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Capítulo 118
Acordei em uma sala branca.
Cama macia, com um ótimo cheiro no local.
Ao olhar para o lado aos pouco, vi a mãe do Nathaniel e meu pai.
Meu pai me abraçou desesperado.
Eu sentia como se tudo fosse um sonho. . . Tudo parecia confuso.
"Aqui é o hospital de nossa família querida. Se sente melhor ?" Adélaide perguntava.
Eu fiquei calada . . . Ainda estava tentando por meus pensamentos no lugar . . . Eu sentia minha cabeça pesada e sinceramente ? Estava confuso saber o que foi sonho e o que foi real . . .
Infelizmente a pior parte . . . foi pesadelo. E um pesadelo muito real. . .
". . . Cadê minha mãe ?" perguntei.
Meu pai endureceu os ombros na mesma hora . . . Ele estava claramente abalado.
Adélaide ficou em silêncio, sem graça e sem saber o que falar.
". . . Cadê minha mãe . . . ?" Eu voltei a repetir.
E obtive o mesmo resultado.
Ali . . . Caiu minha ficha do quanto aquele pesadelo foi real.
Eu não conseguia lidar . . . Eu não consigo lidar . . .
"Cadê minha mãe ?" Eu repetia já sentindo o desespero tomar conta de mim.
"Boreal . . . Infelizmente sua mã--" no que Adélaide falava eu a interrompi bruscamente.
"CADÊ A MINHA MÃE ?!" eu falava tentando levantar e sentindo uma fisgada forte na barriga, automaticamente eu parei.
"Você deve repousar . . . O dia foi muto tenso. . . " Adélaide dizia.
"EU QUERO A MINHA MÃE ! ME DEVOLVAM ELA !" . . . Eu gritava . . .
"BOREAL ! A LUCIA MORREU !! SÓ ACEITE !" meu pai gritou de uma vez silenciando a sala.
Eu sei que ele está mal . . . Eu sabia que ele estava mal . . . Mas eu retruquei.
Eu gritei de volta.
"PRA VOCÊ POUCO IMPORTA ! VOCÊ NÃO LIGA OLHA ! TÁ FALANDO DA MORTE DELA NATURALMENTE !! VOCÊ TÁ DO LADO DA DIRETORA E DE TODO O RESTO QUE QUERIA PREJUDICAR MINHA MÃE !!" . . . Eu não sei o que me levou a fazer tais acusações mas . . . Eu precisava jogar a culpa em alguém . . . Eu precisava gritar com alguém . . .
E eu escolhi meu pai.
Nessa hora eu ouvi um rosnado forte seguido de latidos ainda mais poderosos . . .
Era o Charlie . . .
Ele parecia nervoso com tudo que falei, com todos os gritos.
Uma enfermeira então entrou correndo perguntando o que acontecia.
"Está tudo sob controle. Fique tranquila." Adélaide dizia.
A enfermeira chamou atenção sobre o cachorro e já estava pra tirar o Charlie.
"Francis sabe do cachorro e permitiu a entrada dele. Está tudo sob controle querida. Pode se retirar." Adélaide falava educadamente enquanto a enfermeira se retirava assustada.
"Deixarei vocês sozinhos . . . Por favor, se acalmem. E repousem." Adélaide então saiu com Charlie do quarto me deixando sozinha com meu pai.
Eu comecei a chorar na mesma hora que ela saiu.
Minha mente . . . Está tão confusa.
Tão cheia de sentimentos diferentes . . . Eu nunca pensei que . . . Perderia minha mãe.
Meu pai então me abraçou.
Eu estava dura mas relaxei e comecei a chorar ainda mais.
Não falamos nada, só ficamos abraçados . . .
Eu precisava disso, e acredito que meu pai também precisasse . . .
Ficamos em longo silêncio.
O clima fúnebre cercava o local.
Com grande dificuldade e demora eu me acalmei aos poucos.
"Desculpe pai . . . Falei coisas horríveis de novo . . . " falei deprimida.
"Tudo bem Boreal . . . Sua mente deve estar pior que a minha . . . " ele falava gentilmente e choroso.
"Pai . . . Onde está minha mãe ?" perguntei.
"Ela . . . morr--"
"O corpo dela . . . Onde ele está . . . ?" perguntei tremendo enquanto interrompia meu pai que claramente achou que eu estava perguntando sobre "ela viva".
"Lucia . . . Está no necrotério do hospital.
Os pais do Nathaniel tiraram o corpo dela apressadamente após seu desmaio . . . " ele dizia.
Ali começou a vir na minha mente toda a cena . . . Estava mais claro.
Ali eu lembrei que o Nathaniel falou na frente de todos sobre meu filho . . .
Meu pai descobriu da pior forma . . .
E minha mãe . . . Encobriu até o fim . . .
A porta então foi aberta . . . Era o Charlie.
Ele voltou a entrar, mas dessa vez se deitou em silêncio do lado de minha cama.
"Ele . . . Está bem abalado com tudo . . ." Meu pai dizia acariciando a cabeça do Charlie, que não rosnava, não latia, não fazia nada.
Eu então decidi falar sobre o tal assunto polêmico que eu vinha escondendo . . .
"Pai . . . Eu sei que não é o melhor momento mas . . . Eu to gravida do Nathaniel a algum tempo . . . Desculpa escolher um momento desse pra falar, mas . . . Não quero mais guardar segredos de você. Eu contei pra minha mãe e---" Eu falei sendo interrompida por um abraço gentil de meu pai.
"Tá tudo bem . . . Nathaniel e Armin me explicaram tudo.Nós vamos cuidar muito bem do seu filho. É isso que sua mãe iria querer fazer." meu pai dizia.
"Eu . . . Não sei o que dizer . . . Eu não esperava por isso . . . Eu pensei que fosse brigar comigo . . . E . . . "
"Boreal . . . Eu brigo contigo porque me preocupo. Quero o melhor pra você. . .
E . . . Eu não quero que pense que eu sou um monstro ou que ficaria com raiva de você por estar grávida.
Confesso que em outra situação talvez eu ficasse um pouco mais exaltado, mas iria passar.
Eu fico feliz que você está cercada de gente que se preocupa contigo.
E essa criança parece que terá muita sorte por conviver com seus amigos. Eles são todos muito prestativos e se importam cada um do seu jeito com o bem estar um do outro.
Sei que fui ausente, é que eu não sabia como reagir a tudo que acontecia. E eu sabia que vocês estavam dando o melhor pra corrigir as coisas.
Só me restava acalmar a Lucia quanto a sua situação . . . mas . . . Quero compensar minha ausência . . . " meu pai sorria gentilmente apesar de melancólico enquanto alisava meu cabelo e retirava algumas mechas caídas no meu rosto.
Charlie se mantinha do nosso lado em silêncio.
Sem rosnar . . . .
Ele estava deprimido, MUITO deprimido . . .
Me atrevo a dizer que parecia estar pior do que quanto o Castiel morreu.
Ele não se mexia, não comia, não fazia nada.
Meu pai e ele ficaram juntos por horas na sala, e inclusive, meu pai fez carinho nele sem levar rosnadas e coisas do gênero.
"De onde vem o nome da minha mãe . . . ?" Perguntei repentinamente.
Meu pai parecia triste mas ele estava mais sorridente.
"Ela me disse que viu uma atriz com esse nome, Lucia Bose. Ela dizia que a primeira coisa que ela assistiu aqui na terra foi um filme dessa mulher, e dai tirou a ideia. . ." eu nunca havia questionado os nomes, eu sempre esquecia que eram nomes criados pra usarmos na Terra. . .
"E o meu . . . ? Você sabe ?" perguntei encolhendo a perna.
"Lucia me contou tudo . . . Você estava literalmente brincando com o Kentin enquanto decidiam seu nome e sua vida.
De repente, você foi até ela com o Kentin falando vários nomes dizendo ser o seu nome. Todos eles retirados de quadrinhos que o Kentin havia te mostrado.
No fim, ela não sabia bem sobre essas coisa de origem, nacionalidades e afins e deixou você, uma criança, escolher seu próprio nome baseado em mangás. Sua mente ainda estava confusa após apagarem todas as suas memórias. Então foi fácil camuflar." ao ouvir aquilo . . . Eu não pude evitar de rir.
Como eu não lembrava disso ?
É engraçado pensar na situação . . . E triste lembrar que era uma situação que eu estava com minha mãe. . .
"Que idiota . . . " Eu ri de leve.
De repente bateram na porta, meu pai perguntou se podia permitir que entrassem e eu confirmei com a cabeça enquanto ele mandava a pessoa entrar.
Era o Armin, Azriel, Ambre e Dajan.
"Que bom que acordou." Ambre falava vindo até mim.
"Sim . . . Obrigada por virem." eu me calei e olhei pros lados.
Armin estava calado e ele parecia perdido nos próprios pensamentos.
"Afinal . . .o que aconteceu comigo ?" perguntei.
"Você quase sofreu um aborto espontâneo." Azriel dizia.
"COMO ASSIM ?! EU IA PERDER MEU FILHO ?!"
"Por conta de todo estresse que você passou, sim. Seria totalmente plausível, na verdade, era pra ter sofrido o aborto, porém, a bactéria que injetei mais cedo provavelmente afetou o bebê. E consequentemente ele resistiu a um aborto espontâneo." Dajan completava.
"A maior surpresa pra mim foi saber que estava grávida . . . " Ambre dizia rindo.
Eu então olhei um pouco triste pro Armin . . . Eu não saia o quanto foi dito sobre o bebe então tive medo de falar.
"Bem, o que importa é que você esteja bem não é mesmo ?" Azriel sorria.
Armin . . . Não falava nada.
Continuava quieto e aparentemente muito pensativo.
"Onde estão os outros . . . ?" perguntei.
"Dake está no outro quarto com Castiel, Nathaniel, Alexy e Lysandre. Os demais pais e alunos foram todos despachados. . . Maior parte sem memória." Azriel respondia.
"Dake ? Ele tá bem ??" falei levantando o corpo de uma vez.
"Sim . . . A operação ocorreu bem . . . Agora só resta a adaptação né . . ." Ambre respondia.
". . . Operação ? Adaptação ??"
". . . Dakota teve o braço amputado . . . " Armin finalmente falou algo.
Eu na mesma hora levantei da cama.
Eu precisava ver o Dake . . . Era inacreditável pra mim.
"Você tem que repousar Boreal !" Ambre dizia me direcionando a cama.
"Eu preciso ver o Dake ! ME levem no quarto dele." Armin só respondeu um "tá" e começou a me guiar.
"ARMIN ?! ELA PRECISA REPOUSAR !" Ambre gritava.
"Acha mesmo que vai adiantar ficar impedindo ela ? Ela vi e pronto. . . Se tem uma coisa que aprendi sobre a Boreal é que ela vai fazer se ela quiser fazer." Armin então me levou do quarto calmamente até o quarto do Dake.
O Azriel no caminho parou pra falar com a Bia que estava no fim do corredor chamando e acenando.
Ele pediu licença e foi a encontro da Bia.
Chegando no quarto, minha primeira visão foi o Dake . . .
E ele estava sem o braço . . .
"D-Dake . . . ?" eu já estava chocada com tudo . . . Depois de ver ele sem braço, eu fiquei mais apavorada.
"É . . .Parece que demorei muito pra ir no médico né ?" Dake ria normalmente.
"Como você pode rir ?! PORRA TU TÁ SEM O BRAÇO !! JÁ FALEI PRA PARAR DE RIR DISSO !" Castiel gritava.
". . . Pelo menos é um braço. . . O máximo que vou ter que fazer é aprender a escrever com o outro braço. Antes eu tinha chance de perder a vida pro meu tio . . . Aqui no hospital foi a primeira vez que eu dormi bem na minha vida.
Quando eu morava com meus pais eu dormia mal todo dia com as brigas deles ou com medo de alguém entrar pra cobrar eles por alguma coisa envolvendo trafico e todos fossem mortos.
Quando fui morar com meu tio eu dormia mal todo dia pois não sabia quando ele ia decidir vir abusar de mim . . . Depois que cresci pensei que ia tudo melhorar mas ele passou a me bater se eu fosse de contra . . .
Por isso ele quebrou meu braço, pra me manter sobre controle . . . Ele não sabia que eu ia me rebelar tanto . . . E ele sempre me viu como o moleque medroso e burro . . .
Eu assumo, eu não sou muito esperto apesar de ser mais esperto que o Castiel . . . E sou medroso quando o assunto é meu tio. . . Mas . . . Ver vocês agindo contra coisas piores e mais influentes me deu um pouco de coragem." Dake dizia.
"MAIS ESPERTO QUE EU ? VAI SE FODER !" Castiel gritava.
"Você estaria fazendo piada com falta de braço e ainda por cima ia usar o braço arrancado pra jogar nos outros e coçar as costas Castiel. Cala a boca." Ambre falava estressada.
"VAI SE FODER TAMBÉM ! EU NÃO TO FAZENDO NADA DEMAIS ! MAS VOCÊS TEM QUE IMPLICAR COMIGO PORRA ! NÃO RECLAMEM DEPOIS." Castiel então se sentou num banco ali perto.
Eu então fui até o Dake e abracei ele.
A vontade de chorar tomou conta de mim.
"Desculpa Dake . . . É culpa minha . . . " eu falava chorando.
Dake me abraçou de volta.
"Do que você tá falando ?! Você me salvou !!" Dake dizia.
"Deixa de ser idiota ! Se tudo acontece com vocês é culpa do meu magnetismo e--"
"Meu tio sempre me espancou. Eu sempre tive uma vida complicada desde criança,e eu não morava sequer perto de você.
E posso te garantir que conheci muita criança com problemas até piores que os meus . . . E essas crianças não te conheciam e não conhecem.
Então . . . Não tem nada a ver contigo.
Na verdade eu me considero sortudo. Como sempre digo: Quem sabe ao invés de perder um braço eu não tivesse perdido a vida ?
Te conhecer me fez conhecer o Nathaniel, o Armin, até o ruivo viado do Castiel e o cara de hamster ali. E vocês todos me ajudaram. Então se culpa pelas coisas boas também já que quer se culpar pelas coisas ruins o tempo todo." Dake falava com muita calma.
"Você . . . Tá calmo demais pra uma pessoa que perdeu um braço." eu falei chorosa.
". . . Eu to realmente feliz que me livrei do meu tio. Não ligo se o preço foi um braço." Dake dizia.
"Se livrou ?" O que ele quis dizer ?
"A organização de controle alienígena conseguiu pegar alguns dos responsáveis pelo colégio.
Aparentemente eles fecharam um acordo com pessoas de fora da organização, organizações mundiais e mais potentes para conseguir maior acesso a permissões.
Boris foi um dos professores levados pra investigação." Nathaniel dizia.
"O mais importante é que não descubram nenhum segredo grave nosso. Isso poderia complicar muito nossos planos e ainda mais a vida de todos aqui . . . " Lysandre dizia.
"Acredito que não vá acontecer nada. Eles disseram que estão todos mortos, e bem, na lógica não teria como ler uma mente morta certo ?" Ambre dizia.
"Eles leram a mente do Azriel mesmo ele estando morto. Então acho que seu argumento não valeu de nada querida." Alexy respondia.
E falando no diabo, Azriel entrou na sala com Bia.
"Bia ?" todos expressaram assustados.
"Eu . . . Expliquei algumas coisas pra ela. Ela fez questão de vir aqui ver vocês . . . " Azriel respondia.
"D-Desculpa . . . Eu precisava ver se estava tudo bem." Bia dizia.
"Ah tá sim. Obrigado pela preocupação." Dake dizia sorridente.
"E sua mãe ?" Armin perguntou para Bia.
"Ah . . . Ela parece ter esquecido tudo que aconteceu no evento, mas está bem . . . Graças aos pais do Nathaniel. Aliás, obrigada pela assistência." Bia então se curvou agradecendo.
Bia encarava o Dajan sem parar.
E todos estávamos assustados olhando pra ela e tensos.
Ninguém sabia como reagir.
". . . É impressionante . . . Minha mãe se assustaria ao ver o corpo do meu tio andando saudável e vivo por aqui . . . " Bia dizia.
"Vejo que já sabe que não sou seu tio né." Dajan respondia.
"De certa forma . . . Talvez." Bia respondia.
"O quanto você falou pra ela Azriel ?" Armin perguntou.
"Eu falei sobre eu ser o Dylan, sobre ele ser o Dajan, expliquei por alto dos rituais . . . Ela está muito envolvida, eu não poderia deixar que Bia se arriscasse ainda mais tentando entender tudo. Até porque pode acabar sobrando pra ela." Azriel respondia.
"Está correto em faze-lo. A situação atual requer atenção e cuidado da parte de todos os envolvidos. E Bia me pareceu de confiança por toda convivência que venho tendo." Lysandre respondia.
"Eu . . . Tive muito tempo pra pensar em quanto estava trancada naquele armário. Os gritos, as coisas acontecendo . . .É tudo tão louco e inacreditável e ao mesmo tempo parece que tudo tem lógica e sentido. É muito confuso . . . E eu entendo o porque de manterem segredo.
Ouvir aqueles tiros e gritos me fez concluir ainda mais que onde estava pisando era perigoso." Bias falava pensativa.
"Os tiros foi eu . . . Eu estava tentando afastar meu tio . . .
Infelizmente os tiros não fizeram nem cocegas do meu tio e . . . Ele me pegou.
Por sorte o Armin passou na hora no local e começaram a ter uma discussão verbal onde ele conseguiu convencer meu tio de me soltar.
Mas claro que ele não confiou no Armin." Dake dizia.
"Muita coisa que falei foi blefe. O que importa é que ele caiu, ou pelo menos fingiu que caiu" Armin completava.
"Eu vi o garoto jardineiro jogar a Ambre, Boreal-sama e Rosalya no buraco e corri . . . Depois de resgatar as meninas no buraco, elas falaram que o zelador antigo tinha jogado elas lá dentro . . . Porque o zelador faria isso ?? Ele estava junto com a diretora ?" a Bia falava.
"Pelo que eu sei através do meu tio . . . O zelador antigo era considerado um traidor.
Ele falou que ia voltar e nunca voltou porque a diretora não quis dar a vaga de volta a ele.
Inclusive o Jade entrou como jardineiro porque ele era filho do zelador que insistiu bastante pra diretora contratar ele.
No fim ela demitiu ambos. No caso do Jade ela dizia sobre um tal tráfico mas . . . Todos sabemos que não tem nada a ver com ele ter sido acusado de traficar drogas." Dake falava.
"Então . . . O zelador queria ajudar ?" Ambre dizia.
"Assim como o Jade." Armin completou.
"Eles claramente tentaram manter as meninas do buraco em segurança. Isso é notável." Nathaniel comentou em seguida enquanto parecia pensativo.
Bia então com olhar muito pensativo e triste falou da minha mãe.
". . . Desculpe tocar nesse assunto . . . Eu não pretendia mas . .. É inevitável . . .
Porque . . . Mataram a . . . " ela parou e respirou fundo enquanto olhava pra mim, que por reação automática só virei o rosto.
"OK . . . Vou simplificar a explicação da Debrah pros que não entenderam e pra poder te explicar tudo Bia.
A Boreal e sua mãe são de outra dimensão. Elas "puxam" tudo da outra dimensão para essa.
Literalmente são um ímã de bizarrices e paranormalidades.
Agora vamos a explicação desse fenômeno . . . " Armin então pegou um caderninho e uma caneta que estava na mesa ao lado do Dake.
"Pegue um caderno de pauta comum.
Nesse caderno tem varias linhas certo ?
Imagine que cada linha é uma linha temporal diferente e cada folha uma dimensão diferente.
Durante uma viagem temporal você pode trocar de linha, cada linha tem seu destino, sua reta.
Digamos que o Nathaniel estava no fim da linha 2 da folha 2 do caderno, onde ele nasceu no caso, e quando ele usou a maquina ele passou pro inicio da linha 1 da folha 2.
Ao fazer isso ele mudou de linha temporal E DE TEMPO. Afinal, ele foi pro INICIO da linha 1 quando ele estava no FINAL da linha 2.
Ele não só trocou de linha temporal como trocou de "tempo".
Aqui entendemos como funciona linhas temporais. Certo ?" Armin pausou a explicação e olhou pra todos na sala que prestavam atenção em sua explicação.
Castiel então levantou a mão.
"Fala Castiel." Armin questionava.
"Como faz pra mudar a linha se ela já é reta ? Essas porra de maquina e tudo mais." Castiel perguntou algo interessante até.
"Eu ainda não entendi bem essa parte.
Mas eu tenho duas teorias . . .
A primeira é que mesmo com alteração a linha é reta e destinada a "ser aquilo mesmo". Ou seja, achamos que estamos controlando e mudando os acontecimentos mas na verdade eles são constantes e só "mudamos" de linha ao fazer essas mudanças.
Mas também pensei na possibilidade de que a maquina possa servir de caneta . . . E assim eu riscar um novo caminho a partir de qualquer momento da linha, assim, super lotando o espaçamento entre uma linha pra outra." Armin então traçou uma linha com a caneta do meio de uma das linhas do caderno e criando outra por cima . . .
"Tecnicamente, linhas temporais são dimensões. Então isso ficou confuso pra mim." Bia falava.
"Então agora vamos pro ponto da Boreal, explicação de seu magnetismo sobrenatural e o mais importante de tudo pra matar suas dúvidas: Dimensões.
A Boreal e sua mãe não são da folha 2, elas são da folha 1 do caderno, ou seja, outra dimensão." Armin então pegou a folha 1 e colocou sobre a folha 2 do caderno.
"Não tem como mudar de folha, cada folha é isolada uma da outra e cada uma tem suas própria linhas temporais e eventos, por isso o planeta da Boreal não é encontrado. Ele existe na folha 1, não na folha 2. Ele tem suas próprias linhas e historia.
O ponto é: Alguma coisa furou a folha 1 abrindo um buraco que desse pra ver a folha 2." Armin então pegou a ponta da caneta e fez um pequeno furo na folha 1, assim, dando pra ver a folha 2.
"Por esse pequeno buraco a Boreal e sua mãe passaram pra folha 2 e agora por elas não pertencerem a folha 2 constantemente elas atraem coisas estranhas pra tentar por tudo nos eixos, elas atraem coisas da folha 1, da dimensão delas, pra folha 2, a nossa dimensão.
Cada vez mais esse buraco fica maior por conta da confusão feita e da pra ver mais a folha 2 e menos a folha 1.
O buraco provavelmente está enorme já, e por isso a frequência de coisas que acontecem tem aumentado TANTO." Armin explicava aumentando ainda mais o buraco com a caneta aos poucos.
"E porque a diretora queria acesso a esse "buraco" ? Tem algo que ela quer da outra dimensão ?" Bia perguntava.
"Sim. Poder.
Como as realidades estão confusas e tentando se encontrar pra evitar o pior, passou a existir certas paranormalidades na folha 2 que não existiam. Tudo faz parte da realidade tentando coexistir com a outra folha que está se rasgando.
A diretora acelerou o processo.
Ao realizar o ritual com uma das pessoas da outra dimensão ela automaticamente abriu ainda mais o buraco e agora, não sei como, ela parece ter maior controle de tudo. Ainda preciso pesquisar mais a respeito . . ."
Dake então começou a gemer de dor repentinamente.
"Dor fantasma ? Já ?" Nathaniel dizia indo até o Dake.
"Acho que sim . . . de novo . . ." Dake falava rindo e parecia sentir dor.
Nathaniel então pediu pra que chamássemos a enfermeira e pediu pra que nos retirássemos.
Todos saíram do quarto.
Meu pai estava conversando com a Adélaide no corredor.
"Eu vou pra casa agora . . . Amanhã volto pra falar com vocês." Castiel dizia.
"Vou também . . . Preciso ver se tá tudo bem com o Leigh já que a Rosa reapareceu." Lysandre dizia.
"Waaah queria ir com você Lys." Azriel falou fazendo manha pra cima do Lysandre.
"E eu não quero que você vá." Lysandre falou friamente.
"Nossa Lys é tão malvado comigo !" Azriel falava ainda mais manhoso.
Era engraçado . . .
Eu mal falei com todos, só fui pro meu quarto.
Bia então veio ate mim correndo e me deu um abraço.
"Vai ficar tudo bem tá ?" ela dizia com aquela voz fofa dela . . .
Eu queria ter tido força pra abraçar ela de volta . . . Mas eu não conseguia . . .
Eu me sentia . . . Sem força.
Eu me sinto sem energia alguma . . .
Levaram uma parte de mim . . .
Eu então entrei de volta pro meu quarto e me deitei.
Sentia um pouco de dor ainda, mas nada me incomodava tanto quanto meus próprios pensamentos . . .
Armin entrou em seguida.
Ele foi silencioso.
Entrou e se sentou do lado da minha cama.
Ele então colocou uma caixa de chocolate no meu colo.
"Feliz aniversario." Ele dizia.
Eu puxei a mão do Armin e a caixa pra baixo do cobertor e fiquei encolhida.
Nem lembrava que era meu aniversario . . .
"Melhor presente de aniversario . . . Obrigada mãe" falei chorando.
Armin apertou minha mão antes de encostar a cabeça em mim.
Fiquei lá, chorando até dormir.
Armin estava bem silencioso, só acariciava meu cabelo volta e meia.
Eu apaguei totalmente . . .
Na manhã seguinte . . . Era bem cedo quando fui acordada repentinamente.
Era o Azriel.
Ele estava muito inquieto na porta do meu quarto.
"O que houve ??" Perguntei assustada e ainda muito sonolenta.
Armin estava falando com ele na porta.
"Eu . . . Estava me retirando." Azriel dizia inquieto.
". . . Tá . . . Mas parece que viu um fantasma, está mais pálido que o normal. O que aconteceu ?" perguntei.
Armin olhava pra ele e ele encarava de volta.
"Armin . . . Você me prometeu não esconder nada." falei já irritada.
". . . E não pretendo . . . Mas . . . Esperava um momento melhor pra dar noticias, só isso." Armin falava inquieto.
". . . Fale logo . . . " eu sabia que não tinha como ficar pior.
"Eu não sei bem o que aconteceu . . . Ontem a noite eu vi o Charlie na rua quando estava levando a Bia pra casa dela.
Ele . . . estava com a diretora.
Ela discutia com ele.
Ela falava coisas tipo "é uma pena que você não possa responder" e debochava dele constantemente.
Charlie mordeu ele e tudo mais . . .
Então . . . A diretora falou algo que . . . eu precisava falar.
Mal dormi.
Nathaniel falou pra eu esperar o dia seguinte . . . E--"
Eu estava impaciente e gritei com ele pra ele continuar a falar . . .
Eu me sinto péssima . . . Com tudo.
Minhas atitudes, com as de todos, com tudo . . .
". . . Ela falou pro Charlie que é graças a ele que a dona Boreal está morta.
Que ele foi o estopim pro portal que liga as duas dimensões ter se aberto.
Ele mordia muito ela.
Até que . . . Ela falou algo como "como se sente de ver sua filha sendo criada por um homem que sua esposa escolheu em outra dimensão." então ele começou a latir forte . . . "
Quando o Azriel falou isso eu fiquei confusa . . . Como assim . . . Filha ? Esposa . . . ?
. . . Charlie ??
"Pera . . . Como assim . . . Charlie ? Eu filha dele . . . ? Você quer dizer que . . . "
"A alma no corpo do Charlie ? Qual foi colocada ? Sim . . .
Foi seu pai Boreal . . . Desculpa dar essa noticia assim . . . Deve ser chocante mas . . . Eu precisava falar a verdade sobre seu pai, só não sabia como te contar sem te deixar abalada, principalmente depois de tudo que vem acontecendo . . ." Azriel falava claramente triste com a noticia que tinha acabado de me dar.
"Como assim . . . Meu pai ??? Eu . . . Não acredito . . . " sabe . . . meu mundo parece que a cada segundo que passa desaba mais.
Eu . . . Não sei como eu to em pé . . . Na verdade . . . Eu não to em pé faz tempo. O Armin tá me arrastando.
"Meu pai . . . Meu pai biológico . . . Tá no corpo do Charlie ?" eu falei espantada.
". . . Sim . . . E aparentemente ele teve influencia de alguma forma com o fato de você e sua mãe terem sido sugadas pra Terra . . . " Azriel dizia sem graça.
As atitudes do Charlie com minha mãe começaram a fazer sentido.
O porque dele ter me tratado bem tão rápido também . . .
"Minha mãe morreu . . .
Meu pai biológico está preso em um cachorro zumbi demoníaco . . .
Todos ao meu redor estão cada vez piores . . .
Quando minha vida se tornou isso . . . ?" eu falei frustrada.
"Ele continua sendo o Charlie Boreal. . . " Armin dizia.
"NÃO É SIMPLES ASSIM ! ELE . . . É MEU PAI ! PRESO EM UM CACHORRO !!
OLHA QUE FRASE RIDÍCULA DE SER DITA !
MEU PAI ESTÁ PRESO EM UM CACHORRO !!
. . . Meu pai . . . Comeu cadáveres pra ajudar o Castiel . . .
O que ele está passando esse tempo todo por minha causa ??
O QUE EU TO FAZENDO TODO MUNDO PASSAR ?!
SE EU NÃO EXISTISSE NÃO IA TER ESSES RITUAIS !" eu gritava.
Armin me segurou firme.
"Boreal ! Você ouviu a parte de que aparentemente ele teve culpa ??"
"SE TIVESSE COMO EU VOLTAR PRA ONDE EU VIM ! COMO EU MORRER !! QUALQUER COISA !! EU . . . NÃO POSSO CONTINUAR TRAZENDO TANTA COISA NEGATIVA PRA VOCÊS !!" eu gritava.
A vida de todos que amo está cada vez pior . . . Eu não posso simplesmente olhar esse caos, saber que eu sou a causa e virar as costas.
"Boreal não começa com essa ideia de novo . . . Isso vai fazer mal, você vai passar mal de novo. E não sabemos se você e o bebê vão suportar a outra tentativa de aborto espontâneo vinda do seu corpo." Armin falava.
"TODO MUNDO TÁ MORRENDO ! SE EU E MEU FILHO MORRERMOS QUE DIFERENÇA FAZ ?? AH ! TODA !
PORQUE NÃO VAI TER UM ÍMÃ NA TERRA PRA TRAZER COISAS NEGATIVAS." Armin me segurava com força.
A enfermeira entrou repentinamente e viu o caos.
Ela então me deu um sedativo em meio a confusão . . .
Tudo apagou . . .
Sabe . . . São muitas informações . . .
Eu sei que já tive muita informação bizarra na minha vida . . .
Mas, meu copo estava cheio. Ele tava transbordando já . . .
Acumulou tudo.
A minha mãe . . . Quebrou o copo completamente, e agora não consigo mais segurar noticia nenhuma . . .
Vi gente morrer, matei pra viver, vi gente sofrer muito, vi pessoa vir de outra linha só pra me manter viva, soube que o futuro tem uma doença que se assemelha a que matou meu pai, minha mãe morreu . . .
É muita coisa . . .
Eu . . . Não consigo mais suportar . . .
Sinceramente ? Não quero mais escrever . . .
Pra mim já chega . . .
"Ele" que escreveu no meu diário pedindo pra que eu anotasse tudo . . . Eu estou desistindo.
Pra mim já Chega.
Escrever só me faz remoer mais tudo isso . . . Eu não tocarei mais nesse diário . . .
. . . Até porque morto não escreve . . .
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Capítulo 118 - FESTA DO PIJAMA (PARTE 2)
Quando saímos da república a caminho da festa, eu ainda tava meio irritado com o Fred e a correria de acordar quase na hora de sair. A pressa sempre me deixa estressado. Mas logo que botamos o pé na calçada do prédio, fui atingido por aquela típica ansiedade boa. Uma mistura de taquicardia com dor de barriga e vontade de rir sem parar. Tem gente que acha que só existe "ansiedade", mas eu consigo separá-la em boa e ruim. Uma coisa é tu esperar o resultado de um exame pra saber se tu tá doente, outra é tu esperar uma festa começar. Na real, já devia estar começando!
A nossa rua tava cheia de gente passando de um lado pro outro ou tomando cerveja nos bares. Na esquina com a faculdade, vimos tipo uma prévia da festa. Já tinha uma galera de pijama, tanto os doidos que moravam ali perto tipo a gente quanto os alunos da noite, que tavam saindo da aula pra ir pra festa.
Fred: Caralho, isso vai rolar mesmo. Eu: Do que tu tá falando, velho?
Ele brisou enquanto a gente descia a rua da faculdade em direção ao ponto de táxi, que ficava próximo a outra esquina.
Fred: A gente tá na faculdade, mano. Nós três na porra da faculdade! Matt: Só agora tu percebeu isso? Fred: Vocês tão tentando foder com a minha brisa, mas eu não vou deixar. Vocês algum dia imaginaram que a gente faria faculdade MESMO? E que iria nas festas e tudo? Na moral, parece que eu to sonhando!
Eu não tava com muita paciência com o Fred, pra variar, mas entendi a felicidade dele. Quantas vezes já o ouvi mentindo pras gurias que já tava na faculdade? Era realmente um sonho. Como se virar universitário fosse mudar nossa vida do dia pra noite. Claro, algumas coisas mudaram, mas foi tudo tão gradual que eu ainda nem tinha sentido o choque.
Agora estamos aqui, nós três, indo pra uma festa universitária, dessas que eu só conseguia imaginar como deveria ser. E eu de cueca no meio da rua. Andando entre uma pá de gurias bonitas e caras mais velhos. Galera que faz faculdade! PORRA, FACULDADE!
Eu: FACULDADE, MANO! Fred: FACULDADEEEEEE! FESTA DA FACULDADE! OPEN BAR! TO DE CUECA, CARALHO! - parecia que o Fred tinha lido meus pensamentos. Matt: Mano. Todo mundo que tá aqui em volta também tá na faculdade. Deve ter gente que já tá até de saco cheio de faculdade. Então não tem muita graça vocês ficarem berrando isso agora... Fred: TU NÃO TÁ FELIZ PORQUE NÃO TÁ DE CUECA! Eu: HAHAH!
O Matt não achou muita graça porque não deve ter concordado. Ele e a timidez dele tavam muito bem com o corpo todo coberto pela flanela xadrez vermelha.
No ponto de táxi, não tinha nenhum carro parado, mas já tinham umas pessoas esperando na nossa frente. Inclusive uma moreninha bem bonitinha sobre quem eu nem comentei alto pro Fred não zuar que parecia a Alícia. Até que não demorou pra chegar a nossa vez de entrar no táxi, e lá fomos nós. O Fred se sentou no banco do passageiro e passou o endereço pro taxista. Eu e o Matt fomos atrás.
Matt: Mano, tá muito tarde. Alguém tem o celular do Felipe? Fred: Eu tenho, mas ele nem atende. Liguei mais cedo porque uma mina do bar queria convite. Matt: Tenta ligar agora de novo. Fred: Ele não vai atender, velho. O cara tá organizando uma parada pra mais de cinco mil pessoas. Eu: Nossa, mano. Responsa. Fred: A festa mais lotada que a gente já deu devia ter umas duzentas. Eu: Nem fodendo. Tinha muito mais que isso na Festa do Gab. Matt: Tu que fica bêbado antes de ver o resto das pessoas chegarem. Fred: HAHAHAH! MANO! Hoje eu vou ficar tão DOIDO, MAS TÃO DOIDO! DIZ AÍ, MOTORISTA? Taxista: Festa do Pijama da Atlética? Fred: ÉÉÉ, MANO! Tu tá faturando hoje, diz aí! HAHAH! Taxista: Opa...
O Fred continuou zuando o taxista, mas eu reparei que o Matt não relaxava.
Eu: Que foi, Matt? A gente encontra ele lá. Matt: Vocês tão pensando que essa festa é tipo as baladinhas que a gente vai na Mondal. Corre o risco de a gente nem ver o Felipe por lá. E aí, como vamos entrar? Ninguém tem convite. Eu: Mas a gente tem o Fred. A cara de pau dele é tipo convite pra qualquer lugar do mundo. Fred: Bixo? Nãããão, a gente tá no último ano. - ele falou pro taxista.
Antes ele mentia que tava na faculdade. Agora ele mente que é veterano.
Matt: Se tu diz, beleza. Eu: Sério, mano. Ainda mais porque ele é da TV da faculdade. É só dar uma chorada lá que a gente entra. Tem a Marcela também. Matt: Algo me diz que a gente nem vai conseguir falar quando vir a Marcela de camisola.
Dei risada, mas concordei. Fiquei quieto só imaginando o que ela estaria usando. Na minha cabeça era alguma coisa parecida com... Nada. E ela caminhando daquele jeito convencido dela, passando uma perna na frente da outra com tanta certeza do que tá fazendo que chega a parecer que andar é uma arte. E aquele peitão dela pulando enquanto ela caminha, pra cima, pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cim...
Fred: CARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAALHOOOO!!!
Pulei de susto com o surto do Fred. Fiquei tanto tempo pensando na Marcela pelada que nem vi o caminho passar. Pareceu que em segundos a gente tinha chegado na festa. E o berro do Fred com certeza foi por causa da quantidade de gente naquele lugar.
Fred: A gente nem chegou na porta do bagulho e já tá cheio assim!!!
Não existia mais diferença entre a calçada e a rua. Era gente andando pra todo lado e atravessando na frente dos carros como se eles nem estivessem ali. Se bem que tava tanto trânsito que era impossível atropelar alguém.
Taxista: Eu acho melhor vocês descerem aqui. Com esse trânsito, vou demorar muito até conseguir deixar vocês lá na porta. Fred: Tá perto da porta? Taxista: Não muito... Mas dá pra ir andando.
Não tínhamos muita escolha. Pagamos o táxi e saímos ali mesmo. Meu coração tava aceleradasso de ansiedade. Tinha gente pra caralho! E todo mundo de pijama mesmo. Os caras com conjuntos que imitavam os Bananas de Pijamas, outros com regatas e samba canção, outros só com shorts do pijama, e por aí vai. Mas as meninas... Ah, meu pai.
Fred: Tem muito mais mina vestida de vadia do que eu imaginei que fosse ter. - ele sorriu pra uma que passou.
Shortinhos de pano, blusas larguinhas, regatas apertadas, camisolas transparentes, tinham até umas doidas de corpete e cinta liga. Se elas dormem assim, eu é que não vou reclamar.
Ficamos perdidos fazendo jus aos bixos idiotas que somos, nos perdemos e demoramos um pouco pra descobrir a direção certa de onde ir. Mas nada que seguir o fluxo não resolvesse. Quanto mais a gente corria, mais o Matt se preocupava.
Matt: Mano, a gente não tá conseguindo achar nem a porta. Como vamos achar o Felipe?! Fred: FEEEEEEEEEESSTAAAAAAA! Eu: Relaxa, Matheus! Tem chance de ele estar na porta.
No caminho por onde a gente tava correndo, do lado direito tinha uma grade, e do outro lado era a rua, cheia de carros estacionados. A gente ficou imaginando que, quando terminasse a grade, estaríamos na porta. E foi bem isso o que aconteceu.
Confesso que eu fiquei tanto ou mais preocupado do que o Matt quando vi os dois seguranças enormes na abertura da grade, encarando todo mundo que atravessava. Se me pegassem com vários saquinhos de Crystal no bolso, eu tava fodido. Pelo menos eles não tavam revistando ninguém. Só pediam pra galera mostrar as carteirinhas de estudante. Aparentemente, aquela entrada era exclusiva pra estudantes da WA.
Eu: Os caras não tão nem olhando os ingressos, tá vendo? A gente vai conseguir entrar de boa! Fred: Que sorte, mano! E nem tem fila.
Tinha um belo dum aglomerado de gente, uma porra desorganizada, mas não tinha fila mesmo.
Eu: Viu, Matt? Não precisa ficar em choque.
Nos enfiamos no meio da galera que tentava entrar e da galera que tentava xavecar os seguranças porque tinha esquecido a carteirinha. Por sorte, nenhum de nós esqueceu. Mostrei a minha e entrei numa boa depois de atravessar o mar de gente.
Depois da entrada, tinha um espaço bem grande e vazio, com várias pessoas passando de lá pra cá. Mas a maioria tava indo pra uma mesma direção, do lado esquerdo.
Fred: FEEEEEEESTAAAAAAAA! Eu: AEEEEEEEEEEE! CARALHO! - eu tava muito feliz! Matt: Calma, mano. A gente tem que achar a entrada da FESTA ainda. Não deve ser aqui fora. É dentro desse bang.
Nesse espaço vazio onde a gente tava, tinha um puta galpão no meio. Nem sei se posso chamar de galpão... Era sei lá, um espaço de festa. Tipo uma balada gigante. E toda a galera tava indo pro lado esquerdo, depois virando pro lado direito da baladona, onde devia ser a parte da frente e a entrada da festa. Não pensamos duas vezes e fomos atrás.
O Fred já tava cantando várias músicas, eu rindo pra cacete, e até o Matt tava começando a relaxar. Aquilo realmente tava acontecendo! E parecia que todo mundo em volta tava tão feliz e ansioso quanto a gente. Mas quando viramos à direita, onde supostamente seria a parte da frente da festa...
Mano. Eu nem sei como explicar a sensação que eu tive. Tinha uma porra duma fila tão grande, que dava a volta até o OUTRO lado do galpão. Foi tipo levar um tapa na cara. "Toma essa, felizão". Felicidade de bixo dura pouco.
Fred: CACETE, MANO! Eu: É. Matt: A gente não vai entrar nunca. Fred: Para de ser pessimista, mano. Tu tá parecendo o Thom. Eu: Mas ele tem razão. Fred: Sai dessa. Claro que vamo entrar. Esperem aqui no final da fila que eu vou ter até onde essa porra vai. Eu: Nem fodendo. Eu te conheço! Tu vai encontrar uma vadia qualquer aí no meio, furar a fila e esquecer de vir buscar a gente aqui depois. Tu fica aqui. Matt: Eu vou vazar, se pá. Fred: MANO, VOCÊS SÃO DOENTES! Eu: Fica aqui. Eu vou procurar o Felipe. Fred: Por que tu?? Eu conheço muito mais gente que tu! Eu boto a gente pra dentro! Eu: Confia em mim. Se ficarmos só eu e o Matt aqui, a gente vai desistir em cinco minutos e ir embora. Fica aqui pra tu segurar ele. Fred: É... Pode crer.
Pior que eu falei sério. Consegui imaginar eu e o Matt reclamando sozinhos e decidindo vazar em minutos. O Fred pelo menos não ia deixar ninguém fazer isso.
Os dois ficaram lá esperando no fim da fila e eu fui atrás do Felipe. Ele não devia estar muito longe. Quero dizer, a porta não devia estar muito longe, e ele devia estar na porta. Vai dar tudo certo. A gente já tá vindo de graça pra essa porra, não podemos reclamar de nada.
Mas quanto mais eu andava, mais eu me desanimava com o tamanho da fila. Aquela merda não acabava nunca. Pelo menos a paisagem tava interessante com aquele monte de gurias prontas pra irem pra cama.
Quando finalmente consegui ver o fim da fila, até esqueci do Felipe ao ver a quantidade de seguranças revistando as pessoas na porta. Na moral, tinham uns vinte. Todos revistando todas as pessoas. Cheguei a ver um segurança jogando a garrafa de ÁGUA de um moleque fora. Imagina o que ele ia fazer com o meu Crystal? Enfiar no meu cu, no mínimo. Tremi na base. Não posso entrar nessa merda com droga no bolso. Não nessa quantidade! Uma paranguinha tu até consegue esconder na cueca ou na meia, mas cinco sacos de Crystal não. E eu nem to de meia!
O que eu faço? Jogo fora? Não tem como! To ligado que se os seguranças me pegarem, eu não vou preso. O Z Club vai me livrar disso. Mas até lá, certeza que eu vou apanhar pra ca-ra-lho. E nem vou na festa.
Mano. To achando que eu não vou na festa de qualquer jeito. Tem essa fila do cacete que vai fazer demorar umas duas horas a nossa vez de entrar, tem o Crystal no meu bolso, tem o Felipe que não aparece com nossos convites... É, vamo embora. Eu fico na bad só de pensar nisso, imagina quando eu realmente estiver indo embora. Mas fazer o quê?
Ah, são quatro anos de curso, certo? Na próxima a gente vai. A próxima não vai ser festa da Atlética, nem vai ser do pijama, nem vai ter esse monte de gurias semi nuas, mas tudo bem. Talvez nem seja open bar. Mas tudo bem. Talvez a gente nem ganhe ingresso de novo. Mas tudo bem também.
Mano, tudo bem é o caralho. A gente se fodeu. Que azar.
Pareceu que eu demorei três dias pra chegar até onde o Fred e o Matt tavam. E quando cheguei lá, reparei que só entraram umas quatro pessoas atrás deles. Nós realmente éramos os últimos a chegar na festa. É a nossa cara ser babaca desse jeito.
Matt: Que cara é essa? Fred: Nem abre a porra da boca se for pra desanimar a gente! Eu: Não achei o Felipe e a porta ta longe pra caralho, na moral. Vai demorar muito. Matt: Vamo embora. Fred: MANO, MATHEUS! FICA NA TUA! Tu não viu mais nenhum conhecido? Eu: Tu acha que eu conheço alguém? Eu fui três vezes pra aula. Fred: Porra! NINGUÉM? Eu: Na boa, mano. O Matt tem razão. Vamo vazar. Fred: Vocês são uns merdas. Eu: Tu sabe, o Matt sempre tem razão nessas coisas. É uma merda, mas vamo nessa. Matt: Fred, presta atenção. A gente vai ficar três horas numa fila pra chegar lá na frente e correr o risco de nem entrar. Fred: Vamo comprar com cambista! Sempre tem uns caras vendendo na porta. Eu: Por dez mil dólares cada ingresso. Tu paga pra todo mundo? Fred: To sem cartão internacional. Matt: Ele falou dólares zuando, idiota. Fred: Ah. Então eu pago! Vamo aí! Eu não vou embora nem fodendo. !: Cambista? - um cara que tava atrás da gente perguntou. - Vocês encontraram alguém vendendo lá fora? Eu: Na real a gente nem procurou. !: Ah... É porque tem um amigo meu querendo comprar, mas a gente nem encontrou ninguém vendendo. Fiquei uma hora e meia procurando.
O Matt fixou os olhos no Fred.
Matt: Vamo embora. Fred: NÃO VOU EMBORA! Eu: Caralho, Fred. Tenho dó da tua mãe contigo no mercado. Matt: Devia ser daqueles pentelhos que se jogavam no chão por um kinder ovo. Fred: A gente vai entrar nessa porra!
O Fred surtou e saiu andando, provavelmente em busca de um ingresso ou de um conhecido que nos botasse pra dentro.
Matt: Vamo nessa. Eu: Tudo bem deixar ele aqui? Matt: Daqui à pouco ele encontra um brother e nem lembra que a gente veio junto. Na boa, a gente não precisa ficar sete horas na fila pra entrar numa festa. Quero dizer, deve ter qualquer amigo nosso dando uma festa AGORA. Eu: Pode crer. Matt: A gente vem na próxima. Eu: Pode crer.
Silêncio.
Matt: Mas eu queria ir nessa. Eu: É.
Suspiramos.
Matt: Vamo esperar o teimoso do Fred voltar. Ele é nossa última esperança. Se ele não der um jeito, vamos embora. Eu: Beleza. Posso ligar pro Luc pra ver o que eles tão fazendo. Matt: Demorou. Daí a gente fuma um beckzinho. Se pá nem deve poder fumar aí dentro. Eu: Certeza que não.
Ficamos quietos, olhando pro horizonte, esperando o Fred voltar. Acho que nós dois estávamos pensando como seria se entrássemos na festa. Aquele monte de bebida open bar, o sorteve e a pizza de open food, as gurias de camisola passando pra lá e pra cá. Não demorou muito pro Fred voltar com cara de merda.
Fred: Ninguém. Matt: Cara, se tu não deu um jeito, eu não sei mesmo o que poderia nos salvar. Eu: Vamo nessa. - eu já tava ficando aliviado por não ter que me preocupar com os seguranças lá na frente. Fred: Calma. Deixa eu pensar. Eu: Isso vai demorar. Fred: Silêncio.
Ficamos quietos, esperando uma ideia mirabolante.
Fred: Vamo pular o muro. A gente sempre faz isso. Matt: Faz uns dez anos que tu sabe que eu não sei pular muro! Eu: NEM TEM MURO! Fred: Ah. Eu: Tu não viu NENHUM conhecido na fila, Fred? Nem os amigos do Dudu, a Vicky, alguém da tua sala? Fred: Vi a Rafaela. Mas ela meio que me mandou tomar no cu quando pedi pra furar fila. Culpa tua! Eu: Cala a boca, velho. Fred: Vamo tentar burlar, mano. A gente fica na fila e, quando chegar lá na frente, se enfia no meio das pessoas e passa sem ninguém ver. Eu: Tá doido? Nem tem como fazer isso!
Meu estômago se revirava só de imaginar os caras me pegando entrando sem ingresso e com Crystal no bolso.
Matt: Eu topo. Eu: TU?! Matt: A gente já tá aqui, velho. Com o trânsito, vamos demorar mais pra chegar em casa do que pra chegar na porta da festa. Fred: AEEEE, MATHEUS! Matt: O Fred me convenceu. Vamo aí, Thom.
Caralho, mano. Eu não vou conseguir fazer cara de paisagem e tentar passar despercebido na porta com droga no bolso. Minha cara de nervosismo vai me denunciar na hora. O que eu faço?
Fred: Vai dar certo, velho. Tá a maior zona lá na porta! Tem muita gente. Não é possível que eles não deixam ninguém passar despercebido.
O que eu faço? O que eu faço? Engulo esses saquinhos? É perigoso eu ter um AVC.
Matt: Demorou. Vamo. A fila tá andando agora.
E meu coração pulando. O que eu faço, caralho?!
Fred: AEEEEEE! FEEEEESTAAAAA!
Vou jogar fora. Vou jogar uns dois mil reais fora assim, mas eu juro que prefiro fazer isso do que apanhar. Já apanhei muito nessa vida, na moral. Pior que, pensando bem, acho que apanhei pouco perto do quanto já fui ameaçado de apanhar.
Vou jogar fora. Falei pros caras que ia mijar num canto qualquer e saí em busca de um lixo, buraco, um lugar onde eu pudesse jogar o Crystal fora.
Eu também poderia falar que desisti e ir pra casa guardar isso, depois voltar. Mas o Fred não me deixaria ir embora. E eu também não quero dar pala. Eles achariam muito estranho eu resolver ir embora sozinho do nada. E seria mais estranho ainda se eu voltasse depois disso. Eu vou jogar fora.
Achei uma rachadura no chão de cimento da área da fila e decidi que seria ali mesmo. Se eu escondesse bem, poderia até tentar pegar de volta antes de ir embora. Fiz alguns segundos olhando pra aquele buraco no chão antes de decidir me abaixar pra jogar o Crystal fora. Eu vou ter que pagar essa merda de algum jeito depois. Vai se foder, mano. Eu só me fodo. Mas vamo lá. Daqui à pouco eu vou estar dentro da festa, bebendo pra cacete, me divertindo, vamo lá. Respirei fundo e me abaixei pra jogar tudo fora.
Felipe: O QUE TU TÁ FAZENDO AÍ?!
E o Felipe surgiu do além, totalmente do além. Totalmente. Do além. Eu seria capaz de beijar a boca dele de tanta felicidade. Não consegui não abrir o maior sorriso do mundo. Ele tava com uma cara de inconformado.
Felipe: TÁ PERDIDO, CARALHO?
Ele devia estar estressado com tudo aquilo pela cara de surtado.
Felipe: VAMO AÍ, VELHO! VAMO ENTRAR!
Disso isso com impaciência e saiu andando em direção à porta. Demorou um pouco pra minha ficha cair, mas logo que caiu, eu fiquei em choque.
Eu: Quê? QUÊ? - olhei pros dois lados. - FRED! MATT! FREEEED, MATHEUS!!! FELIPE, MANO, CALMA AÍ!
Voltei correndo pro final da fila e chamei o Fred e o Matt, que tavam com a maior cara de tédio. Eles nem entenderam o que eu falei, mas vieram atrás de mim. Saí correndo pra tentar encontrar o Felipe de novo. E lá estava ele um pouco a frente de nós, sem camisa, usando uma calça de moletom na cor vinho e chinelos pretos.
Parecia mentira. A gente andando rápido pra acompanhar o Felipe até a entrada e vendo toda aquela galera parada na fila olhando pra nossa cara com raiva. Todo mundo nos secava dos pés a cabeça, tipo "quem porra são vocês pra passarem na frente na fila?". Eu não conseguia não dar risada. O Fred berrava tanto que parecia que tava num show de rock.
Eu me senti o cara mais foda do mundo quando vi a Rafaela na fila, me olhando com todo o desprezo possível. Fica aí se fodendo na fila, filhona. To zuando, não tenho raiva dela. Tenho raiva da situação em que o Fred me botou com ela. E um pouco dela, que é quase tão boca aberta quanto eu e me xinga toda vez que me vê. Mas no fundo, não queria que ela me odiasse. Ela tem uns peitão.
O Felipe passou entre os seguranças... E nós passamos atrás dele. Ele só apontava pra gente e atravessava, pra mostrar que estávamos com ele.
Passada a muralha de seguranças - e eu são e salvo com meu Crystal! -, descemos uma rampa que finalmente dava acesso à festa, lá no final. Nessa rampa tinham uns fotógrafos tirando foto de quem quisesse guardar uma recordação do rolê. Eu não sou dos caras mais fotogênicos, e queria mais esquecer de tudo do que lembrar de tudo.
No final da rampa, o Felipe empurrou uma porta gigante estilo bang bang e abriu espaço pra gente passar.
Felipe: Com vocês, Festa do Pijama.
Ele riu com a nossa cara de deslumbrado e saiu fora assim que a gente entrou.
A música era tão alta que eu mal conseguia pensar. Eu não conheço muito de música eletrônica e DJs, mas a quel tava tocando não me era estranha. Devia ser alguma famosa do Aviici. Nós três ficamos um bom tempo sem falar nada um pro outro, só olhando em volta. Eu me perguntava se não tava no paraíso.
Tinha uma pista de dança tão grande que eu nem consigo explicar. E isso nem era o mais legal. No final da pista, lá longe (mesmo), a cabine do DJ ficava num palco luminoso. Atrás do palco, tinha um telão enorme passando coisas sem sentido. Naquela hora era tipo o clipe de uma mulher pelada com fogos de artifício explodindo atrás. Em volta da pista tinham espaços bem grandes com sofás. Do lado esquerdo, ainda tinha uma porta que dava acesso a outra pista e banheiros. Do lado direito, mais banheiros, um bar gigante, e uma escada vazada que dava pro segundo andar, onde tinha outro bar e um espação pra galera curtir. Mas o melhor mesmo ficava na parte de trás da pista principal, bem perto de onde a gente tava. O bar. O maior balcão de bar da festa inteira. Eram metros de pura perdição.
Eu: Open. Matt: Bar. Fred: É OPEN BAAAARRRRRR!
A gente até esqueceu das gurias de camisola quando viu aquele monte de bebida de graça. E foi realmente de graça, a gente nem pagou pra entrar!
O bar era tão grande que nem tinha como ficar lotado de gente. Eu pedi vodca com energético pra começar, porque a guria do bar me disse que só tinha Heineken no bar do segundo andar. Pra minha feliz surpresa, não veio um copo com vodca e energético. Veio um copo com vodca e gelo E OUTRO com energético. Sem miséria! O Matt pediu o mesmo que eu, e o Fred pediu um bagulho que eu nem sei dizer o que era. Só sei que ele pegou três copos e ficou tentando segurá-los com duas mãos. Os olhos dele brilhavam.
Matt: Por que tu pegou três?! Fred: PORQUE É OPEN BAAAAARRR!!!
Ele jogou um copo no chão, bebeu o outro em segundos e deu o terceiro pra uma guria bonita que passou.
Fred: AEEEEEEEEEEEEEE! - levantou os braços pra cima e berrou com a bebida escorrendo pelo canto da boca. Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHHA! Matt: HAHAHAHAHAHAHAHA! ISSO NÃO VAI PRESTAR!
Eu quase me afoguei na vodca de tanto rir! O Fred precisa já vir bêbado pras festas mais vezes. Assim já chega causando. Ele se debruçou no balcão:
Fred: Mano, é open bar MESMO?
O cara do bar respondeu que sim, meio sem entender.
Fred: Posso pedir O QUE EU QUISER? Cara: Pode. Fred: Quero aquele da garrafa vermelha com o amarelo e vodca. Tudo junto. Põe whisky também. Que isso ali do lado direito? Põe também.
Eu tava ficando bêbado só de reparar no Fred. Enquanto ele fazia o drink do inferno, eu e o Matt ficamos "dançando" no ritmo da música, mexendo nossos copos de vodca e energético de um lado pro outro. A gente não podia estar mais feliz. Era impossível.
Logo que o Fred apareceu segurando mais uns quatro copos e derrubando tudo conforme se mexia, a gente foi pro meio da galera na pista. Eu nem sabia que merda tava tocando, mas tava tão engraçado que nem me importava. A gente tentava conversar sobre qualquer merda, mas nem dava pra ouvir nada com a altura da música, então a gente só dava risada e pulava mesmo, esbarrando nas pessoas e derrubando quase o copo inteiro no chão. Nós três merecíamos aquele tempo de comemoração depois do perrengue do lado de fora. Quando começou a tocar uma música conhecida, nos divertimos mais ainda. Era um remix de Ni**as in Paris do Jay Z com Kanye West.
Fred: BALL SO HARD MOTHERFUCKERS WANNA FINE ME! THAT SHIT CRAZY! THAT SHIT CRAZY! THAT SHIT CRAZY! THAT SHIT CRAZY!
O Fred tava tão maluco que eu tava com medo do que ele poderia fazer dali pra frente. Mas na real acho que ele tava mais feliz pela festa da faculdade do que bêbado.
Passamos um bom tempo assim: quando a bebida acabava, a gente ia no bar, pegava mais, voltava pra pista, bebia metade, derrubava metade, voltava pro bar, pegava mais, voltava pra pista, bebia metade... E a cada volta pra pista a gente tava cada vez mais torto. E o limite parecia que não existia. Poderíamos continuar naquele looping pro resto da vida.
Quando começou a tocar Wild for the Night do A$$AP, eu já nem sabia direito onde eu tava. Tá ligado quando tu tá tão bêbado que tu meio que esquece onde tu tá por uns segundos? E aí tu tem aquele tempo de volta de consciência, quando tu olha em volta tentando entender o que tá acontecendo. Olhei pro Matt e vi que ele tava de olho fechado se mexendo de um lado pro outro, tentando dançar, mas totalmente fora do ritmo. De vez em quando ele parava pra dar um gole maior na bebida e não derrubar na roupa. Mas a camisa dele já tava nitidamente molhada nuns pedaços.
O Fred, óbvio, tava pegando uma mina. Sorri sozinho. Pelo menos não vamos ter ninguém recebendo latas de cerveja na cabeça hoje. Só queria entender como isso aconteceu. Como uma mina vê que um cara tá tão chapado quanto o Fred e pega ele mesmo assim? O que foi que eles conversaram? Que merda eu to falando? Certeza que eles nem conversaram. Um olhou pra cara do outro. Fred: "peitos". Mina: "sei lá". Não sei o que uma mina pensa quando vê o Fred. Eu ia pensar "cabelo de gay". Vai ver ela curte cabelo de gay. Tô bebasso minha nossa senhora.
Vi o Fred enfiando as mãos por baixo da blusa da guria e passando as mãos pelas costas dela, enquanto ela segurava tão forte no cabelo dele que parecia que ia arrancar fora. É, ela deve curtir cabelo de gay. De qualquer forma, aquilo me deu muita vontade de pegar alguém. Mas como eu ia conversar com alguém nesse estado? Eu nem lembro como chega numa mina SÓBRIO. Imagina chapadão. Parece que eu fiquei casado 10 anos, e não namorei uns 9 meses. Perdi o jeito do bang.
Eu: Preciso pegar alguém. - cutuquei o Matt. Matt: Quê? - ele respondeu baixo, chapado. Eu: PEGAR ALGUÉM! Matt: Quem? - os olhos dele tavam quase fechando.
Dei um tapa nas costas dele.
Eu: EU PRECISO PEGAR ALGUÉM! Matt: Ah! - ele acordou. - Tu tá bem? - ele soluçou. - Quero dizer, esqueceu a Alícia? Não esqueceu. Mas tá de boa dela? Da Alícia? - ele tava confuso e falando muito enrolado, mas consegui entender. Eu: De boa não. Mas a vida segue. Matt: Tá. - ele deu um gole, olhando pro além. Eu: Tu ouviu o que eu falei? Matt: O quê?
Como se o Matt pudesse me ajudar a pegar alguém. Coitados de nós. Mas vamos lá. Se o Fred consegue, eu também consigo. E eu nem tenho cabelo de gay tipo o dele. Devia ser mais fácil pra mim, certo?
Não. Caralho. Por onde eu começo? O viado do Fred podia parar de pegar a mina logo e me ajudar a pegar uma guria. Mas parecia que os dois tavam colados pela boca. Olhei em volta em busca de uma presa. Ou melhor, uma mina que não fosse tão bonita a ponto de me dar um fora só de olhar pra minha cara, nem tão feia que eu me envergonhasse depois. E que fosse baixinha, magrinha, de cabelo comprido, morena, olho claro, nariz arrebitado, bunda certinha, tivesse cheiro de morango, curtisse dar de quatro e ouvisse Beatles.
Alguém me ajuda.
Preciso beber mais. Peguei o copo do Matt e dei um gole tão longo que devolvi vazio pra ele, mas ele nem percebeu. Encostei no braço da primeira guria que passou, mas ela nem olhou na minha cara. Tem tanta gente encostando nessas festas que isso não vai chamar atenção de ninguém. Sem contar que eu acho babaca ficar pegando nas minas sem nem ter falado um "oi" pra elas antes. Eu, se fosse mina, ia dar na cara de quem ficasse passando a mão em mim do nada.
E lá estava ela, do meu lado. Pude ver no canto da minha visão uma guria menor que eu, usando uma camisola preta. Tinha o cabelo escuro e escorrido até os ombros. Não deu pra ver se ela era muito gostosa, porque eu não tava enxergando bem e o lugar tava cheio. Eu nem vi direito como ela era na real, só abri a boca.
Eu: Fala aí.
Ela percebeu que eu tava ali e tava falando com ela, mas ignorou.
Eu: Tu faz WA?
Nada. Continuou falando com quem quer que fosse. Nem vi se ela tava com alguma amiga, ou com algum cara, nada. Mas ela nem olhou pra minha cara.
Eu: Cara, será que tu pode me ajudar?
Ela virou o rosto na minha direção.
Mina: Oi? Eu: Faz quase um ano que eu só pego uma pessoa. Tu pode me ajudar a voltar a ativa pelo menos olhando pra minha cara enquanto eu falo contigo? Mina: Ooooi? HAHAHAHA! - ela fez uma cara estranha, mas riu. Eu: Tu entendeu o que eu falei? Mina: Ahn... Não? Quem é tu? Hahahaha!
Ótimo.
Eu: Bruno. To no último ano da WA, e tu? Mina: Amanda... Tu estuda o quê? Eu: Relações internacionais. Mina: Ahh. Eu to na blablabla.
Ela falou o nome de uma faculdade mas eu nem entendi. E nem tava muito interessado também.
Mina: Tu falou que faz um ano que tu não pega ninguém? Eu: Não! Que eu só pego uma pessoa. Mina: Tu namora então, certo? Eu: Não, nem fodendo. - por que eu falei desse jeito? - Eu terminei agora. Mina: Ah tá. Eu: E pensando bem, eu não fiquei pegando só ela todo esse tempo. Peguei outras também. - lembrei da Layla e da guria da praia. E a Clarissa. E deve ter tido mais gente... Mina: Tu traiu tua namorada então? Eu: Não! Eu... Fred: FALA AÍ, THOMMMMM, MEU FILHOOOOO!
A guria olhou pro Fred, cruzou os braços e me olhou de novo. Fred burro do caralho.
Mina: Thom, né? Fred: O CARA MAIS BONITO QUE EU CONHEÇO! OLHA ESSAS SOBRANCELHAS!
Ela revirou os olhos.
Mina: Boa sorte pra tua namorada, porque ela tá precisando.
Ela riu e saiu andando.
Eu: AÍ, SEU BURRO! - dei um tapa na cabeça do Fred. Fred: Que foi, caralho?!
Reparei que ele tava com um braço por cima dos ombros da guria que ele tava pegando.
Eu: Eu tava xavecando a guria e tu fodeu com tudo! Fred: Por quê?! Ela não curte sobrancelhas?? Eu: Imbecil... Depois não vem encher meu saco se eu não pegar ninguém. Eu to tentando e tu não tá ajudando. Tu podia me ajudar. Fred: Tu quer pegar alguém? Agora? Eu: Sim. Fred: Demorou! Pega ela, mano.
Ele apontou pra guria que ele tinha acabado de pegar. Ela tava dançando com o braço dele por cima dos ombros dela.
Eu: Tu acabou de pegar ela, velho. Fred: E daí? Eu: Claro que não. Fred: Pega ela, Thomaz. Eu: Não, porra. Tem saliva tua na boca dela ainda. Fred: MANO, PEGA ELA! Eu: NÃO, CARALHO! Fred: Ô, pega meu amigo. - ele falou com ela. Eu: MANO, TU TÁ CHAPANDO? Fred: Ele é da hora. E sabe tocar guitarra.
Ela riu.
Eu: Não sei tocar nada! Não vou fazer isso, velho! Fred: Tu não vai pegar ela só porque eu acabei de pegar? Eu: É, UÉ! Fred: Eu já te beijei dormindo.
Silêncio.
Fred: PRESTA ATENÇÃO, THOMAZ, CARALHO! - ele me deu um tapa tão forte na cabeça que eu fiquei quatro vezes mais bêbado. - PEGA A PORRA DA MINA! Eu: NÃO! Fred: Tu não tinha essas frescuras antes! Tu tá ESTRAGADO! EU VOU TE CONSERTAR! PEGA A PORRA DA MENINA! Eu: NÃO VOU, CARALHO!
O mais bizarro era que a gente tava tendo aquela discussão com a menina do lado, que tava visivelmente bebassa.
Fred: Thomaz. Tu é uma bicha. Eu: Eu to sendo sensato. Fred: Tu nem sabia o que significava "sensato" antes de namorar a Alícia. Eu: Aposto que tu nem sabe o que significa. Fred: Tu virou um idiota. Que vergonha. Eu: Cala a boca, velho. Fred: Tu nunca mais vai ser o Thomaz de antes. Aquele Thomaz desbravador de calcinhas. Eu: Nossss... Fred: Tu nunca mais vai abrir um sutiã com aquele orgulho de antes. Porque tu nunca mais vai pegar nenhuma mina por conta própria. Tu não sabe mais. Tu é um FRESCURENTO, VIRGEM, VAI FICAR QUATRO ANOS SEM COMER NINGUÉM! Eu: MANO, VIRA ESSA BOCA PRA LÁ! Fred: TUA VIDA DE SOLTEIRO SÓ VAI SER PURA DEPOIS QUE TU BEIJAR ESSA BOCA IMPURA!!! - ele apontou pra guria, que não parava de rir. Eu: Caralho, Fred... Tu fala cada merda... Fred: TU TÁ COM ZERO DE RESPEITO COMIGO, THOMAZ! SÓ VOU TE TRATAR COMO NOS ANOS DOURADOS DEPOIS QUE TU DEIXAR DE SER UM BUCETÃO E PEGAR ESSA MINA NA MINHA FRENTE E...
O que eu tinha a perder, certo? No máximo ia pegar uma doença do Fred. A guria era bonita, mesmo, eu pegaria ela fácil deixando de lado a saliva do meu amigo. Mas mano, foda-se. Em partes ele tem razão. Eu não tinha essas frescuras antes. Na real nem consigo chamar de frescura hoje, porque eu acho bem justificável, mas... Mano, eu nem usaria a palavra "justificável" tempos atrás. Seria formal demais pra mim. Eu nem usaria "formal". Quem sou eu? No que o namoro me transformou? Quando vi já tava beijando a mina.
Fred: AAAAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEE!
O Fred saiu pulando e jogando bebida pra cima. No fim, como eu tava bêbado e na seca, eu cheguei a esquecer a brisa dela ter pegado o Fred antes e fiquei lá pegando ela de boa. A guria era gostosinha e beijava bem. E parecia que ela tava curtindo me pegar também. Ficamos ali um tempo, não muito... Sei lá. Eu já tava com a noção de tempo totalmente bagunçada. Mas uma hora eu meio que cansei de pegar ela e parei. Não cansei dela, mas queria fazer outra coisa. Não queria casar nem fodendo. Fui parando de beijar aos poucos com selinhos. No fim ela sorriu, me deu um selinho mais demorado e vazou. Ela não sabia meu nome, eu não sabia o dela. É nóis.
Confesso que saí meio anestesiado daquilo. Minha boca tava até meio inchada, eu não tava sentindo ela direito.
Aê, Thomaz. Tu consegue, cara. Tu vai voltar a ser o velho Thomaz. E o velho Thomaz pegaria outra bebida agora. E foi isso que eu fui fazer. O Matt e o Fred deviam estar no bar enchendo a cara.
No caminho até o bar, passei perto de um dos banheiros e vi uma bunda e um cabelo que eu reconheceria de longe, em qualquer lugar. Uma bunda redondinha. E um cabelo vermelho. Eu apostaria meu pau que era a Clarissa. E bingo. Assim que ela virou de perfil pra olhar em volta, tive certeza de que era ela. Tava sozinha, tipo esperando alguém sair do banheiro.
Não tinha hora nem lugar melhor pra gente se encontrar. A gente se pegou na festa do Gab, depois de uns dias ela me mandou mensagem pra gente combinar de sair, mas eu não dei muita bola. Eu não queria sair com ela. Mas eu queria pegar ela. Eu esperaria um pouco antes de ir falar com ela se estivesse sóbrio, pra pelo menos pensar no que dizer. Mas eu tava tão treze.
Eu: E aí.
Ela me olhou meio assustada, mas cumprimentou de volta quando me reconheceu.
Clarissa: E aí.
Ela continuou de braços cruzados. Não sei se era porque eu já tava louco o suficiente pra começar a alucinar coisas, mas parecia que ela não tava muito animada em me ver. E logo depois do “e aí”, eu não sabia mais o que falar.
Eu: Veio na festa da minha faculdade então?
Clarissa: É… Né. – ela riu da minha pergunta com resposta óbvia.
Eu: É… Fodida, né?
Clarissa: Parece legal. Cheguei faz pouco tempo.
Ela falava comigo e olhava pra todos os lados, menos pra mim.
Eu: To indo pro bar. Quer ir comigo?
Clarissa: Não, na verdade…
Eu: Eu te pago! HAHAHAH! Tá ligado?
Clarissa: Ah… É. – ela forçou uma risada.
Logo ela se fazendo de difícil? Tipo, eu curto ela, não acho que ela seja uma vagabunda da pior categoria, mas difícil ela nunca foi. Pelo menos comigo.
Eu: Vai, vamo lá. Eu vim com uns amigos, eles tão me esperando lá.
Clarissa: Pode ir. A gente se vê depois.
Já sei. Meu nível alcóolico me fez demorar pra perceber, mas certeza que ela tava bravinha porque eu não respondi a mensagem dela sobre ir marcar um rolê na padaria.
Eu: Ah, e do nosso rolê, eu…
Clarissa. Thom. – ela finalmente descruzou os braços e chegou bem perto do meu rosto. – Eu vim com o meu namorado. Tá bom?
Ela… O quê?
Eu: Quem?!
Clarissa: Eu namoro. Lembra? Então se tu puder ir pra lá, é melhor.
Eu fiquei tão em choque de ser praticamente chutado pra longe dela que eu nem soube o que falar. Fiquei lá parado olhando pra cara dela, tentando assimilar as últimas palavras.
Clarissa: Thom? – ela arqueou as sobrancelhas, impaciente. – Ele tá saindo do banheiro.
Eu: Eu vou… Fumar. Até.
Eu não fazia nem ideia de onde era o fumódromo, mas saí andando. Na real, eu nem tinha nenhum cigarro comigo naquela hora. Meu bolso tava ocupado com Crystal. Eu só precisava sair andando pra onde quer que fosse. No caminho até não sei onde, eu não conseguia pensar em outra coisa.
Eu: A filha da puta me chutou pra pegar outro cara.
Eu fui recusado. Praticamente levei um fora da última mina que eu pensei que fosse me dar um fora na vida. Parei no bar gigante do final da pista, aquele mesmo que eu tava indo toda hora com o Fred e o Matt, e pedi mais vodca com energético. Primeiro a mina me deu o copo com vodca e gelo, depois saiu pra pegar o energético. Quer saber? Aquilo tava demorando demais pra mim. Peguei o copo só com vodca e saí fora.
Quando eu tava descendo os dois degraus que davam pra pista, consegui ver a Clarissa de longe, de mãos dadas com um maluco, indo em direção à porta principal, por onde entramos. Tomara que estejam indo embora. Se bem que, nesse horário, tem mais chance de eles estarem saindo só pra tomar um ar. Ou ir pra outra pista. Ainda vou ser obrigado a encontrar essa vaca hoje de novo. A festa é grande, tem bastante gente, mas do jeito que eu sou cagado…
Filha da puta. O viado do namorado dela é o puto do Henrique! Eu reconheci na hora. O escroto que me bateu naquela festa. O mesmo escroto de sempre. Esse cara só causa com ela, e mesmo assim eles voltam a namorar. Eu me lembro da vez em que fui dormir na casa dela e fiquei sabendo da existência dele, porque ela entrou na bad e começou a me contar que gostava de um cara parecido comigo. O que eu tenho de parecido com ele? Só se for a filhadaputagem. E ainda assim, acho que ele ganha de mim nesse quesito. Filho da put…
Fred: Quer pirulito de maconha?
Eu: Que susto.
Fred: Quer?
Eu: Cadê o Matt?
Fred: Ele tava atrás de mim. Quer ou não quer o pirulito?
Eu: Que pirulito, caralho? Não quero nada.
Fred: Pega aí.
Eu: Eu não quero.
Fred: Toma. – ele bateu com o doce no meu peito. – É de Amsterdã.
Eu: Eu não quero, Fred.
Fred: Experimenta, Th…
Eu: EU NÃO QUERO ESSA BOSTA, CARALHO!
Fred: Nossa.
Eu: Tu tá com essa mania escrota de ficar me obrigando a fazer as coisas!
Fred: E aí. Curtiu a mina? – ele rasgou o saquinho do pirulito e colocou na boca. Era verde.
Eu: Normal. Encontrei a Clarissa.
Fred: Quem é essa?
Eu: A ruiva.
Fred: Que ruiva?
Eu: A Clarissa, pô. Ruivinha.
Fred: Peituda?
Eu: Não muito.
Fred: Não sei quem é. Caralho, mano. Tem gosto de mato essa porra. – ele tirou o pirulito da boca e ficou olhando.
Eu: A ruiva que eu pego faz uns novecentos anos, Fred. Que eu peguei na Festa do Gab.
Fred: Comeu?
Eu: Sim.
Fred: Agora?
Eu: Ahn?! Não, mano.
Fred: Tu é um lixo, hein.
Ele pegou o copo da minha mão e deu um gole.
Eu: Folgado do caralho.
Fred: Mano. – ele virou o copo e deixou a vodca cair no chão.
Eu: O QUE TU TÁ FAZENDO?!
Fred: É OPEN BAR!
Eu: Mas o bar tem fila, caralho! Que merda!
Fred: Cacete, Thommo. Tu consegue ver o lado ruim de TUDO, hein? É tipo um dom.
Eu: Tsc.
Fred: Quer o pirulito de maconha?
Eu: Mano, sai daqui.
Fred: A gente já trocou saliva hoje mesmo.
Eu continuava incomodado com o negócio da Clarissa. Era não era ciúme. Era só um incômodo. Não curti ser chutado. E eu tava mais incomodado ainda por estar incomodado com isso. Não sei explicar.
Fred: Vamo aí. Eu fico na fila pra pegar uma vodca pra ti.
Andamos alguns passos e chegamos no bar, que já não tava mais tão cheio. Acho que foi tipo azar meu aquela hora em que demorei pra conseguir um copo de energético. Fiquei esperando o Fred pegar nossa bebida, ainda ruminando a fita da Clarissa. O Fred voltou segurando quatro copos.
Eu: Tu não precisa pegar noventa copos toda vez que for lá. A bebida não vai acabar.
Fred: Eu fiquei dez minutos sem beber. Preciso recuperar o atraso. – ele me deu dois copos. – Mas fala aí. Por que tu não comeu a Clarissa?
Eu: Porque eu nem peguei ela.
Ele arregalou os olhos.
Fred: Tu o quê?
Eu: É, eu…
Fred: Eu acho que eu não ouvi direito.
Eu: Ela tava aí com o namorado.
Fred: Namorado?! HAHAHAHAH! Thommo, tu tá pior do que eu pensava!
Eu: É, mano! Fui chegar nela na moral, ela me mandou vazar porque tava com o namorado. To puto com isso.
Fred: Puto por que, idiota? Que que tem?
Eu: Porra! Fui trocado, tá ligado? Eu cheguei nela e ela me mandou VAZAR. É pior que levar um fora!
Fred: Claro que não, velho. Não fala merda. Tu não pegou ela na Festa do Gab?
Eu: Peguei.
Fred: Então, ela não vai deixar de te pegar por que tá namorando. Ela só não vai te pegar com o namorado dela do lado, né, velho?
Eu: Ah, mano… Achei zuado.
Fred: Cala a boca, Thommo. Pensa que tu só fica com a parte boa.
Eu: Ainda mais porque o namorado dela já me bateu.
Fred: Mano, foda-se. Tu tá pegando a mina dele. Tu é o amante! HAHAH! AEEE, THOM! AMAAANTÊÊ, AMAANTÊ! – ele começou a cantar e pular.
Eu: Ô, cala a boca!
Fred: Tu é tipo o putinho da mina. Não é engraçado? Hahahah! Quando ela quer só dar umazinha, ela te liga. Quando é pra almoçar com a mãe, ela leva o maluco. É perfeito.
Fiquei imaginando o Fred com uns 20 e tantos anos. A profissão dele seria amante de velha rica. Ia ter uma velha ricaça que ia pagar tudo pra ele, até um flat pra ele morar. Ele continuaria levando a vida que leva hoje, só que ganhando dinheiro pra isso. Tudo o que ele precisaria fazer seria comer a velha quando ela ligasse, cansada do marido broxa.
Fred: Tu tá me ouvindo?
Eu: Não. Tava viajando.
Fred: Vamo chegar naquelas minas.
Eu: Ah, não, mano…
Fred: Tu nem viu a cara das minas! – ele reclamou.
Eu: Eu quero ficar de boa um pouco, beber. Me deixa quieto um pouco.
Fred: Quieto tu fica na tua casa, Thommo. Vamo lá.
O Fred tava com aquela mania escrota de ficar insistindo nas coisas, então achei melhor ir logo, antes que eu perdesse a paciência. A Clarissa já tinha quase conseguido cortar a minha brisa. Se eu ficasse puto com o Fred, ia acabar ficando de saco cheio de vez. Eu não podia deixar minha noite ser estragada assim.
Fred: Ó, pra tu ficar mais tranquilo, é só falar com a mina já preparado.
Ele terminou de encher o copo de vodca com o energético até a boca, chegou a derrubar um pouco. E aí virou e bebeu tudo de uma vez. O que sobrou de energético no outro copo ele colocou no meu com vodca.
Fred: Vai.
Respirei fundo e virei. Até que foi mais fácil do que eu tava imaginando. Depois só fechei os olhos com força pra fazer a vontade de vomitar passar. Foi rápido. Quando vi, já tava na frente das duas minas com o Fred.
Fred: Mano! É ela!
Eu: Quem?!
As duas gurias olharam pra nossa cara, curiosas com o que o Fred disse. Ele se aproximou da guria mais baixa.
Fred: Cara, nem acredito que vou te falar isso, é só porque eu to muito louco... – ele riu. – Eu entrei na faculdade esse ano, acho que te vi na quadra na primeira semana.
Menina: Ah, é? – ela ria e olhava pra amiga.
Fred: É, e tipo, to apaixonado por ti. Na moral. Hahahah.
Menina: O quê? Hahahahaha!
A mina ficou muito feliz. Só faltou abrir as pernas no meio de todo mundo. Eu juro que não sei como o Fred consegue fazer essas coisas. Ele deveria mesmo investir na carreira de ator. Ou de vigarista. Se o Fred tivesse a inteligência do Matt, tenho certeza de que ele seria um desses caras tipo o personagem principal do Prenda-me Se For Capaz. Ainda bem que ele é burro. Ou se faz de burro. Vai ver ele é tão esperto que se finge de burro.
Eu me perdi nos meus pensamentos e nem ouvi o resto da conversa deles. Voltei a prestar atenção no meio.
Fred: Eu to no primeiro de semestre de PP. Meu amigo faz Design. Fala aí, Thommo.
Eu: É.
O Fred apertou os olhos, tipo “fala alguma coisa, imbecil”. Eu nem tava a fim de conversar. Nem achei a amiga da mina tão gata.
Eu: Faço.
Fred: Elas fazem design também.
Eu: Ah, é? – foda-se. Era o que eu queria ter falado.
Fred: Mas elas tão no terceiro semestre. Vão zuar vocês segunda-feira falando que viram as duas trocando ideia com bixo na festa. HAHAH!
Menina: Nooossa, verdade. HAHAH!
Fred: Aí tu escolhe... Ou te zoam segunda por falar comigo, eu te zoo hoje mesmo quando for filmar pra TV da WA.
Amiga: Ah, mentira. Tu é da TV??
Menina: Ferrooou! Hahahahah!
Pronto, agora o Fred tem a atenção das duas pra ele. Eu queria estar mais incomodado com isso, mas na real to achando até bom. Preciso fumar um beck pra relaxar. Cadê o Matt quando a gente precisa dele? Ou melhor, cadê o Matt e só? Não é uma boa ele sumir. Fui perguntar pro Fred, e reparei que ele tava com cara de bravo pra mim de novo. Mano! Eu dou de presente duas minas pra ele, ele pode pegar as DUAS se quiser, e fica puto comigo?! Vou ter que conversar com as gurias pra ele parar com isso.
Eu: O Fred pode zuar vocês o quanto quiser. Ninguém é mais zuado que ele com esse apelido de Lady Gaga.
Menina: Como assim Lady Gaga?
Amiga: Por causa do cabelooo! HAHAHA!
Eu: É, vocês não viram o dia que eles escolheram os novos integrantes da TV? Deram esse apelido pra ele.
Menina: Não! Eu tava fazendo intercâmbio, voltei semana passada.
Amiga: E eu faltei nesse dia.
Eu: Vocês perderam, cara. Foi muito engraçado.
As duas continuaram rindo e comentando. Até que elas eram gente boa, pareciam sem frescura. Fico puto quando a guria não quer ficar contigo e com isso nem olha na tua cara enquanto tu fala. Não custa nada conversar, certo? Nossa conversa tava de boa, ninguém tava xavecando diretamente. Só achei estranho que o Fred continuou com cara de bravo. O que eu tava fazendo de errado dessa vez?
Eu: Que foi, mano? – falei baixo com ele.
Fred: Nada. Tu fez intercâmbio pra onde?
Menina: Inglaterra.
Fred: Ah.
“Ah”? “AH”? Eu fiquei até ansioso pra ouvir o Fred berrando “INGLATERRA? EU SOU DA INGLATERRA!!!”, e ele fala “ah”? Que merda é essa?!
Eu: Fred?
Menina: Fui fazer um curso de fotografia. A-mei!
Fred: É.
Ele olhou por cima dos ombros da mina, prestando atenção em algo que tava acontecendo lá no fundo.
Eu: O Fred conhece bem a Inglaterra, NÃO É?
Fred: É. Eu vou pegar uma bebida. Alguém quer?
Ele perguntou, mas saiu andando antes de ouvir qualquer resposta. Pensei que fosse um jeito de sair de perto de mim com a guria, mas não. Ele vazou sozinho. Elas se entreolharam.
Menina: Ahn...
Amiga: Eu to com meu copo aqui já.
Eu: Eu... Eu vou com ele. A gente vê vocês depois. Ou não sei. Ou vocês podem ir junto. Sei lá.
Eu já nem tava vendo o Fred mais. Não sabia se era pra levar as gurias ou não. Nem sabia se elas queriam.
Menina: Não, pode ir. A gente se vê.
Amiga: É. Até depois.
Elas pareceram meio sem graça e deram um sorriso amarelo. Eu me despedi e fui atrás do Fred. Encontrei ele no bar, como já imaginava.
Fred: Será que tu pode me dar a garrafa inteira?
Mina do bar: Não... – ela respondeu com um copo de plástico na mão.
Fred: Por quê? Não vou pagar de todo jeito.
Mina do bar: Não posso.
Fred: E uma latinha?
Eu: Tu viu a Vicky com o Dudu?
Fred: POR QUE TU NÃO CALA ESSA BOCA UM POUCO?
A guria do bar arregalou os olhos, deixou o copo no balcão e saiu fora. Eu ri sozinho e fui até os degraus da pista pra ver se tinha a mesma visão que o Fred. E lá estava o Dudu trocando ideia com uma guria de cabelo bem loiro. Ou era a Vicky ou um clone dela. Mas eles tavam só conversando, meio perto do banheiro, numa boa. Continuei olhando pra eles, esperando o Fred voltar com os copos. Mas ele tava demorando demais. Quando olhei pra trás, vi ele no mesmo lugar no bar, com uns sete copos vazios no balcão, e virando um copo goela a baixo. Fui até lá fazer o papel do Matt e colocar algum juízo na cabeça dele.
Eu: O que tu tá fazendo?
Fred: Eu vou matar aquele The Strokes do caralho. – ele passou a mão cheia de vodca no cabelo.
Eu: Qual é, Fred...
Fred: Eu falei pra ele que não era pra ele pegar ela.
Eu: TU O QUÊ?
Fred: Ou eu sonhei com isso.
Eu: Ufa...
Fred: Eu não sei. Eu to muito louco. – ele arregalou os olhos. – Eu tomei um bagulho.
Eu: Que bagulho?
Fred: Ácido. Áccccccido.
Eu: Que horas tu tomou isso que eu nem vi?
Fred: Na mesma hora que eu peguei o pirulito de maconha. Tem mais, tu quer?
Eu: Quem te deu isso? Tá doido?
Fred: Os caras da TV lá... Me deram ácido, uns pirulitos de maconha e uma camisinha de maconha.
Eu: Camisinha de maconha?!
Fred: É. Quer ver? Se pá tem gosto. Mas se for igual o pirulito, tem gosto de grama. – ele tirou do bolso uma embalagem branca de camisinha. – Se liga. – tinha o desenho de uma erva e tava escrito “made in Amsterdã” embaixo. – Se pá esse é tipo meu pagamento de integrante da TV.
Eu: Nada mal.
Fred: Queria usar hoje. Será que é comestível? Será que deixa a guria muito louca? Tipo, daí ela conta pras amigas depois “o pau do Fred é tão foda que eu chupei e fiquei muito louca”.
Eu: HAHAHAHAHAHAH!
Fred: E se comer a mina com essa camisinha deixar ela muito louca? Tu sabe, tem viciado que usa cocaína pelo...
Eu: Éééé, essa conversa tá bizarra. Só sei que tu não vai usar essa merda hoje se continuar com essa frescura com a Vicky.
Fred: Não é frescura. E se essa camisinha deixar meu pau louco e eu broxar?
Eu: Tu não pode tretar com o Dudu por causa disso, tá ligado? Ele mora com a gente, po. Logo tu que fala que não pode trocar amigo por buceta.
Fred: Ele não é meu amigo. Amigo não pega a mina do outro.
Eu: Ela não é tua mina, seu doente! HAHAHAH!
Fred: Nem dele!
Eu: Nem tua!
Fred: NEM DELE!
Eu: Se tu soubesse o quanto é difícil ter uma conversa contigo...
Fred: E OLHA QUEM FALA! Tu pegou a mina do Dudu também que eu to ligado.
Eu: Que mina do Dudu?
Fred: A Layla, caralho. Eu to ligado que ele curte ela, e tu já pegou ela várias vezes.
Eu: Já passou isso. Ele nem curte ela mais. E agora a gente já se acertou.
Fred: Quem falou que ele não curte ela?
Eu: Mano, como ele curte a Layla se ele tá pegando a Vicky?
Fred: ELE TÁ PEGANDO?
O Fred quase subiu em cima de mim pra conseguir enxergar longe, onde tavam os dois.
Fred: Tá pegando nada, troxa. Eu vou lá pegar ela e terminar logo com isso.
Eu: Como assim?
Fred: Tu tá ligado, se eu pegar ela eu paro com essas nóias. Isso não tá me fazendo bem. Eu só to em choque porque quero pegar a mina e não consigo, e eu sempre consigo. Tá ligado? Então é só eu pegar que passa. Vou lá pegar ela.
Eu: Mano. Ela não quer ficar contigo. Aceita isso.
Fred: Todo mundo quer ficar comigo.
Eu: Fred, mano, aceita que não dá pra ganhar tudo na vida.
Fred: Dá sim. Eu vou lá e vou pegar ela agora.
Eu: O Dudu tá chegando nela, mano. Tu não pode fazer isso.
Fred: Eu explico pra ele depois. Ele vai entender.
Eu: Como que tu vai pegar a mina do cara e ele vai entender, Fred, caralho?
Fred: Aposto 100 reais contigo.
Eu: Fred, presta atenção. Isso não é uma brincadeira. O Dudu e a Vicky não são tipo a gente. Eles tão fora do circuito “vida louca”. Eles tão ficando porque se gostam.
Fred: DUZENTOS REAIS.
Eu: O Dudu canta música pras gurias no violão e a Vicky não fica com ninguém por ficar. Não são tipo a gente que come mina no banheiro químico.
Fred: QUINHENTOS REAIS.
Eu: Ô, cacete...
Fred: Mano.
Eu: De verdade, Fred. Eu te conheço. Tu não gosta da Vicky, tu só quer comer ela e sair fora. Mas não faz isso, cara.
Fred: Thom, mano. – ele ficou olhando pra outra direção.
Eu: Ela é gente boa e gosta do nosso amigo, e nosso amigo gosta dela. Tu não pode estragar tudo só pra dar umazinha.
Fred: Tem duas minas se pegando, Thommo.
Eu: Imagina como vai ser depois? O Dudu e tu na mesma casa.
Fred: DUAS MINAS SE PEGANDO ALI, CARALHO!
Ele segurou minha cabeça e a virou na direção das duas minas. Tinham mesmo duas porras de minas se pegando.
Eu: Caralho.
Fred: De camisola.
Eu: É a Layla.
Engraçado que é só tu pensar ou falar na Layla que ela dá um jeito de aparecer. É sempre assim. A fita nova é que agora ela tava de camisola e pegando uma mina. Cara, se eu soubesse que ela curtia guriasm, eu poderia ter me divertido mais nas vezes em que a gente se pegou. Acho que eu sou o único otário que nunca pegou duas gurias ao mesmo tempo. Tipo, até dei um beijo triplo, vai. Uns. Mas é sempre a mesma história, todo mundo fica muito louco e começam aquelas brincadeiras de se pegar. Mas tipo, tu só beija. Não é nada de mais. Tu mal fica com a pessoa, muito menos trepa com ela. Ir pra cama com duas gurias MESMO eu nunca fui.
Na real, nem sei direito por que eu briso tanto nisso. Eu mal dou conta de comer uma, imagina duas. Tipo, não que eu seja ruim, mas sei lá, quando o negócio tá bom eu preciso me esforçar muito pra não gozar em pouco tempo e deixar a guria na saga. Imagina DUAS. Só de ver duas gurias a fim de fazer isso comigo na minha frente eu já ia queimar a largada. Beleza, agora to me achando um ejaculação precoce do caralho, mas não é bem assim. Eu me esforço pra segurar e consigo, que isso fique bem claro. Pra não falar que nunca aconteceu, uma vez eu tava tão bêbado que terminei antes da mina numa festa na casa do Fred, mas nem sei quem é ela. E só sei que isso aconteceu porque ela saiu do banheiro reclamando e o Fred ouviu. Logo o Fred. Ah, e aconteceu uma vez com a Alícia também. Mas porra, se tu parar pra pensar na quantidade de vezes que eu comi ela, é normal não dar certo em uma das vezes, certo? Melhor pensar assim. Eu acho ejaculação precoce muito mais escroto do que broxar. É tipo escrever "perdedor" na testa. Até que me aconteceram poucas vezes na vida.
Eu fiquei viajando nessas ideias enquanto apreciava a cena da Layla e a outra guria morena se pegando na parede. Eu e o Fred ficamos de camarote na cara de pau mesmo, ele até apoiou o cotovelo no bar pra relaxar e curtir o momento. Até paramos de conversar.
Pra ser bem honesto, aquilo tava com muita cara de pagação. Dava pra ver que elas não tavam se pegando com gosto. A Layla tava com a mão na cintura dela, e a mina ficava passando a mão no cabelo dela, aí elas se beijavam, sorriam uma pra outra, beijavam, sussa. Nem tava rolando um amasso doido de duas gurias muito loucas se pegando forte. E mesmo assim, tava maravilhoso assistir àquilo. Pagação ou não, continuem.
De verdade, aquilo tudo não deve ter durado nem dois minutos, mas eu e o Fred ficamos tão hipnotizados que pareceram horas. Eu fiquei mais em choque que o Fred, na real, porque ele já deve ter comido umas oito minas ao mesmo tempo. É zuado ter que admitir que teu melhor amigo tem uma vida muito mais interessante que a tua nesse sentido, mas é isso aí.
Uma hora elas pararam de se pegar e a Layla puxou a guria pela mão pra elas saírem andando. Não demorou muito pra ela me ver no meio da galera, com aquela cara de idiota que eu tava. Logo que ela me viu, fez questão de mudar o caminho só pra passar do meu lado. Veio andando mexendo o quadril de um lado pro outro no ritmo da música de propósito, me olhando, e quando chegou bem perto, desviou o olhar, beliscou minha barriga e vazou.
Fiquei olhando enquanto ela ia embora, petrificado, secando aquela bunda redondinha. Quando acordei da brisa, olhei pro Fred, que tava mordendo o canudo do copo e me olhando com cara de tédio.
Fred: Sério mesmo? Eu: O quê? Fred: Que tu não vai atrás dela agora? Eu: Ahn... Vou.
Eu não ia, mas aquilo foi tipo uma intimação.
Eu: Mas ela tá com a mina.
Ele ficou tão sério que logo eu entendi a bosta que tinha acabado de falar.
Eu: Beleza. Eu encontro vocês depois. Ou melhor, procura o Matt. Fred: Eu sei onde ele tá, mano. Eu: Onde?! Fred: Na última vez em que eu vi, ele tava dormindo no sofá lá em cima. Eu: Mano! Tu deixa nosso brother capotado numa festa com dez milhões de pessoas? E se fizerem alguma coisa? Fred: Thom, mano, sai daqui. Eu: Que foi?! Fred: Tu tá muito noiado. Mas tenha fé que essa doença chamada namoro só te afetou por um tempo, e agora estamos no período de desintoxicação. Conte comigo. - ele tirou a embalagem de camisinha do bolso. - Aceite esse presente. Eu: Na moral mesmo? Fred: Vai logo senão vou mudar de ideia.
Peguei a camisinha de maconha da mão dele e agradeci com um sorriso.
Fred: Some, mano.
Deixei o Fred no bar e saí pra procurá-la.
Fred: COME A GURIA E A AMIGA DELA, THOMAZ!!!
Tava demorando pra ele lançar uma dessa.
Na real, eu tava mais preocupado em vender o Crystal pra Layla do que pegar ela. Mas um peguinha não atrapalharia nossos negócios, certo? Já tava imaginando o que eu ia fazer com as duas, a Layla e a amiga dela. Vou pegar a Layla, certeza, porque a gente sempre se pega. Já virou clichê, tipo aquela pega certa da noite. Todo mundo tem uma dessa. Daí, como a guria vai estar junto, ela já vai chamar, e vamos curtir a festa em trio. Depois a gente pode fazer uma festa só pra nós três na república. Os caras só devem voltar pra casa amanhã cedo, até lá tem bastante tempo. Caralho, imagina eu pegando duas. Por mais difícil que seja, vai ser animal de qualquer jeito. Nem que eu precise pensar na minha vó pelada pra segurar, eu vou conseguir. É questão de honra.
Depois de um tempo procurando, não muito, encontrei a Layla perto do banheiro onde tavam a Vicky e o Dudu. Ela tava conversando com a guria que pegou e uma outra. Três? Cara, se eu pegar três gurias ao mesmo tempo hoje, eu zero a vida. Fiquei olhando até ela perceber que tava sendo observada e me olhar também. Quando me viu, ela deu um sorriso e veio na minha direção no mesmo segundo. Ela devia estar tão ansiosa quanto eu pra nossa festinha com a amiga dela. Ou as duas amigas dela.
Layla: Tu tá me seguindo? - ela sorriu. Eu: To só retribuindo pelo quanto tu me segue na faculdade.
Ela falou alguma coisa, mas na boa, eu nem ouvi. O peito dela tava três vezes maior que o normal, eu não to zuando. Esses sutiãs são sacanagem. Ela tava usando uma camisola preta e transparente e um sutiã também preto, que fazia o peito dela saltar. Eu só faltei babar em cima daquilo.
Layla: Tu trouxe?
Coloquei a mão no bolso e tirei a ponta de um dos saquinhos de Crystal pra fora. Ela abaixou o olhar disfarçadamente e sorriu. Chegou bem perto do meu ouvido pra falar:
Layla: Vou querer um.
Me arrepiei até o último fio de cabelo. Falar tão perto e mansinho assim é mais sacanagem do que o sutiã apertado. Ela tirou umas notas de dinheiro do meio do sutiã e colocou no meu bolso. Eu aproveitei que nossas mãos estavam próximas e passei um saquinho pra ela. O bom foi que sobraram alguns saquinhos de Crystal pra eu encontrar clientes novos hoje.
Ela deu um sorrisão e falou bem próximo do meu ouvido de novo:
Layla: Vou fazer um pagamento extra porque tu é um ótimo vendedor.
Minha mente poluída não me deixou pensar em nada que não fosse sujo pra caralho. Eu queria berrar tipo "AE, CARALHO", mas seria meio doente da minha parte, então só segui pra onde ela me levava. A gente vai se pegar, óbvio. Assim que encostei as costas na parede próxima ao banheiro, coloquei minha mão no meio do cabelo dela e me aproximei pra dar um beijo, mas ela se abaixou. É, velho. Ela se abaixou. A mina se abaixou.
Eu não tive que fazer cena nenhuma, ou esquentar o clima antes, ou induzir a mina a fazer qualquer coisa, ou sei lá, todas as outras táticas que um cara usa pra ganhar um boquete. Ela só se abaixou, muito antes de eu pensar no assunto. Eu fiquei tão em choque que demorei pra acreditar que tinha sido tão fácil! A gente tava na parede, numa parte meio sem luz, então ela só abaixou minha samba canção ali mesmo, se agachou e mandou ver. Tipo, DO NADA! Eu fiquei numa mistura de "a vida é uma porra que vale a pena ser vivida puta que o pariu como é foda pra caralho existir obrigado universo por esse dia eu amo o mundo", com desespero, tipo O QUE QUE TÁ PEGANDO AQUI?! E ela mandava muito bem, muito bem mesmo, muito bem, putz... Eu revirava os olhos e me contorcia tanto que parecia que eu tava tendo um troço. Eu entrei em êxtase, velho. Parecia que eu tava em outro universo, nem sabia o que tava acontecendo ao meu redor. Me segurava na parede, segurava a cabeça dela, segurava a respiração, segurei tudo, só não segurei a porra do gozo do caralho, eu nem sequer consegui pensar em fazer isso. E ela subiu minha samba canção bem na hora.
Ela terminou, se levantou, limpou o canto da boca, sorriu e saiu andando. Eu continuei lá paradão, tentando recuperar os sentidos. Parecia que eu tava dopado.
Quando voltei a mim, eu vi aquilo. Puta que o pariu, eu tava todo MELADO. Tipo, tava de um jeito que não tinha como disfarçar. Minha samba canção tinha mudado de cor bem em volta do meu pau. Filha de uma puta, ela esperou eu chegar lá pra subir minha cueca e eu me sujar inteiro. Foi de propósito, certeza. Lazarenta. É a cara dessa mina fazer essas porras de coisas, mano. Cacete!
Fiquei me apalpando tentando descobrir um jeito de esconder aquilo com as mãos, mas não dava. Numa dessas, botei a mão no bolso e... Cadê o resto do Crystal?!?!
MANO, VADIA LAZARENTA DO CARALHO!!!
Nossa, vaca! Puta merda! Eu fiquei cinco mil vezes mais desesperado. Todo gozado e sem nenhuma merda de Crystal! Mano, cadê essa vaca filha de uma puta?!
Tentei esconder a mancha melada na minha cueca com as mãos e saí andando à procura da Layla ou de uma solução pra minha sujeira. Qualquer coisa, de verdade. Eu tava surtando.
Saí andando meio encurvado pra ninguém ver e andei o mais rápido que pude, daqui à pouco eu encontro ela e dou um jeito, ou encontro algum amigo que vai poder me ajudar com iss...
Vicky: Thommm! Não tinha te visto ainda!
Nossa, mano. Agora não.
Eu: Opa, e aí.
Falei e saí andando, mas ela entrou na minha frente.
Vicky: Onde tão os meninos? Eu cheguei cedo e até agora não tinha visto vocês. Eu: Cara, de verdade, eu preciso ir nessa. Vicky: Ir nessa aonde? Espera, meu. Hahaha!
Ela tava pensando que era brincadeira.
Vicky: Cadê os meninos? O Dudu foi no banheiro, mas ele já volta, eu to aqui sozinha. Fica aqui, espera ele voltar. Como tão as coisas?
Olhei na direção do banheiro e vi uma cena que parecia mentira. Eu tava cagado demais pra ser verdade. Era o Fred com o Matt trocando ideia com o Dudu na porta do banheiro. E o Fred parecia estar dando uma bronca no Dudu. Não, mano. Essa não.
Vicky: Eu pedi uma bebida que eu achei bonita mas é meio ruim, quer experimentar?
Saí correndo em direção ao banheiro pra tentar impedir a merda que o Fred tava fazendo. Quero dizer, saí correndo do jeito que eu consegui, encurvado e com duas mãos na frente do meu pau. Deixei a Vicky falando sozinha, mas era pro bem dela.
Chegando perto, deu tempo de ouvir o Fred falando com o Dudu:
Fred: Eu acho que não tem nada a ver, tá ligado? Tu pode continuar pegando ela às vezes. De boa. ÀS VEZES. Eu: Cala a boca, Fred! Dudu, não sei o que ele te falou, mas desencana. Dudu: E aí, cara. - ele ficou surpreso quando me viu. - Tu tá bem? Fred: Tu usou a camisinha? Eu: Não! Fred: Tu não pegou a PORRA da mina?! Eu: Peguei, mano! Matt: E aí, Thommo. - o Matt tava mais chapado que todo mundo junto. Fred: Pegou o caralho. Tu é um vegetal mesmo. Onde tu tava? Eu: Eu peguei a mina, mas agora eu tava falando com a Vicky. Fred: Tu pegou a Vicky, seu animal? Eu: NÃO! Dudu: Cadê ela? Eu: Ficou lá. Dudu: Vou chamar ela aqui. Ô, VICKY! Fred: Por que tu tá com a mão cobrindo o pau? Que isso? Eu: Mano, não chama a Vicky agora, o Fred vai falar bosta pra vocês, e eu to todo gozado. Fred: QUÊ, MANO? Eu: A mina pagou um boquete pra mim no meio de todo mundo e me sujou inteiro! Fred: MANO, TU É MUITO JUVENIL! Dudu: CHEGA AÍ, VICKY! Eu: Não chama a Vicky, mano! Fred: Deixa ele chamar! Tu tá na bad? Eu chamo tua ruivinha também, ela tá aqui do lado. Ô, RUIVINHA! Qual o nome dela? Eu: Fred, mano! Eu to todo sujo! Não chama! OLHA ISSO!
Eu tirei a mão da frente e mostrei.
Eu: O que eu faço, mano?! Tipo, tá muito na cara que...
E ele me jogou toda a bebida que tava no copo. JOGOU A PORRA DA VODCA NO MEU PAU!
Eu: SEU RETARDADO, IMBECIL! Fred: Pronto.
Agora eu tava com a cueca inteira molhada. E a regata também.
Fred: A mina pagou um boquete pra ti mesmo? É mentira tua. Vicky: Oi? Eu sempre chego nesses assuntos. Ou são vocês que só tem esses assuntos.
Mano, não dava pra ficar pior. Eu todo molhado de bebida, roubado, sem dinheiro, levei um fora da Clarissa, e agora tavam o Fred, o Dudu e a Vicky juntos na minha frente. E o Fred bêbado pra caralho. Se naquele dia ele jogou latinha, hoje ele vai derrubar o palco na cabeça dos dois.
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Capítulo 118
roberta narrando
É, eu tinha decidido passar um tempo na casa do Pedro.. Sei lá, não tava me sentindo confortável com essa situação, sei lá ter que ver o Pedro todos os dias, não sei se devia perdoar ele ainda.. Hoje eu iria pra lá, me despedi de todos e fui, o Pedro tinha ido me buscar. Chegamos lá, o Pedro queria fazer todas as coisas por mim, até parece que se eu desse um passo sem a ajuda de alguém eu morri
-Pedro, você pode soltar minha mão já, eu ainda consigo andar sozinha, por favor.
-Eu só quero o melhor pra você meu amor
-O melhor pra mim é você me dar um pouco de espaço pra eu fazer as coisas sozinha, assim eu me sinto uma inútil.
-Tudo bem meu amor, desculpa -ele me deu um selinho e levou minhas coisas pro quarto dele. Me sentei junto com ele na cama- Meu amor, você me perdoou por tudo aquilo né?
-Pedro, eu vou precisar de tempo, até conseguir confiar em você como confiava antes, desculpa.
-Você não precisa se desculpar meu amor, eu entendo, eu fui um babaca mesmo, to merecendo tudo isso. -eu sorri e olhei pra baixo- Então meu amor, eu queria muito ficar aqui contigo, mas eu tenho reunião agora e tal..
-Tudo bem -ele chegou perto de mim pra me beijar.
-Te beijar eu ainda posso? -sorri pra ele, segurei seu rosto e dei um selinho demorado nele
-Boa reunião.
-Obrigado meu amor -ele me deu um beijo na testa e saiu.
Deitei um pouco e fiquei vendo tv, logo a Tia Leni veio no quarto
-Roberta, dá licença, tem uma mulher ai querendo falar com você.
-Uma mulher? Você não conhece? -falei levantando
-Não, ela disse que precisa muito falar contigo.
Fui pra sala, e lá estava ela.
-O que você ta fazendo aqui?
-Bom, eu vou lá na cozinha, qualquer coisa Roberta é só me chamar.
-Ok tia.
-Tia? Você chama a sua sogra de Tia?
-Você ainda não me respondeu. O que ta fazendo aqui?
-Vim ver como você está minha filha -e ela insistia em me chamar assim.- Soube que você teve uma queda de pressão e te levaram pro hospital. Como tá o meu neto?
-Ele não é seu neto!
-Mas é cl.. -interrompi
-Mas pera ai, como você sabe que eu to grávida?
-Você namora um cantor famoso, esqueceu?
-Ninguém de fora sabe que eu to grávida.
-A Imprensa sabe
-Não, a imprensa não sabe! Como você descobriu que eu to grávida?
-Sou sua mãe. Eu sei de absolutamente tudo que acontece na sua vida.
-É o que? Como assim sabe de tudo que acontece na minha vida?
-Eu sei, exatamente tudo. Sei que esses dias você foi pra Argentina, sei que você desmaiou ontem, soube que veio morar aqui hoje, chegou faz pouco mais de uma hora.
-Como você sabe de tudo isso?
-Sabendo minha filha, eu ja disse sei de tudo.
-Sai daqui, pelo amor de Deus. SAI DAQUI!
-Tudo bem meu amor, só queria que você soubesse que eu só quero o teu bem
-ENTÃO DESAPARECE DA MINHA VIDA! NÃO VOLTA NUNCA MAIS AQUI! -ela saiu, eu sentei no sofá, a Tia Leni veio pra sala
-Você tá bem minha filha? Não é bom você ficar irritada desse jeito.
-Tudo bem tia, eu to bem. -ela foi na cozinha e me trouxe um copo de água.
-Como andam as coisas com você e com o Pedro?
-Ah Tia.. Eu vou demorar pra confiar nele de novo.
-Mas você não ama ele?
-Eu sim, mas e ele? Será que me ama?
-É claro que sim Roberta! Ele te olha de um jeito lindo, dá pra ver que ali só tem amor minha filha.
-Que lindo isso tia..
-É minha filha.. Mãe sabe dessas coisas. -eu sorri
-Eu vou me deitar um pouco tá?
-Vai.
Sofi Narrando
Já fazia 3 meses que a Bryan tinha ido pra Paris, mas ele estava voltando hoje. A Roberta estava com 5 meses e amanhã era aniversario do Thomas, então fui comprar o presente dele. A Roberta que tinha que ficar de repouso pediu pra mim comprar o presente dele. Aproveite a viajem e já passei na costureira pegar meu vestido, já que a festa era a fantasia . Quando cheguei em casa o Bryan já tava lá.
-Bry!! – pulei em cima dele
-Sofi, como você cresceu – ele riu
-Palhaço!
Nós ficamos lá conversando e matando um pouco a saudade o resto da tarde. A noite ele foi pra casa e eu fui pro apart. do Thomas. Passei a noite lá e de manhã fiz questão de ser a primeira a dar parabéns pra ele rsrs. De meio dia ele entrou no twitter pra agradecer a galera enquanto eu improvisei alguma coisa na cozinha. Depois que almoçamos eu entreguei o presente pra ele .
-Mas o que é isso Sofi?
-Como assim o que é isso? Ainda não entendeu?
-Entendi, quer dizer, eu acho.
-Thomas, o que você tá vendo?
-Um livro.
-E qual é o titulo?
-Então, você vai ser papai!
-Vindo de mim esse livro, você acha que é o quê?
-Que você tá grávida?
-É amor. – eu levantei e sentei no colo dele
-Mas como Sofi? – ele me empurrou e se levantou
-Como o que Thomas?
-Como você tá grávida?
-Faltou as aulas de ciências Thomas? Quer que eu te explique como eu fiquei grávida?
-Não, é lógico que não, eu sei como você ficou grávida, afinal foi eu que ajudei nisso mas...
-Mas o que então Thomas?
-É que ... – ele ficou sem jeito
-O que Thomas? – Ele não respondeu – O que Thomas? – ele continuo em silêncio, eu me aproximei dele – Thomas – eu estava até com medo de perguntar – Você não quer ter esse filho é isso?
-Não Sofi, é, a quanto tempo você sabe disso?
-A uns 6 ou 7 dias.
- E porque você só falou isso agora? – Isso foi a gota d’água, eu levantei peguei a minha bolsa e fui em direção à porta – Porque eu achei que você iria gostar dessa surpresa!
-Amor espera – ele tentou me segurar eu me soltei
-Não Thomas sai, e me desculpa se essa criança na foi boa o suficiente pra você.
-Sofi, você não tá pesando em tirar esse filho por minha causa né?
- Não – menti – Até parece que eu tiraria esse bebê por sua causa – menti mais ainda
-Sofi, você vai na festa pelo menos?
-PELO MENOS? Eu vou sim e não se preocupe, que eu não vou fazer nada pra estraga lá, apesar de que era a única coisa que eu devia ir fazer lá!
Eu sai do prédio e por sorte tinha um táxi lá na frente, fui pra casa me arrumar afinal tinha combinado com o Bryan de ir junto com ele. Tomei um banho, arrumei meu cabelo, e terminei de me arrumar. Assim que eu terminei o Bryan chegou. Desci, ele estava tudo fofo vestido de pirata rsrs. Logo que eu entrei no carro ele percebeu que tinha alguma coisa errada. Eu contei, ele ficou bobo.
- Mas o Thomas não quer mesmo esse filho?
-Não – o lugar da festa era perto da minha casa e não tinha muito trânsito, chegamos rápido – Bryan eu to pensando em tirar. – ele não falou nada - O Thomas não quer, meu pai não quer nem saber de mim, minha mãe se descobrir vai dar um jeito de me levar pra Paris! - ele ficou em quieto, eu desci do carro. Ele veio atrás.
-Mas você quer ter esse filho?
-Quero, mas, minha opinião é a que menos conta , até porque, isso não depende só de mim – ele continuou quieto, eu parei – Bryan fala alguma coisa!
-Sofi - ele segurou minha mão

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