Estou tendo uns dias difĂceis.
Acordei e senti a cama vazia, me espreguicei sentindo meu corpo acordar aos poucos. Me levantei, tomei um banho e um café reforçado e fui pra escola.
- oi⊠â eu disse assim que vi a Bela e a Chloe
- oi Amm, como vocĂȘ esta?
- pĂ©ssima nĂ©? â Chloe murmurou
- uĂ©, vocĂȘ e o Travis terminaram eâŠ
- ele me disse assim que chegou â Bela me olhou estranha, eu sai em disparada pelo corredor da escola.
- como assim nĂłs terminamos? â eu perguntei assim que eu vi ele, sarcĂĄstico, malicioso e irritante⊠Um Travis que eu nĂŁo via a muito tempo.
- Ă©, queria ter dito antes, masâŠ
- antes de que? De dormir comigo?
- Amber⊠à melhor assim â ele disse irĂŽnico e me olhou sorrindo
- vocĂȘ Ă© um grandioso filho da puta, nĂŁo pode fazer isso Trav
- primeiro: meu nome Ă© Travis. Segundo: sim, eu posso. E terceiro: nĂŁo xingue
- primeiro: eu te chamo como eu quiser. Segundo: talvez possa, mas nĂŁo sem uma explicação decente. E terceiro: vocĂȘ nĂŁo manda em mim.
- olha, nĂŁo acho que aqui seja o melhor lugar pra discutir isso â Hector falou de repente, nem havia percebido sua presença ali.
Eu dei as costas aos dois e fui pra sala. Prestei atenção, não queria pensar nele.
Estava em casa, depois de um banho quente e uma xicara de chocolate quente deitei com todas as janelas fechadas deixando o quarto escuro. Pensei na briga em que tive com Travis, pensei o quanto doeu e o quanto estava doendo, e pensei em como seria dali pra frente.
âAmber, eu nĂŁo quero mais ficar com vocĂȘ. Ă difĂcil de entender?â â ele me perguntou, depois de eu questiona-lo sobre o termino do namoro. EstĂĄvamos no ginĂĄsio, a piscina era convidativa, estĂĄvamos tĂŁo perto, falando tĂŁo baixo⊠Mais ainda sim, ele parecia tĂŁo distante.
âvocĂȘ nem mesmo se sentou pra conversar comigo, eu soube por minha amiga! Foi uma bela de uma atitude de otĂĄrioâ. â ele me olhou com uma raiva tĂŁo grande que eu achei que fosse me afogar na piscina.
âeu lhe dei uma noite de despedida, foi apenas o que conseguir pensar. Aceite. Eu nĂŁo quero mais nadaâ.
âeu sĂł nĂŁo consigo acreditar Travis, nĂŁo depois de tudo que passamos, nĂŁoâŠâ.
âtalvez eu seja um Ăłtimo ator, talvez eu sĂł quisesse te levar pra cama. Pensou nessa hipĂłtese?â â ele me olhou cinicamente.
Senti as lagrimas escorrerem por meu rosto, não de raiva. Pela primeira vez senti meu coração ser partido e doeu como eu nunca achei que fosse doer. Por quase dois segundos consegui ver o Travis que conheci, mas logo ele assumiu a posição de garoto arrogante, saiu acendendo o cigarro e me deixou só.
Pensando naquilo novamente percebi que tinha voltado a chorar e o travesseiro naquele momento era meu Ășnico amigo.
No outro dia na escola minha cara não era a das melhores, mas a da Chloe e da Bela também não.
- uau, que carinha triste Ă© essa? â Bela perguntou sorrindo
- me deixa, alias vocĂȘ jĂĄ se olhou no espelho?
- fui a uma festa com a Chloe.
- e vocĂȘ nĂŁo me chamou?
- acho que esta cedo pra ir a festas Amm, vocĂȘ esta na bad. Nem ia aproveitar muitoâŠ
- tem razĂŁo â eu concordei
- mas, hoje irei na sua casa com a Chloe e nĂłs vamos te distrair, nada de vim pra escola com essa caraâŠ
Depois das trĂȘs primeiras aulas fui pro refeitĂłrio, eu Bela e Chloe nos sentamos juntas, o que foi bem legal da parte da Chloe jĂĄ que ela Ă© amiga do Hector e do Travis.
- oi Amm, posso falar com vocĂȘ? â quando estava saindo do banheiro a Taylor que usava uma calça jeans escura e um moletom cinza, o cabelo solto (que era raro) e uma maquiagem bem leve me olhou gentil
- soube de vocĂȘ e eleâŠ
- ah, ainda não sei, bem, mal⊠Sei que estou viva.
- sĂł queria dizer que eu vou estar aqui pra o que vocĂȘ precisar, sei que vacilei contigo, masâŠ
- olha, hoje a noite a Chloe e a Bela vĂŁo lĂĄ, aparece. Vai ser divertido â eu sorri e voltei pra sala.Â
JĂĄ parou pra pensar que ninguĂ©m realmente entende o que tu esta passando. Um mĂȘs depois que eu e Travis nos separamos Chloe e Bela tem ficado cada vez mais prĂłximas de mim o que Ă© legal da parte delas, voltei a falar com a Taylor e o Hector sempre me abraçava no corredor e dizia: âtomou banhou direito Am, por que hoje o corredor esta um aroma...â fazia careta e saia rindo. Mas ele nem sequer olhava em minha cara e isso me mutilava por dentro, nĂŁo sentia tristeza, sentia dor, como se laminas me cortassem todos os dias ao sentir o cheiro dele, ao ter ele perto e ao mesmo tempo distante.
Depois da quarta aula nos liberaram, me despedi das meninas e disse que daria uma volta na piscina, precisava relaxar.
- te deixo ir se vocĂȘ prometer que hoje a noite iremos sair, soube que no Fliperama do Kurt vai ter karaokĂȘ â a Taylor bateu palmas e Bela concordou
- nĂŁo vai dar... â eu comecei a dizer, mas a Chloe me interrompeu
- ele nĂŁo vai estar lĂĄ Am, conversei com o Hector, eles tem... Ahn... NegĂłcios... Entende?
Eu concordei em silencio e me afastei. Tirei a roupa e entrei na piscina, dava voltas e me concentrava em nĂŁo pensar nele e sim na força dos meus braços, em ir e voltar o mais rĂĄpido possĂvel. Depois de muitas idas e vindas comecei a boiar, respirei fundo sentindo o corpo relaxar, mas ele se paralisou quando o cheiro de cigarro invadiu o ambiente.
Olhei pra porta e botas cheias de lama, calças jeans escura e uma regata preta me deixaram com o estomago nervoso. O cabelo desgrenhado, os olhos escuros e irritantemente cĂnico me examinava, os lĂĄbios se erguiam em um sorriso que quase nĂŁo notei, mas que irradiavam a sua mĂĄlica e ironia. Segurando o cigarro entre os dedos ele levou aos lĂĄbios e deu uma tragada quando disse soltando fumaça, literalmente. Ele se encostou na porta com o pĂ© a segurando, era quase como se dissesse âvocĂȘ sĂł sai daqui se eu mandarâ.
- interessante... Faz muito tempo que nĂŁo vem aqui â ele disse baixo
Eu sai da piscina e fui ate o vestiårio, vesti minha roupa e sai me deparando com ele na mesma posição. Fiquei de frente pra ele e respirei fundo ignorando o cheiro de cigarro que tanto me incomodava.
- Abby... Vamos nos sentar e conversar
- meu nome Ă© Amber, Ă© difĂcil entender? Quer que eu desenhe?
- Amber, vamos conversar â ele agarrou meu braço e me levou ate a arquibancada me fazendo sentar â tenho algumas perguntas
- e eu deveria responder?
- o Kurt veio atrĂĄs de vocĂȘ? Se sim, o que ele disse? Se nĂŁo, viu algo estranho acontecer nos Ășltimos dias, alguĂ©m novo... ?
- por que? â eu me levantei â quem vocĂȘ acha que Ă©? Termina comigo, some e de forma desonesta me deixa a beira do abismo, um mĂȘs Travis e vocĂȘ sĂł me procura pra perguntar sobre o ruivo? Que foi, tem uma quedinha por ele? â eu lhe dei as costas, ele agarrou meu pulso e me fez voltar
- isso nĂŁo Ă© um jogo ou uma brincadeira Amber, responda.
- vai pro inferno! â eu o empurrei
- sei que nĂŁo foi justo o que eu fiz com vocĂȘ, mas se soubesse do que ele Ă© capaz saberia que Ă© sĂł pro seu bem... Alias, vocĂȘ sabe bem, o tapa nĂŁo foi suficiente? â ele jogou o cigarro no chĂŁo e pisou nele
- entĂŁo quando surge um problema em uma relação essa Ă© sua solução? VocĂȘ decide sumir, desistir e ir embora?
- nĂŁo Ă© um simples problemas de namoro do qual se resolve se sentando no sofĂĄ conversando Amber
- mas vocĂȘ devia ao menos tentar, vocĂȘ me chutou pra fora da sua vida Travis! Como acha que me sinto? â eu jĂĄ estava chorando e com uma vontade de socar a cara dele e ao mesmo tempo beija-lo, ele acariciou meu rosto pegando uma lagrima com o polegar
- eu nĂŁo planejei nada disso Abby â sua voz saiu baixa, carinhosa e triste â mas tem que ser assim.
Ele saiu acendendo outro cigarro. Viciado, tomara que tenha uma morte lenta e dolorosa ou uma parada respiratĂłria seria.
Estava no fliperama, Chloe tinha razão duas horas naquele lugar e nem um sinal do Travis, tinha sido estupidez da minha parte ir, por que eu não estava indo por que queria ou por causa das minhas amigas, tinha no mais fundo de mim uma ponta de esperança e encontra-lo nem ao menos que fosse pra brigar.
Bela me empurrou pro palco pedindo que eu cantasse. Escolhi âJessie J â Crazy 'Bout Youâ, enquanto a musica seguia, minha voz falhava, era como se Travis estivesse nas entre linhas daquela musica. Olhei ao redor e vi ele me olhando de forma suplicante, triste e convidativa. Quando a musica acabou eu ouvi os aplausos, mas eram tĂŁo dispersos que eu corri de volta a minha mesa recebendo os elogios das meninas.
Depois de muitos copos de tequila, musicas estridentes e risos decidimos voltar pra casa. Esperava as meninas do lado de fora quando me pegam pelo braço
- lady, o que faz aqui sozinha? NĂŁo devia estar aqui...
- grandalhĂŁo? â eu semicerrei os olhos â estou com as amigas, no karaokĂȘ, cantando...
- tem que ir logo lady, Kurt chega hoje.
Foi sĂł o que ele disse saindo, eu paralisei e olhei pro nada. Tinha que sair dali e tirar as minhas amigas, nĂŁo queria dar mais um alvo pro ruivo. Eu entrei e as puxei pra fora levando-as pro carro, elas riam bĂȘbadas e nĂŁo se preocupavam com o tempo. Entrei no carro e dirigi de volta pra casa.
Não era o tipo de domingo em que eu gostaria de levantar da cama cedo, mas a falta de sono me fez sair dela antes das 9h. o céu estava nublado e o vento forte anunciava uma chuva longa e forte, tomei um banho quente e desci pro café da manha.
- seus pais viajaram, mas ficarem com a senhorita â Adelaide, a empregada me disse servindo o cafĂ©. Eu terminei de comer e passei o resto da manha assistindo tv.
- venha para o fliperama â disseram assim que atendi o celular
- ora, meu amor, quem mais...
- nĂŁo vou a lugar algum Kurt.
- ou vem por bem ou vem por mal, e é melhor que seja por bem, não quero ter que tirar um dos meus seguranças de seu sono matinal, eles costumam ficar agressivos.
Ele desligou. Peguei a chave do carro e fui ate o fliperama, o grandão estava em pé na porta e olhava pra parede sem graça a frente
- ele me mandou vir, me ameaçou grandão, não tive opção a não ser vir.
- entendo â ele me olhou de forma preocupada, me levou ate o escritĂłrio do Kurt e saiu me deixando a sĂłs com ele.
- Ă© bom vĂȘ-la, dormiu bem amor? â ele bateu devagar em minha cabeça
- soube do termino de namoro do casal, ah, Ă© uma pena nĂŁo Ă©? Fiquei inconsolĂĄvel com a noticia Welling. Mas, a vida Ă© assim nĂŁo Ă© mesmo? Pedi pra que viesse aqui para um encontro de negĂłcios.
- eu nĂŁo faço parte dos seus negĂłcios â eu disse baixo, no mesmo instante Travis entrou com o Hector e seu rosto se transformou de sarcasmo, a surpresa e por fim raiva, Hector por sua vez era uma surpresa que achei que seu queixo fosse se soltar e cair nos pĂ©s.
- o que ela faz aqui? Disse que a deixaria...
- ah, sĂł pedi que ela viesse para... como posso dizer... esclarecer o nosso acordo Roose
- acordo? â eu me levantei e olhei pra ele
- terminaria com vocĂȘ, manteria distancia e em troca ele nĂŁo encostaria mais em vocĂȘ, nĂŁo te faria mal algum
- Ă©, mas resolvi fazer algumas mudanças... Quero a participação dela nisso, por que nĂŁo basta vocĂȘ ficar longe, ela tambĂ©m tem que se afastar.
- por que quer tanto nos afastar? â eu olhei pro Kurt com o maior Ăłdio que jĂĄ senti na vida
- negĂłcios... Roose nĂŁo te contou nĂŁo foi?
- nĂŁo se atreva â Travis disse com os dentes cerrados e os punhos fechados
- ele é meu... Agente de cobranças, namorado da minha filha e um ótimo investigador em casos... Especiais.
- namorado... da sua... filha? â eu sussurrei
- bem, querida, o acordo sim? â ele me ofereceu a mĂŁo â fique longe dele, ou vai se arrepender
- vai fazer o que? Me matar?
- isso nĂŁo ajudaria em nada, mas tenho certeza que se ameaçasse ele vocĂȘ faria nĂŁo Ă©.
- voce nĂŁo pode, ele Ă©...
- machucar Ă© diferente de matar.
- tudo bem â eu fechei os olhos, respirei fundo e apertei sua mĂŁo â vou ficar longe dele.
O silencio se tornou pesado, a sala parecia mais pequena do jå foi um dia e meu corpo com certeza era um péssimo lugar pra se estar.
- sĂł tenho um pedido pra fazer â eu disse baixo
- pedido? â Kurt se sentou e me olhou curioso
- uma ultima noite, uma... Despedida.
- parece inofensivo, tudo bem, essa noite. E depois...
- eu sei â eu sai do escritĂłrio respirando o ar gelado que era como canivetes em meus pulmĂ”es. Me encostei no carro e comecei a chorar, chorei com tanta dor e raiva que mais parecia um desabafo. DoĂa e eu me sentia suja, queria correr e gritar, queria sair dali, queria nunca ter conhecido ele.
Eram mais lagrimas pesadas do que na noite do termino do nosso namoro, era mais do que um choro... Era uma pedra selando o fim de nĂłs.
- ei â Hector apareceu, sua voz era amiga, confiĂĄvel â vem cĂĄ â ele me puxou pra um abraço, mas eu recuei
- vocĂȘ sabia de tudo! vocĂȘ fez parte disso Hector! Ele namora com... Outra. Ou eu sou a outra. Eu jĂĄ nem sei mais.
- pensei que fosse meu amigo, amigo suficiente pra ser honesto comigo!
- ele tentou terminar com ela Am, tentou ser sĂł seu, era o que ele queria, mas...
- que inferno! â eu gritei, ele segurou meu braço e me apertou em um abraço acolhedor, um ombro amigo tĂŁo grande e tĂŁo fundo que eu queria me afogar nele e sĂł sair quando a tempestade acabasse dentro de mim.
- ele esta te esperando na cabana â ele sussurrou â tenho que ir, te vejo amanha â beijou meu cabelo e saiu.
Entrei no carro e fui o mais lento que pude pra cabana, queria adiar o fim, mas a dor me consumia a cada segundo.
Quando cheguei entrei e senti o cheiro de âlarâ, o tipo de aroma que te faz se sentir em casa. ChĂĄ de camomila, a lareira estava acesa dando um calor agradĂĄvel na casa. Eu me sentei no sofĂĄ, ele se sentou na poltrona ao lado.
- entĂŁo... â eu passei os dedos pelo cabelo â qual Ă© a sensação?
- jĂĄ que vocĂȘ nĂŁo tem a resposta, deixa eu te dizer â umedeci os lĂĄbios e me levantei â Ă© horrĂvel, Ă© destruidor, parece que nĂŁo tem fim. Como um buraco que nĂŁo tem fundo e um tĂșnel sem saĂda. NĂŁo Ă© como quando o Ethan e a Taylor me traĂram, Ă© pior. Ă mil vezes pior.
- vocĂȘ nĂŁo queria? EntĂŁo por que fez? Por que me magoou? Por que me destruiu Trav? â eu voltei a chorar
- eu sou assim, ruim de mais pra qualquer coisa. Te amar deve ter sido o meu pior erro
- queria nunca ter te conhecido, nunca ter ido aquele fliperama estupido â eu cobri o rosto com as mĂŁos, o silencio que se passou nos Ășltimos minutos foram os mais dolorosos â ela... por que esta com ela? E nĂłs? Eu...
- conheci a filha dele, Amit, hĂĄ muito tempo.
- Ă© difĂcil de acreditar nĂŁo Ă© â ele soltou um riso triste
- Trav â eu sussurrei, ele me olhou â eu amo vocĂȘ.
- nĂŁo devia, por tudo, pela dor, pela raiva. NĂŁo devia. Mas amo, parece que ultrapassa todo o sentimento negativo, ele Ă© maior e mais indestrutĂvel. Queria poder ser forte o bastante pra lutar por vocĂȘ, mas eu nĂŁo consigo, dĂłi... E eu nĂŁo quero mais isso.
Eu sai porta a fora, a chuva cai forte o vento castigava meu rosto que ardia pelos segundos que a chuva caia. Antes que eu pudesse abrir a porta, ele segurou minha cintura e me apertou em seu corpo me beijando.
Os lĂĄbios quentes, conhecidos e gentis me salvaram do buraco sem fundo, a luz no fim do tĂșnel apareceu e eu me entreguei aos beijos. Voltamos pra casa, nossas mĂŁos era rĂĄpidas, ĂĄgeis. Era como se quisĂ©ssemos ser novamente nĂłs, tocar cada pedaço do corpo um do outro, matar a saudade, lembrar, sentir mais uma vez. Ele se sentou no sofĂĄ e eu fiquei no seu colo, suas mĂŁos apertavam meu corpo e eu me apertava no seu.
As roupas encharcadas foram parar no chão, quando finalmente o senti dentro de mim gemidos não eram suficientes pra dizer o prazer, a alegria e a satisfação que era ter ele, ser dele.
Mas as mĂŁos ansiosas e rĂĄpidas diminuĂram, ele ainda por cima de mim me olhou. Eu acariciei seu rosto querendo lembrar de cada pedaço, do sinal que ele tinha na testa escondido pelos cabelos, queria lembrar da maciez dos cabelos negros que tanto me encantavam, queria lembrar do sabor de seus lĂĄbios macios sobre os meus e da intensidade de seu olhar sobre mim e o que causava.
Ele roçou os låbios em meu queixo, desceu ate meu pescoço e demorou um pouco sobre meus seios, minha barriga, coxas... meu corpo inteiro se arrepiava com seus toques devagar e gentis.
Me beijou dessa vez uma necessidade, com um pedido de que ficasse pra sempre, com  uma dor de despedida que me fez apertar nossos corpos. O movimento vai-e-vem retornou, minhas unhas desciam por suas costas;
Ele me levou para o quarto, a tarde foi uma enorme, gigantesca necessidade de ser lembrada. Era como se quiséssemos que o tempo parasse e pudéssemos finalmente amar, mesmo sabendo que o fim chegava, fomos lentos, apaixonantes.
- quero lembrar de hoje, de cada detalhe, de cada cheiro â ele roçou os lĂĄbios por meu pescoço e mordeu minha orelha
- faço de suas palavras as minhas â eu sussurrei, eu me apertei em seu peito.
- Abby, eu amo vocĂȘ como nunca pensei que fosse amar alguĂ©m â ele beijou meu cabelo.
- pena que nĂŁo Ă© o suficiente.
Ele voltou a me beijar, o fim da tarde foi uma entrega total, recebemos de volta um prazer e uma alegria por estarmos juntos e ao mesmo tempo a tristeza de saber que nĂŁo seria pra sempre.