Um headcannon que desenvolvi após ler um artigo sobre a hibernação das relações políticas de Brasil e Portugal durante muitos anos do século XIX e XX, enquanto que as relações intelectuais e culturais se estreitavam.
No tempo em que as relações oficiais entre Brasil e Portugal estava em inércia, eles também estavam afastados como Luciano e Afonso. O rompimento definitivo estava no passado, mas os rondava como uma assombração para não se falarem. O que se destaca era o silêncio, que surge como um estranho, quando eles não sabem medir o querer de uma aproximação. Em um salão, ou do outro lado do oceano, a distância nunca conseguiu apagar completamente o vínculo entre eles.
A diplomacia foi congelada, mas a escrita os salvou. Livros, jornais, poemas, tirinhas, cruzavam o Atlântico de sul a norte e norte a sul. Inspirado por esse troca constante de publicações, Luciano arriscou um poema, caçoando de um patriarca português retrógrado. Convencido, depois de a cabeça dar voltas e voltas, de que o poema era para ele, "Ele fala de mim?!", Afonso rebateu com uma anedota de uma fruta brasileira esmiolada, que fez a Luciano gargalhar. Tornaram-se correspondentes.
As cartas que trocavam não os expunha, seja de sentimento ou identidade. Afonso tinha a alcunha de "P. Amaro", já Luciano assinava como "Seu Rubião". Sem "Meu caro, espero que se encontre bem" e sem falar abertamente sobre os próprios sentimentos; escreviam histórias, inventavam personagens, enviavam pequenas anedotas, trechos de romances inacabados, poemas, desenhos, lendas populares e reflexões sobre qualquer assunto que despertasse a imaginação. Era um passatempo para eles entreterem o destinatário.
Com o passar do tempo, as histórias passaram a carregar pedaços de memórias de seus escritores e suas inspirações. Escreviam personagens e lugares com alusões sobre características que mais gostavam entre eles (e até seus defeitos). Confirmavam as boas coisas que lembrava-os do tempo que eram próximos, especificas o bastante para ser uma escolha coincidente.
Se tornou a maneira deles de resgatar essas lembranças. Como o tempo corre diferente para as nações, começou a manifestação de um receio involuntário. As mudanças provocadas pelas décadas em suas falas, hábitos, gestos e até onde não sabiam, a aparência. A curiosidade era grande, e mesmo que pedissem pelos cantos, as fotos deles eram inacessíveis.
Um salve para o mano João de Barros e João do Rio, que foram grandes braport shippers do século XX.
















