreditou quando ela confirmou tudo. Ele pediu pra cuidarmos dela até ela querer voltar e pediu o endereço depois, acho melhor você atender pois se não ele vai achar que só tem homem na casa e vamos fazer uma orgia com ela.
Se bem que como ela é uma boa menina ele acreditou logo que ela estava mal. Afinal, a mãe da Vio tem câncer, foi bem fácil de mentir." Alexy dizia.
Nós então comemos, e nos arrumamos pra aguardar eles.
Eles não demoraram, como era de se esperar, foram bem cedo, logo ligaram pra gente avisando que chegaram.
Recebemos eles pra explicar nosso lado e ter o depoimento deles, afinal, eles estavam estudando dia e noite na escola, eles poderiam nos passar informações que não tínhamos.
Eles iam repassar tudo que tem acontecido.
Nos sentamos pra conversar entender, o acidente, a escola, explicar nosso lado.
Mal começamos a falar e Remy saiu do quarto com a Violette, ela parecia melhor, estava com uma expressão mais calma se comparada com o dia anterior.
Ela estava vestindo o pijama de dinossauro do Remy, ficava uma graça nela já que ela era pequena.
Enfim, tudo seriam rosas, exceto pelo primeiro problema que se encontrou no local . . .
O problema foi quando ela viu o Ken.
Ela vinha falando normalmente e parecia pronta pra nos cumprimentar e desculpar pela inconveniência do dia anterior.
Porém Violette viu o Ken sentado e começou a se afastar.
Dava pra ver que ela suava frio.
Mesmo aquele Ken pequeno a assustava.
Ela agarrou a barra da blusa do Remy enquanto tremia, era visível, ela não escondia.
"Violette ? O que faz aqui ?" Nathaniel falava surpreso.
"Jade raptou ela de novo" Alexy dizia rindo.
"De . . . novo ?" Nathaniel expressou e um silêncio se estendeu na sala.
Violette começou a surtar de novo, ela que estava com uma expressão tão tranquila começou a olhar pro Ken e se desesperar.
". . . Tira . . .Ele . . ." ela falava baixo enquanto segurava com força a blusa do Remy com uma mão e a outra ela levava até o pescoço.
Ken não entendia nada mas começou a ficar com uma expressão bem surpresa. . .
Acho que ela ainda não sabe que o Ken quando matou ela . . . Não era o Ken . . .
E o Ken não sabe que ele matou a Violette . . .
[<< CAPITULO ANTERIOR] ✖ [PROXIMO CAPITULO>>]










