A vida é cheia de fases. Certas coisas, certos demônios vão e voltam. No último ano, vivi uma fase de novas experiências e elas foram muito importantes para descobrir mais sobre mim mesma. Mas a contradição está em ter que parar de ser você um pouco para se conhecer melhor. Me afastei da escrita, da leitura, da minha preocupação com saúde mental, dos meus valores cristãos de amor em primeiro lugar, me vi seduzida por pensamentos que considero fúteis e frágeis, numa mesma época que eu me descobria independente e dona da minha liberdade.
Esses dias vi uma piada sobre relacionamento abusivo e só consegui sentir tristeza em como alguém consegue comparar uma coisa que me marcou tanto, tanto me fez sofrer, com uma relação com o café. São consequências que eu lido todo dia. Fui cercada de relacionamentos não saudáveis, é tudo que eu conheço. Hoje em dia minhas barreiras crescem um pouco mais a cada dia. O que fica implícito para mim é: quem eu amo me machuca. Eu não sei me abrir pra relacionamentos como as outras pessoas.
Esse meu isolamento me entristece de forma profunda, me sinto a par desse mundo. Não sei me relacionar da mesma forma que os outros. Mas será que eu preciso me relacionar da mesma forma que os outros? Pelos menos gostaria de ser mais aberta a viver relações possivelmente recíprocas amorosamente.
Meu problema não é ficar sozinha, com isso lido muito bem. Tão bem que não me abro para relacionamentos e é exatamente isso que me incomoda. Eu me sinto feliz sozinha. Mas, ao não conseguir me abrir, perco o que mais valorizo: minha liberdade. Estar com alguém deixa de ser uma escolha quando eu me sujeito e me prendo nessa posição de isolamento.
É isso, havia me esquecido como palavras me ajudam. Preciso escrevê-las e de uma terapia. Se não, the demons are coming.

















