dizem que quero ser o dono da verdade, mas a verdade é que, em alguns momentos, a única coisa que eu quero é que me olhem nos olhos e me mostrem que eu estou errado, completamente errado. infelizmente, só acontece esporadicamente. minha mania de observação denuncia todas as máscaras, mesmo quando meu intuito não é desmascarar; mesmo quando o que eu quero é conhecer, reconhecer, entender de onde veio, pra onde vai. se quer ficar. muito me interessa a história por trás de cada cicatriz e de cada lágrima… eu quis ler tua história. quis fazer parte dela. quis aparar tuas lágrimas. o amor se apresentou pra mim de uma forma tão pura e tão intensa, que eu achei que poderia carregar o peso do teu mundo nas minhas costas. no nosso caminho, eu fui me desfazendo do peso da minha bagagem para poder aguentar carregar a tua. eu sei que tu também segurou as pontas muitas vezes. eu achava que isso era amor. no entanto, o verão acabou e com ele acabaram-se também as minhas forças. a suavidade do outono me despertou uma ânsia por calmaria, por paz. a nova estação me fez perceber o caos em que estávamos inseridos. tudo o que a gente teve foi um amor de carnaval: intenso, repentino, etílico e barulhento, muito barulhento. eu queria o descanso da quarta-feira de cinzas, mas você insistiu em fazer festa. você abusou da minha boa vontade. e apesar de sempre dizer que eu colocava teu amor à prova, era você mesmo quem fazia isso. você forjou lágrimas; manipulou; alimentou sua possessividade à ponto dela se transformar num monstro indomável; você me disse que o amor não tem um jeito certo de ser, que não existe fórmula - e não existe mesmo. você só esqueceu de lembrar que amar não faz ninguém se sentir mal. “você não me faz mal”, você me falou. e eu nunca entendi muito bem porque você sentia feliz, enquanto eu me sentia exausto. até que um dia eu li sobre pessoas tóxicas e tudo começou a fazer sentido. você foi minha kryptonita. e apesar de não ser nenhum superman, fiquei vulneravel à substância que emanava de ti - aquela que tu decidiu chamar de amor. ela acabou me fazendo mais mal que a fumaça dos teus cigarros. e é bem longe de ti que circunda o meu remédio: mistura de ar puro com liberdade. não pensa que parti por rancor. nem tampouco, que te culpo pelo estrago. tua matéria-prima é o caos, e a vida já me mostrou que é inútil tentar mudar a natureza das coisas. não há mágoas. o aprendizado vai ser arquivado em alguma pasta da memória. vou seguir em paz, sem você. aproveita e vai ser feliz!