Fic que eu ainda não tenho um título - Capítulo 1
-Oi! - uma imagem borrada acima de mim – Tá tudo bem com você?
Minha cabeça estava explodindo em dor de cabeça, minha roupa molhada, o salto do meu sapato quebrado.
-Argh, merda, esse sapato foi um presente da minha mãe! - eu digo, me sentando no chão, colocando a mão na testa – Eu tô bem. - a imagem borrada, que descobri que era um garoto, me estendeu a mão, me ajudando a levantar
Eu estava em uma festa, várias luzes coloridas, música ao último volume, muita gente. Muita bebida. Aí eu percebi o que aconteceu, eu bebi demais da conta, o que no meu caso era só beber. Eu nunca tinha bebido, o que passou pela minha cabeça?
O garoto tirou uma mecha loura de cabelo da minha cara.
-Olha, eu vi você saindo de casa e por pura coincidência, somos vizinhos – disse ele, me segurando, para garantir que eu não caia – Se quiser uma carona?
-Ah, não, seria muito incômodo. - disse eu, negando com a cabeça
-Imagina! - ele me guiava até a porta – Vamos para o mesmo destino, eu já estou indo para casa e não é bom você ficar aqui
Decidi aceitar a carona. Ele é muito legal, simpático. E agora que a minha visão não está mais embaçada, pude perceber que ele é até bonito. Ele tem cabelo castanho escuro e olhos verde-mar, bochechas levemente rosadas. Uma pele muito clarinha, como a minha.
Já no carro dele, comentei :
-Aceitei sua carona e você diz ser meu vizinho – me mudei para a casa dos meus pais fazem 3 dias. Antes eu vivia com a minha vó, em Nova York, mas ela falou que eu tenho que ficar com meus pais – E eu nem sei seu nome.
-Nicholas. Não gosto do meu nome. - ele disse, com atenção na estrada – E você se chama Anna. Certo?
-Certo. Como sabe meu nome? - eu disse, um pouco confusa.
Chegamos na rua em que vivemos. Ele realmente era meu vizinho
-Bom, é isso. - ele disse, parando o carro – Te vejo amanhã, Srta. Escondida?
-Hm. Claro, Sr Social. - eu disse, com um risinho – Valeu. Até amanhã
Abri a porta e vi meus pais, no sofá, vendo o telejornal. Eu fui até a minha mãe, com o sapato nas mãos – é muito desconfortável andar com um pé de sapato com o salto quebrado – e me joguei nos ombros dela, e comecei à chorar descontroladamente
-O que eu fiz mãe? O que eu fiz? - eu disse em meio as lágrimas – Eu sou uma idiota!
-Filha, relaxa! - ela disse, acariciando meus cabelos, a parte que não estava no chapéu – Você bebeu, certo? Tudo bem, você é uma adolescente e é quase maior de idade. Precisa curtir. Só não passe da conta.
-Vá tomar um banho, meu docinho – disse meu pai, carinhoso, como sempre.
Eu concordei, esfregando o nariz, e afastando as lágrimas com a palma da mão.
-Uuuuh, tá bebinha! - meu irmão de 11 anos, Tyson, disse, pela porta, enquanto eu entrava na minha suíte da casa gigante dos meus pais.
-Cala boca, seu cotoco! - nada melhor passou pela minha cabeça do que “cotoco”
Entrei no meu quarto, joguei a minha bolsinha preta e o chapéu na cama e entrei no banheiro. Antes que eu pudesse entrar no chuveiro, me agachei para o vaso sanitário e vomitei toda a Absolut Vodka que eu bebi.
-Blergh, que nojo – exclamei e joguei minha roupa no cesto de roupas sujas e entrei no chuveiro
Escovei os dentes e fui dormir. Foi quando o pesadelo começou. Era Nicholas e eu, voltando da festa, como realmente aconteceu, mas ele entrou em uma rua escura. Parou o carro num beco e me pegou no colo. Me carregou até a parte mais escura do beco e quando consegui iluminar alguma coisa com meu celular, ele estava mais branco. Seus cabelos estavam pretos, pele muito mais branca e a boca ensanguentada. Eu não tinha reação. Logo eu estava igual a ele, pele branca, cabelo preto e boca ensanguentada. Foi quando acordei, gritando, suando frio, com a cara socada no travisseiro. Levantei a cabeça e olhei para os lados. Ainda era madrugada. Desci para a cozinha e bebi um copo de água. Deitei no sofá e peguei no sono lá mesmo.
Minha mãe me acordou às 7:15, com um beijinho na testa, dizendo:
-Acorde, minha flor, escola! - e foi em direção à cozinha – O que você está fazendo dormindo aqui na sala?
-Hm.. Tive um pesadelo e desci para beber água – esfreguei os olhos – e acabei pegando no sono aqui mesmo.
-Vai se arrumar, a sua aula começa às 9:00 em ponto.
Subi para o meu quarto, tomei um banho e coloquei uma calça jeans da Abercrombie NY, uma blusa branca com um colete com babados, e meu all-star preto. Prendi o cabelo num rabo de cavalo, escovei os dentes e desci. Lá uma das empregadas preparava cereais, Waffles, sucos, chás, leite e frutas, para o café da manhã.
Ela me encarava com um olhar de tristeza, crueldade, remorso. Raiva. Ela me olhava com raiva. Acenou com a cabeça para a mesa.
-Hm.. Não estou com fome. Obrigada. - eu disse, e ela saiu da cozinha.
Quando ela voltou, estava com um potinho de cristal, com um pouco de água. Ela molhou a mão e espirrou a água na minha cara, praguejando alguma coisa em latim, ou alguma coisa do gênero.
-O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?? - Eu gritei, tirando a água da minha cara.
Corri para o meu quarto e limpei a maquiagem borrada da minha cara. Refiz a minha maquiagem e desci, bufante. Peguei minha mochila e olhei para o relógio. 7:45. Ainda estava muito cedo, mas eu queria sair de lá. Bati a porta com a mochila em um dos ombros.
-Espera, Anna! - ouvi minha mãe gritando
Eu estava em direção à rua, para ir à escola – mesmo sem saber qual era o endereço – e minha mãe me puxou até a garagem, onde um New Beatle vermelho me esperava. Ela me entregou às chaves e um papel com o endereço da escola.
-Presentinho! - ela disse, me abraçando
Eu estava gritando de animação no abraço da minha mãe. Ela olhou para o relógio e disse :
-Eu estou atrasada. Pode levar Tyson para a escola com você?
-Claro. - mas minha animação desapareceu assim que ela falou daquele monstrengo de 11 anos, chamado Tyson.
Entrei em casa e lá estava a empregada, com uma cruz, olhando para mim. Redirecionei para ela uma cara de “o que???” e gritei por Tyson.
-Eu tô indo, bebinha! - Argh, aquela criatura nunca vai esquecer o estado que cheguei ontem.
Ele chegou e eu o joguei para dentro do carro e entrei. Liguei o carro e coloquei o endereço no GPS.
Quando chegamos, estacionei o carro perto da entrada da escola, numa placa que dizia “Para alunos somente” e desliguei o carro.
-Sai. - eu disse para o meu irmão, abanando com a mão, um gesto de “caia fora”
Ainda eram 8:30. Decidi andar pela cidade. Nada de especial aberto. Voltei para a escola exatamente às 8:43. Estava sentada numa mureta da escola, quando Nicholas chegou. Ele me explicou exatamente o que aconteceu ontem na festa e fomos para a aula.
O dia seria horrível. Como sempre.